CHRISTIAN POLICENO
FOLHAPRESS
A empresa especializada em identidade digital e reconhecimento facial, Unico, está acusando a Serasa Experian de usar sua tecnologia de forma inadequada. Fontes indicam que isso teria permitido milhões de consultas usando dados biométricos de brasileiros.
O caso está sendo investigado nos âmbitos civil e criminal e está sob sigilo judicial. Recentemente, a Serasa foi alvo de uma busca e apreensão realizada por peritos criminais em São Paulo.
A Serasa negou as acusações, afirmando que ainda não teve acesso aos detalhes do processo por estar em segredo de justiça, e que sempre age conforme a lei, se manifestando assim que possível.
A Serasa é conhecida por automatizar análise de crédito, prevenção de fraudes e cobrança, ajudando empresas a avaliar riscos de clientes e renegociar dívidas.
A Unico, por sua vez, utiliza biometria facial e inteligência artificial para confirmar identidades em tempo real, protegendo cadastros e transações em bancos, lojas online e aplicativos contra fraudes relacionadas a roubo de dados e deepfakes.
Fontes indicam que a Unico afirma que os dados usados pela Serasa são de reconhecimento facial e biométrico de milhões de clientes bancários que dependem de seus serviços. Não são dados financeiros, mas informações biométricas e faciais.
A suposta prática teria o objetivo de melhorar os sistemas de identificação da Serasa e da ClearSale, outra empresa de dados adquirida pela Serasa, ampliando a base de identidades válidas.
Serasa e ClearSale teriam acessado os serviços da Unico via Skill Tecnologia, empresa autorizada a usar a plataforma apenas para operações do Banco do Brasil.
O Banco do Brasil afirmou que acompanha o caso, que envolve outras instituições, e garantiu que suas operações e os dados dos clientes continuam seguros.
A Unico não respondeu aos pedidos de comentário, assim como a Skill Tecnologia.
Uma investigação da Unico identificou um aumento incomum nas consultas atribuídas ao Banco do Brasil, que não correspondia ao volume real de operações do banco, levando a empresa a investigar o caso.
Foi descoberto que consultas relacionadas a outros clientes foram feitas por um canal exclusivo para o banco, o que pode ter facilitado o uso não autorizado dos dados biométricos.
Um laudo pericial indicou pelo menos 1,4 milhão de transações irregulares, e a Unico estima que até 22 milhões de brasileiros possam ter seus dados envolvidos.
Na justiça, a Unico acusa a Serasa Experian de concorrência desleal, uso indevido de informações confidenciais e obtenção irregular de vantagem tecnológica.
