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País vive bifurcação entre teto e desarranjo, diz Vescovi

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Ex-secretária do Tesouro diz que o teto de gastos, mecanismo que ajudou a formular, está sob risco, o que pode levar a uma alta dos juros antes do esperado

Vescovi: Para a ex-secretária do Tesouro é possível combinar os dois pilares, o de um programa social mais abrangente e o de respeito ao teto. (Wilson Dias/Agência Brasil)

O Brasil está diante de uma “bifurcação”, na qual um caminho sustenta o teto fiscal e o combina com uma reestruturação da assistência social, enquanto o outro acaba gerando uma desorganização macroeconômica, diz Ana Paula Vescovi, economista-chefe do Santander.

A ex-secretária do Tesouro afirma, em entrevista, que o teto de gastos, mecanismo que ajudou a formular, está sob risco, o que pode levar a uma alta dos juros antes do esperado.

Segundo ela, não é possível ter uma política social efetiva para os mais pobres que não seja fiscalmente responsável. “O risco parte dessa crença de que o que já deu errado no passado, que foi ativar gastos públicos, possa vir a funcionar desta vez.”

Para Vescovi, é possível combinar os dois pilares, o de um programa social mais abrangente e o de respeito ao teto.

Se o compromisso com a responsabilidade fiscal for rompido, os mais vulneráveis serão mais afetados pelo crescimento mais lento do PIB ou pela desancoragem das expectativas de inflação e a consequente alta dos juros. Haveria uma enorme dispersão nas expectativas sobre a evolução da dívida pública, o que poderia levar a um cenário de dominância fiscal.

No entanto, a economista do Santander acredita que há uma percepção política clara de que o Brasil precisou elevar temporariamente os gastos para combater a pandemia, mas agora é preciso retomar a direção apontada pelo próprio Congresso de modernizar a economia.

Ainda que o teto de gastos seja cumprido até 2026, final de seu primeiro ciclo, a relação dívida/PIB tende a passar dos 100% em 2027, estima ela, cuja projeção para 2020 está em 95%.

Raiz quadrada

No cenário base do Santander, o Brasil consegue dar sustentabilidade à dívida pública por meio de reformas e avançar para uma recuperação gradual da economia, não em forma de V ou qualquer outra letra do alfabeto, mas em forma de raiz quadrada.

“Um mergulho no segundo trimestre, não tanto quanto se esperava, recuperação mais forte no terceiro trimestre e a partir daí uma recuperação mais lenta, mais gradual.”

Tal cenário já tem por premissa uma vacina contra o coronavírus em 2021. Com um cenário de sustentação da regra do teto, o BC só retomaria alta dos juros no início de 2022.

Tesouro

O Tesouro Nacional tem total condição de assegurar a rolagem da dívida pública no quadro atual de volatilidade, encurtando prazos, fazendo gestão de liquidez e aproveitando por mais algum tempo taxas de juros relativamente baixas, afirma Vescovi. Mas não tem todo o tempo do mundo, e é preciso endereçar as reformas, as medidas de controle dos gastos públicos e uma consolidação fiscal crível para melhorar as expectativas de evolução da dívida pública.

Para o Tesouro, ficou clara a importância de ter um colchão de liquidez, assim como para o BC a importância de ter um colchão de reservas internacionais, diz a economista. “Esse é o ponto forte da política brasileira nesse momento.”

 

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Espanha enfrenta problema incomum: como gastar bilhões contra a crise

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Absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio para o país, que não consegue aprovar orçamento anual desde 2016 por causa de uma paralisia política

Madri, Espanha 31/7/2020 (Javier Barbancho/Reuters)

Depois de garantir uma porção generosa dos fundos de recuperação da União Europeia para combate à crise do coronavírus, a Espanha enfrenta um problema inusitado — como fazer uso de todo o dinheiro, disseram fontes do governo à Reuters.

“Esta não é uma crise de dinheiro, é uma crise de ideias”, disse uma das fontes, referindo-se a projetos de investimento concretos para ajudar a economia a sair de uma recessão recorde.

