O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propôs ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho bilateral para solucionar as divergências comerciais envolvendo tarifas entre os dois países dentro de 30 dias.
Segundo Lula, o objetivo é reunir equipes técnicas do Brasil e dos Estados Unidos para elaborar uma proposta concreta que ponha fim ao chamado “tarifaço”. Ao final do prazo, os presidentes devem decidir sobre o acordo.
“Eu falei assim: ‘Trump, vamos fazer o seguinte: vamos colocar um grupo de trabalho. Vamos permitir que esse moço da indústria e comércio do Brasil, junto com seu moço do comércio, sentem e, em 30 dias, apresentem para nós uma proposta para que a gente possa bater o martelo’”, afirmou o presidente brasileiro.
Comércio e balanço bilateral
Durante a conversa, Lula explicou a Trump o histórico da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nos últimos 15 anos, os EUA tiveram superávit nas trocas comerciais, enquanto o Brasil registrou um déficit de US$ 14 bilhões apenas no último ano.
O presidente brasileiro rebateu a ideia de que o Brasil aplicaria tarifas elevadas sobre produtos norte-americanos, afirmando que a média das tarifas brasileiras sobre importações dos EUA é de apenas 2,7%, embora alguns casos específicos possam chegar a 12%.
Reaproximação entre Brasil e EUA
O encontro entre Lula e Trump durou cerca de três horas na Casa Branca e foi marcado por avaliações positivas de ambos. Os líderes trocaram elogios públicos e destacaram o clima de cooperação.
Trump chamou Lula de “presidente dinâmico” e considerou a reunião “muito produtiva”. Já Lula disse sair satisfeito do encontro e comentou de forma descontraída sobre a postura de Trump.
O presidente brasileiro ressaltou: “A nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditaria que pudesse acontecer com tanta rapidez”. O encontro sinaliza uma tentativa de reaproximação entre Brasil e Estados Unidos em meio a tensões comerciais recentes.
Negociações e concessões
Lula afirmou que o Brasil está aberto a fazer concessões caso sejam identificados desequilíbrios nas negociações comerciais. “Quem tiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder”, declarou.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, também participou das discussões e confirmou que novas reuniões entre as equipes técnicas dos dois países estão previstas, abrangendo não somente as tarifas, mas também uma investigação comercial dos EUA sobre o sistema de pagamentos brasileiro Pix.
Durante o encontro, o tema conhecido como Seção 301 foi abordado diretamente, com pedido para que o processo investigativo seja encerrado o quanto antes.
