Rogério Gentile
São Paulo, SP (FolhaPress)
A Justiça de São Paulo aceitou a acusação contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, que agora é ré por suspeita de lavar dinheiro para o grupo criminoso PCC (Primeiro Comando da Capital).
Deolane está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista e terá 10 dias para responder à acusação.
Além dela, Marcos Willian Herbas Camacho, conhecido como Marcola, principal líder do grupo, seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior e Everton de Souza, suposto operador financeiro, também foram formalmente acusados segundo decisão da 3ª Vara de Presidente Venceslau.
Essa denúncia surgiu a partir da Operação Vérnix, que investigou uma empresa de fachada usada para lavar dinheiro da facção. A operação levou à prisão de Deolane e Everton de Souza.
Outros acusados, Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, que são sobrinhos de Marcola, estão foragidos.
Em nota, a defesa de Deolane disse que ela não faz parte de nenhum grupo criminoso e negou qualquer crime, prometendo provar isso na Justiça.
O advogado Bruno Ferullo, que defende Marcola e sua família, afirmou que vai mostrar que as acusações são frágeis e sem fundamento, destacando que seus clientes estão presos e sob fortes restrições de contato.
Ele também disse que Leonardo e Paloma negam todas as acusações e que vão apresentar provas de que suas operações são legais.
O promotor Lincoln Gakiya, que fez a denúncia, mencionou que Deolane tem ligação direta com a família de Marcola e teria disponibilizado contas para lavagem de dinheiro, o que sua defesa nega.
Um sinal de atividade criminosa, segundo o promotor, é o aumento rápido do patrimônio de Deolane, que teria ganhado mais de R$ 140 milhões entre 2020 e 2022.
Ele ressaltou também que Deolane é próxima da família Camacho e mantém amizade próxima com integrantes como Paloma e Alexandro, filho de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola, todos acusados na investigação.
O promotor considera que os valores recebidos por Deolane não condizem com o que ela poderia ganhar com sua profissão.
Durante audiência de custódia, Deolane chorou e disse que foi presa enquanto exercia sua profissão de advogada, teriam sido descontados R$ 24 mil em sua conta por um cliente, o qual ela não revelou o nome.
