Matheus dos Santos
Folhapress
A divulgação dos resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026 está começando esta semana, com empresas como Vale e Santander já apresentando seus números. Especialistas apontam que setores vão se sair de formas diferentes, influenciados pelo conflito no Oriente Médio e a alta da taxa básica de juros, a Selic.
Instituições financeiras como Itaú, XP e Banco Safra destacam que os setores de energia e bancário tendem a se beneficiar. A energia, devido à forte geração de caixa impulsionada pelo aumento do preço do petróleo, e o setor bancário, favorecido pela taxa de juros alta.
Com a Selic em 14,75% e um cenário político instável, analistas estão preocupados com o desempenho de setores como varejo e agronegócio, que enfrentam desafios como mudança de comportamento do consumidor e aumento nos preços dos insumos.
O Itaú BBA destaca que o setor bancário deve continuar forte, sustentado por margens financeiras fortes e inadimplência controlada. A combinação da Selic alta com a possível queda gradual dos juros deve garantir um trimestre sólido para os principais bancos privados.
A XP ressalta a melhora do banco Bradesco, que tem apresentado resultados mais resilientes, apoiado por maior participação de crédito com garantias e melhor rentabilidade.
Já o Banco do Brasil mostra mais cautela, com previsão de resultados mais fracos devido a perdas com crédito e retorno sobre o patrimônio pressionado. No último trimestre de 2025, o lucro do Banco do Brasil caiu 40% devido ao aumento da inadimplência dos produtores rurais e recuperações judiciais.
O setor de energia, principalmente empresas produtoras de petróleo como Petrobras e Prio, devem se beneficiar do aumento dos preços da commodity causado pelo conflito com o Irã, que já gerou alta de cerca de 40% no preço do petróleo.
Distribuidoras como Vibra e Ultrapar também devem ter resultados positivos, apoiadas pelo desconto entre preços domésticos e de importação e pela fiscalização regulatória contínua.
Nos últimos meses, o setor passou por uma reorganização após operações policiais que investigaram fraude envolvendo empresas distribuidoras e postos de combustíveis.
Setores de varejo e agronegócio enfrentam dificuldades
Os setores de varejo e agronegócio são vistos de forma negativa por analistas. No varejo, o alto endividamento das famílias e a preferência do consumidor por produtos mais baratos impactam as vendas. O Banco Safra aponta que supermercados enfrentam volumes menores e o fenômeno do “trade down”.
O Itaú prevê desafios para empresas como Azzas, Grupo Mateus e Natura, com vendas fracas e margens apertadas.
Para o agronegócio, a Selic alta deve pressionar os resultados financeiros e a rentabilidade da produção rural. O Boletim Focus projeta a taxa de juros em 13% no final do ano.
O conflito no Oriente Médio também eleva os preços dos fertilizantes, especialmente os nitrogenados, gerando preocupação sobre os impactos na próxima safra, dependendo da duração do conflito, conforme o Itaú.
