Nilton David, diretor de política monetária do Banco Central, afirmou que a quantia total para redução da taxa Selic nunca foi discutida no Comitê de Política Monetária (Copom).
O comentário foi feito durante evento promovido pelo JPMorgan, em Washington, no meio das reuniões da Primavera com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele respondeu a uma pergunta sobre o limite que a Selic pode atingir no processo chamado de “calibragem” da taxa de juros, termo usado atualmente pelo BC para descrever o ciclo em curso.
Segundo Nilton David, o orçamento para esse ajuste da taxa Selic nunca esteve em pauta, destacando a complexidade de estabelecer esse valor diante da incerteza econômica atual.
Ele explicou que, além da taxa neutra estrutural e real, hoje em torno de 5% segundo o Banco Central, existem fatores adicionais de natureza conjuntural. Por isso, é preciso cuidado ao definir o nível da Selic que indicaria uma política monetária restritiva ou não. Essas camadas extras elevam a taxa real de juros bem acima de 5%, pois são consideradas diversas variáveis que já estão se normalizando.
Mercado de trabalho
Durante a palestra, Nilton destacou que a economia está se aproximando de seu potencial, deixando para trás o auge dos estímulos ao consumo. Ele ressaltou que o mercado de trabalho, embora mais pressionado, é o último a sentir os efeitos do aumento dos juros.
Comentou que a maior falta de trabalhadores ocorre no setor da construção civil, onde as taxas de juros médias diferem das demais áreas. Referindo-se aos dados recentes de emprego, que ficaram abaixo das expectativas, Nilton David ressaltou que as decisões do Banco Central não são baseadas em um único indicador.
Estadão Conteúdo