Em um país que não conseguiu aprovar um orçamento anual desde 2016 por causa de uma prolongada paralisia política, a necessidade de absorver dinheiro extra repentinamente é um desafio, disseram as fontes.

A Espanha foi especialmente atingida pela pandemia. O país registrou mais de 640 mil casos de Covid-19, o maior número de infecções na Europa Ocidental, e a doença matou mais de 30 mil vidas espanholas.

A economia espanhola despencou 18,5% no segundo trimestre, contração superada na Europa apenas pelo Reino Unido.

Para ajudar a Espanha a se recuperar, o país receberá cerca de 140 bilhões de euros em subsídios e empréstimos do pacote de recuperação do coronavírus da UE, de 750 bilhões de euros.

Isso inclui 43 bilhões de euros em subsídios apenas nos próximos dois anos — o equivalente a cerca de 8% das despesas anuais.

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Mercado eleva estimativa para inflação em 2020 pela 6ª vez

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Para o Produto Interno Bruto (PIB), os especialistas consultados pela pesquisa Focus passaram a projetar contração de 5,05% este ano

(Germano Lüders/Exame).

O mercado voltou a elevar a expectativa para a inflação este ano em meio às renovadas preocupações sobre a alta dos preços, ao mesmo tempo em que melhorou mais uma vez a perspectiva para a economia, de acordo com a pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira.

O levantamento semanal apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2020 agora é de 1,99%, contra 1,94% na semana anterior e meta de 4%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Foi a sexta semana seguida em que houve aumento da projeção.

Os Índices Gerais de Preços (IGP) vêm mostrando forte salto dos preços no atacado, o que preocupa o mercado em geral, deixando-o de olho na reação do BC, que divulgará a ata de sua última reunião de política monetária na terça-feira.

Para 2021, a expectativa para a inflação permaneceu em 3,01%. Para o ano que vem o centro da meta oficial é de 3,75%, também com margem de tolerância de 1,5 ponto.

.Para o Produto Interno Bruto (PIB), os especialistas consultados passaram a projetar contração de 5,05% este ano, de queda de 5,11% na semana anterior. A perspectiva de crescimento de 3,5% em 2021 permanece inalterada.

Sobre a política monetária, continua o cenário de Selic a 2,0% este ano e a 2,50% em 2021. O Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, continua vendo a taxa básica de juros a 2,0% ao final de ambos os anos.

Na semana passada, o BC manteve a Selic na mínima histórica de 2,0%, sinalizou manutenção por um período prolongado, mas não fechou completamente a porta para novo afrouxamento monetário.

 

 

 

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Economia global recuperou metade da queda, diz Deutsche Bank

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Segundo a equipe do banco, a recuperação até agora tem sido “significativamente mais rápida” por causa dos enormes estímulos de governos e bancos centrais

(Dado Ruvic/Reuters)

A economia global mostra retomada mais rápida do que o esperado, e o PIB mundial já recuperou metade da queda causada pela pandemia, de acordo com economistas do Deutsche Bank.

Segundo a equipe do banco, a recuperação até agora tem sido “significativamente mais rápida” do que o previsto por causa do efeito dos enormes estímulos de governos e bancos centrais, bem como ao sucesso de alguns países em conter o coronavírus.

“Estimamos que o nível do PIB global esteja aproximadamente na metade do caminho de volta ao nível pré-vírus, e agora vemos essa jornada sendo completada em meados do próximo ano, alguns trimestres mais cedo do que em nossa previsão anterior”, disseram o responsável de pesquisa econômica do Deutsche Bank, Peter Hooper, e outros economistas do banco em relatório.

Economia global recuperou metade da queda, diz Deutsche Bank

Embora a economia global deva registrar recessão recorde, há sinais de que a queda pode não ser tão profunda quanto se temia. Na semana passada, a OCDE atualizou suas projeções para 2020, prevendo recessões menores em muitos países avançados.

Embora muito mais otimista, o Deutsche Bank também disse que o ritmo de recuperação deve desacelerar nos próximos meses, e pode haver consequências negativas duradouras devido a mudanças no comportamento do consumidor e estragos no mercado de trabalho.

