O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), vive atualmente um momento de fortalecimento, após um primeiro ano de mandato conturbado por diversos conflitos. Nos últimos meses, ele conquistou avanços importantes, como a eleição de seu indicado para o Tribunal de Contas da União (TCU) e o progresso da PEC que elimina a escala 6×1 de trabalho.
O ambiente político ficou mais favorável após a vitória de Odair Cunha (PT-MG), escolhido para ocupar a vaga no TCU indicada pela Câmara. Esta eleição foi resultado de um acordo fechado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir o apoio da base governista à candidatura de Motta para o comando da Câmara.
Apesar das disputas internas e da resistência de algumas lideranças dentro da base aliada, que resultaram em uma maior competição pela vaga no TCU, Motta conseguiu manter sua posição e fortalecer sua atuação parlamentar.
Vitória na PEC da escala 6×1
Recentemente, a Comissão de Constituição e Justiça aprovou por unanimidade a Proposta de Emenda à Constituição que reduz a jornada de trabalho para 36 horas semanais, eliminando a escala 6×1. Esta aprovação, obtida em um período com menor atividade legislativa devido a feriados, demonstra o apoio de diversas forças políticas ao avanço das pautas defendidas por Motta.
Líderes partidários destacam que Motta enfrentou grandes desafios no início do mandato e que agora caminha com maior tranquilidade e suporte político, sem pautas muito polêmicas que possam ameaçar sua estabilidade.
Desafios no primeiro ano
Em 2025, Motta enfrentou dificuldades tanto com o governo quanto com a oposição. Ele contrariou o Planalto ao pautar e votar contra o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que tensionou sua relação com o Executivo. Além disso, houve desgaste político em torno da PEC da Blindagem, evento que Motta atribuiu a pressões do PT.
Também ocorreram disputas intensas na votação de temas ligados à segurança pública, como o PL Antifacção, onde Motta tentou equilibrar interesses entre governo e oposição. Durante este processo, ele acabou rompendo com líderes importantes, inclusive de sua própria base, e se aproximou mais do centrão.
Com o início de 2026, a relação entre Motta e o governo Lula melhorou, consolidando sua posição na Câmara. O Planalto vê Motta como peça fundamental para avançar pautas importantes em ano eleitoral, enquanto o deputado espera o apoio do governo para fortalecer sua base política, incluindo a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado pela Paraíba.
