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sexta-feira, 10/07/2026

Brasil e EUA buscam acordo para evitar novas tarifas

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ISABELLA MENON
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS)

Entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos, como a Amcham Brasil, a Confederação Nacional de Indústrias (CNI) e a U.S. Chamber of Commerce, enviaram uma carta aos governos dos dois países solicitando a criação de um acordo rápido para impedir a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Isso ocorre pouco antes da conclusão da investigação comercial feita pelos EUA contra o Brasil conforme a Seção 301.

O Escritório de Comércio dos EUA (USTR) já indicou a possibilidade de um aumento de 25% nas tarifas. A decisão deve ser publicada até 15 de julho, e acredita-se que, se um acordo for fechado até essa data, ainda será possível evitar o aumento, caso contrário, será mais difícil reverter a situação.

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, mencionou ter mantido conversas com representantes brasileiros, mas sinalizou que a situação está difícil. “Ainda existe uma grande diferença entre os países, portanto uma decisão final sobre o Brasil será tomada em breve”, afirmou.

Empresas como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens também enviaram comentários ao USTR pedindo que as tarifas não sejam aplicadas.

A carta das entidades destaca que a melhor forma de preservar a competitividade e evitar prejuízos para empresas, trabalhadores e consumidores de ambos os países é por meio de uma solução negociada.

O documento propõe que Brasil e EUA iniciem negociações em duas etapas: a primeira focada em questões urgentes e a segunda para ampliar a cooperação econômica em áreas estratégicas.

Entre as prioridades imediatas estão o aumento do acesso a mercados para produtos relacionados à segurança energética, centros de dados e infraestrutura de inteligência artificial; melhora na cooperação regulatória em setores como automóveis e equipamentos médicos; aceleração na análise de patentes e combate à pirataria; além de parcerias na pesquisa e desenvolvimento de minerais críticos e cadeias de suprimento estratégicas.

A carta também sugere a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC), que impede a cobrança de tarifas sobre transmissões eletrônicas, e a implementação total do Protocolo Anticorrupção do ATEC, acordo de comércio entre Brasil e EUA.

Na segunda fase, a agenda bilateral poderia ser ampliada para tratar temas como economia digital, comércio eletrônico, segurança energética, inovação, cadeias produtivas, descarbonização industrial, agricultura e facilitação do comércio.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, “É fundamental que os governos do Brasil e dos Estados Unidos façam um esforço conjunto para viabilizar um acordo que evite a aplicação das tarifas e abra espaço para fortalecer a relação econômica bilateral”.

Pessimismo com o resultado

Recentemente, audiências foram realizadas em Washington, onde empresários e políticos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediram ao governo dos EUA que não imponha as novas tarifas ao Brasil. O governo brasileiro não participou dessas audiências, que são voltadas para o setor privado, mas mantém as negociações com os EUA.

Durante as audiências, vários setores solicitaram a exclusão das tarifas para suas áreas. No entanto, o ambiente não é otimista e a expectativa geral é que o aumento das tarifas ocorra, com possível ampliação da lista de exceções.

Flávio Bolsonaro também indicou que caso as tarifas sejam aplicadas, isso pode beneficiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) politicamente.

Bruna Santos, diretora do Brazil Institute e que acompanha as negociações entre os países, compartilha dessa visão e destaca outra investigação do USTR, cuja decisão está prevista para 24 de julho e trata de trabalho forçado, envolvendo 60 nações, incluindo o Brasil, com possibilidade de uma tarifa de 12,5%.

Ela menciona que não espera a suspensão dessas tarifas, mas sim algumas isenções e ajustes para evitar taxas muito elevadas somando as duas investigações.

Bruna Santos também observa que mesmo grandes empresas americanas, com recursos e influência, estão adotando uma postura defensiva e fragmentada, buscando garantias individuais de proteção em vez de uma estratégia coordenada entre os setores.

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