Além disso, o banco alertou que os riscos do mercado financeiro aumentaram devido ao maior endividamento e valuations elevados em renda variável.

“As crises financeiras muitas vezes foram desencadeadas no passado sob tais condições pela mudança inevitável do afrouxamento para o aperto monetário, o que provavelmente ainda está vários anos distante, mas que poderia surpreender antes”, disseram.

 

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Por desmatamento, França se opõe ao acordo UE-Mercosul

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França apresentou três “exigências” para a continuidade das negociações. Entre elas está o respeito ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas

Macron já havia se manifestado contra esse acordo no ano passado, por conta dos incêndios na Amazônia (Koji Sasahara/Pool/Reuters)

O Executivo francês lamentou que o projeto de acordo “não contém nenhum dispositivo que permita disciplinar as práticas dos países do Mercosul no combate ao desmatamento. Isso é o principal ponto que falta neste acordo e o principal motivo pelo qual, no estado atual, as autoridades francesas se opõem ao projeto”.

Além disso, a França rejeita “a falta de ambição” do texto atual, no que se refere a questões ambientais.

O relatório foi encomendado pelo governo francês no ano passado para avaliar o impacto desse acordo de livre-comércio assinado no ano passado, após duas décadas de negociações.

“O acordo representa uma oportunidade desperdiçada para a UE usar seu poder de negociação para obter garantias sólidas que respondam” às “expectativas ambientais, de saúde e (…) sociais dos seus concidadãos”, concluiu a comissão de especialistas presidida pelo economista Stefan Ambec.

Concretamente, avalia-se o risco de desmatamento ao estimular a área adicional de pastagens que seriam necessárias ao Mercosul para suprir o aumento da produção de carne bovina destinada à UE (entre 2% e 4%) e conclui em “uma aceleração anual de 5%”.

O relatório estima também “entre 4,7 e 6,8 milhões de toneladas equivalentes de CO2” o aumento de emissões de gases de efeito estufa gerado pelo acordo e questiona se os “ganhos econômicos” superam “os custos climáticos”, com base em um valor de carbono de 250 euros por tonelada.

Lamenta, ao mesmo tempo, que, embora o texto cite o Acordo de Paris contra a mudança climática, não haja “condições específicas” para ambas as partes enfrentarem “suas responsabilidades com as gerações futuras”.

O presidente Emmanuel Macron já havia se manifestado contra esse acordo no ano passado, em meio a uma crise diplomática com o brasileiro Jair Bolsonaro, decorrente dos incêndios na Amazônia.

No entanto, “a França não quer parar tudo, pelo contrário, queremos bater no ferro enquanto está quente”, disse uma fonte do Executivo.

As três “exigências” formuladas pelo governo são: que o acordo não pode em “nenhum caso causar aumento do desmatamento”, que as “políticas públicas do Mercosul estejam plenamente de acordo com seus compromissos com o Acordo de Paris” e que o os produtos agroalimentares importados com acesso preferencial respeitam as normas europeias de saúde e ambientais.

Além da França, diversos países, como Alemanha, Bélgica, Irlanda e Áustria, expressaram recentemente sua relutância em prosseguir com o acordo, principalmente devido ao desmatamento.

Até a chanceler alemã, Angela Merkel, cujo país defendeu por muito tempo o acordo comercial, expressou pela primeira vez em agosto “sérias dúvidas” quanto a sua aprovação.

Para que entre em vigor, todos os parlamentos nacionais da UE têm de ratificá-lo.

Dezenas de ONGs também se mobilizaram nas últimas semanas na França contra esse acordo.

O coletivo Stop-Ceta, que reúne inúmeras ONGs, sindicatos e partidos políticos, pediu nesta sexta-feira o seu abandono, julgando “implacável” o relatório da comissão de especialistas.

Especificamente, o grupo pediu a Macron que faça “em Bruxelas o que ele disse em Paris” e construa “uma aliança de Estados membros capaz de bloquear o acordo a partir do momento em que seja submetido a exame no Conselho Europeu”.

De acordo com uma pesquisa recente da YouGov, realizada com mais de 5.000 pessoas na Espanha, Alemanha, França e Holanda, 3 em cada 4 entrevistados querem interromper o negócio se contribuir para o desmatamento e prejudicar o meio ambiente.

