CLAUDINEI QUEIROZ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
Na quinta-feira (21), a polícia realizou a Operação Vérnix, que resultou na prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, 38 anos, acusada de envolvimento no esquema de lavagem de dinheiro do grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).
A ação foi feita por uma equipe especial da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. Eles explicaram como investigaram e conectaram os líderes da facção com outros envolvidos.
Principais acusações contra Deolane Bezerra
Deolane foi acusada de participar de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ela é suspeita de ser responsável por movimentar grandes quantias de dinheiro para o PCC, funcionando como a caixa do grupo.
Detalhes da prisão
Deolane foi presa em casa, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, por volta das 6h da manhã. Ela havia voltado da Europa no dia anterior para renovar seu passaporte na Polícia Federal.
Risco de prisão fora do Brasil
Enquanto estava em Roma, na Itália, o nome de Deolane foi incluído na lista vermelha da Interpol, o que poderia resultar em sua detenção no exterior. Por isso, ela antecipou seu retorno ao Brasil.
Início da investigação
A investigação começou após a polícia encontrar bilhetes escritos à mão em uma cela de presídio paulista. Esses bilhetes mostraram detalhes do esquema de lavagem de dinheiro que liga Deolane Bezerra ao PCC.
Bilhetes do presídio e o envolvimento de Deolane
As mensagens revelaram que Deolane recebia grandes quantias da transportadora Lado a Lado, controlada pelo PCC. Essas transferências não tinham relação com atividades legais ou de advocacia.
O que é “pejotização do crime”?
O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, explicou que o crime organizado usa empresas de fachada para disfarçar a origem ilegal do dinheiro, sem funcionários reais.
Rede de empresas de fachada
Deolane tinha sob seu controle 35 empresas falsas, todas registradas no mesmo endereço em Martinópolis, SP. Essas empresas não tinham atividade real e usavam um contador em comum.
Origem do dinheiro
O dinheiro vinha principalmente da transportadora Lado a Lado, localizada perto da penitenciária de Presidente Venceslau, e controlada pela cúpula do PCC.
Bloqueio de bens
O juiz Deyvison Heberth dos Reis bloqueou R$ 327 milhões em bens e dinheiro dos envolvidos na operação.
Montante confiscado de Deolane
A Justiça bloqueou R$ 27.002.774,72 das contas e empresas de Deolane Bezerra, incluindo Bezerra Publicidade e Comunicação Ltda., Bezerra Produções Artísticas Ltda. e Deolane Bezerra Holding Participações Ltda.
Outros alvos da operação
Mandados de prisão também foram emitidos contra líderes do PCC, como Marcola (Marco Willians Herbas Camacho) e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, ambos já presos, mas com novas ordens.
Defesa de Marcola
O advogado Bruno Ferullo afirmou que é quase impossível seu cliente comandar o PCC de dentro da prisão, pois todas as conversas são monitoradas pela inteligência da PF.
Padrão de vida de Deolane como prova
O juiz destacou que o estilo de vida luxuoso de Deolane, com viagens internacionais, aviões e carros caros, não combina com sua renda declarada, sugerindo que os bens são fruto da lavagem de dinheiro.
Entre os veículos apreendidos estão Lamborghini Huracán, McLaren, Range Rover, Cadillac Escalade e Mercedes-Benz AMG G63, avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Relatórios financeiros
Os relatórios do COAF mostraram movimentações financeiras muito altas e suspeitas, que não condizem com os rendimentos declarados por Deolane e suas empresas.
Quem é Everton de Souza, o “Player”?
Everton de Souza, conhecido como “Player”, era o operador financeiro que intermediava entre a cúpula do PCC e a transportadora. Ele tinha relações próximas com Deolane e compartilhava o mesmo contador das empresas fictícias.
Ele teve mais de R$ 9,4 milhões bloqueados. A investigação mostrou que ele indicava as contas para os depósitos, que eram frequentemente em dinheiro vivo e parcelas para esconder a origem.
Por que Deolane foi presa em 2024?
Deolane foi alvo da Operação Integration em 4 de setembro de 2024, realizada pela Polícia Civil do Recife e Ministério Público, para desarticular uma rede de jogos ilegais e lavagem de dinheiro.
Ela foi presa junto com sua mãe, Solange Alves, em Boa Viagem, Recife. A quadrilha usava várias empresas de eventos, publicidade, casas de câmbio e seguros para lavar dinheiro via transações bancárias. Ambas foram soltas 20 dias depois após revogação das prisões preventivas.