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A coreografia da geopolítica do Japão ficou mais difícil

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Com a renúncia do primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe, há dúvidas se o sucessor Yoshihide Suga conseguirá manter o equilíbrio geopolítico com China e EUA

Japão: dois terços dos japoneses aprovam o novo primeiro-ministro do Japão, Yoshihide Suga (Carl Court/Pool/Reuters)

CLAREMONT, CALIFORNIA – A inesperada renúncia do Primeiro-Ministro japonês Shinzo Abe no mês passado por motivos de saúde tem levantado muitas dúvidas sobre o legado do premiê mais antigo do país. Uma delas é se seu sucessor, Yoshihide Suga, será capaz de continuar com a coreografia do equilíbrio geopolítico de Abe, visto que as tensões entre China e Estados Unidos continuam a aumentar perigosamente.

EUA e China são essenciais para a paz e a prosperidade do Japão. Os Estados Unidos são o fiador do Japão e o segundo maior parceiro comercial, ao mesmo tempo em que a China é o seu maior parceiro comercial e vizinho. Depois que Abe voltou como Primeiro-Ministro em dezembro de 2012, ele administrou habilmente as relações do Japão com ambos os países.

Abe saiu desviou de sua trajetória para fazer amizade com o presidente dos EUA Donald Trump, mesmo depois de Trump ter afirmado que o comércio EUA-Japão “não era justo e aberto ” e exigiu que o Japão quadruplicasse sua contribuição para a manutenção as tropas americanas no país. Ele agradou ainda mais o governo Trump ao discretamente proibir a gigante chinesa das telecomunicações Huawei de participar da construção da rede 5G no Japão.

Ao mesmo tempo, Abe também cultivou laços com o presidente chinês Xi Jinping e fez uma viagem diplomática a Pequim em outubro de 2018 para quebrar o gelo na ocasião da primeira cúpula sino-japonesa em sete anos. Com as relações EUA-China em queda livre, Xi aceitou o ramo de oliveira de Abe e planejou uma visita de Estado ao Japão em abril de 2020, que teria sido a primeira de um líder chinês desde 2008. (A visita foi adiada indefinidamente por causa da Pandemia do COVID-19).

Mas Suga terá cada vez mais dificuldade em evitar tomar partido no crescente conflito EUA-China. No curto prazo, ele terá que tomar uma decisão sobre a adiada visita de Estado de Xi. A oposição à visita é grande dentro do Partido Liberal Democrático de Suga, devido à recente imposição pelo governo chinês da dura lei de segurança nacional em Hong Kong. Uma visita oficial ao Japão explorada pela TV seria uma grande vitória para Xi, que está ansioso para demonstrar que a contenção da China pelo governo Trump está fracassando.

A pressão chinesa para reagendar a visita colocará Suga em uma situação difícil. Aceitar os desejos da China custaria a ele capital político internamente, mas cancelar a visita humilharia Xi e prejudicaria os laços sino-japoneses. A única coisa que o novo Primeiro-ministro do Japão pode fazer é descobrir todas as desculpas que encontrar para continuar adiando a visita o máximo possível.

De qualquer modo, as tensões em relação a uma cúpula sino-japonesa amplamente simbólica ficarão empalidecidas em comparação com o provável impacto sobre o Japão de duas disputas entre EUA e China nos próximos anos.

Em primeiro lugar, os EUA pedirão ao Japão que limite as principais tecnologias que fornece à China. Mas com mais de US$ 38 bilhões investidos diretamente na China e quase 14.000 empresas lá operando, o Japão acharia especialmente difícil, economicamente prejudicial e diplomaticamente caro cumprir integralmente as sanções dos EUA contra a China.

Ninguém sabe como Suga, que foi secretário de gabinete de Abe e seu assessor mais próximo nos últimos oito anos, será capaz de agradar os EUA na questão de tecnologia sem irritar a China, ou vice-versa. Ele certamente enfrentará uma tarefa muito mais difícil do que seu antecessor, a menos que EUA e China de alguma forma diminuam a escalada de seu conflito.

Suga também terá muito mais dificuldade em ficar em cima do muro no que diz respeito às questões de segurança. Como membro do chamado Quad – grupo de segurança do Indo-Pacífico que também inclui Austrália, Índia e os EUA – o Japão enfrentará convites dos EUA para participar de exercícios navais conjuntos com mais frequência e em maior escala, a fim de desafiar as reivindicações territoriais da China no Mar do Sul da China. No ano passado, por exemplo, um porta-aviões japonês participou de exercícios navais liderados pelos EUA em águas reivindicadas pela China.

A China não reagiu com veemência à participação do Japão, devido à melhoria dos laços bilaterais dos dois países. Mas poderia atacar o Japão se a reaproximação iniciada por Abe fracassar e o governo de Suga começar a colaborar com os EUA de forma mais aberta e contundente nas disputas pelo Mar do Sul da China.

Uma coisa que poderia destruir completamente os laços sino-japoneses nos próximos 5-7 anos seria o lançamento de mísseis americanos de médio alcance de solo japonês. Os estrategistas do Pentágono estão ansiosos para posicionar armas ofensivas poderosas mais perto do continente chinês, e o Japão é um lugar ideal.

Os mísseis ainda estão sendo desenvolvidos, portanto, não há necessidade de os EUA pedirem ao Japão para hospedá-los. Mas, uma vez que os Estados Unidos tenham produzido quantidades suficientes, é difícil imaginar que não pressione o Japão por permissão para implantá-los. Se o Japão concordar, as relações com a China poderão enfrentar sua pior crise desde que os dois países restauraram laços diplomáticos em 1972.

Obviamente, nenhum desses problemas é culpa de Abe ou de Suga. Mas ilustram mais uma vez a situação de um país espremido entre dois gigantes geopolíticos em duelo – e a dimensão do desafio diplomático que o novo Primeiro-ministro japonês irá enfrentar.

Tradução: Anna Maria Dalle Luche.

Minxin Pei é professor de governo no Claremont McKenna College e bolsista sênior não residente do German Marshall Fund dos Estados Unidos.

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Economia

Dólar tem leve alta, mas caminha para fechar semana em queda

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Investidores assumem defensiva em véspera de fim de semana, após moeda americana se desvalorizar nos últimos dois pregões

Dólar (JamieB/Getty Images)

O dólar sobe contra o real, nesta sexta-feira, 18, acompanhando a valorização global da moeda americana. Às 9h30, o dólar comercial avançava 0,6% e era negociado por 5,263 reais na venda.

No radar dos investidores está a declaração do presidente Donald Trump sobre a proibição, nos Estados Unidos, de downloads do aplicativo chines Tik Tok a partir de domingo e de algumas transações por meio do também chinês WeChat. O anúncio, que ocorre em meio à corrida e eleitoral e após a ByteDance firmar parceria para que a Oracle faça a gestão das operações do aplicativo Tik Tok nos EUA.

Embora ajude a aumentar a tensão comercial entre as duas potências, a notícia teve impacto limitado nos mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, os índices futuros de ações seguem no campo positivo.

“Depois de uma semana conturbada com decisão de juros no Brasil e nos Estados Unidos, o investidor se sente mais confortável para passar o fim de semana comprado em dólar. Até para não se desesperar se vier uma notícia muito ruim no sábado ou domingo”, afirma Vanei Nagem, analista de câmbio da Terra Investimentos.

Apesar de ser negociado em alta, o dólar deve fechar a semana em queda contra o real – a menos que suba mais de 1,5%.

Segundo Nagem, expectativas de elevação da taxa de juros em 2021, motivadas pelos recentes dados de inflação e risco fiscal, tem contribuído com a desvalorização do dólar no Brasil. “O mercado está bastante atento às curvas de juros futuras e quando juros sobe, o dólar cai. A economia, se reativar um pouco, também faz o dólar cair mais forte.”

No exterior, o dólar se valoriza contra as principais moedas emergentes, com exceção da rúpia indiana. Já o índice Dxy, que mede o desempenho do dólar contra divisas desenvolvidas, permanece estável.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2020

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