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sábado, 20/06/2026

ações da petrobras caem e analistas esperam mais mudanças

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TAMARA NASSIF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – As ações preferenciais da Petrobras fecharam a R$ 38,80 nesta sexta-feira (19), acumulando uma queda de quase 6% na semana. Esse movimento aconteceu após o anúncio de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã no contexto da guerra no Oriente Médio.

O valor das ações da Petrobras caiu acompanhando a forte queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional. O Brent, referência global, recuou 8% na semana, ficando cotado em torno de US$ 80. Esse valor está abaixo do preço antes da guerra, que era perto de US$ 70, e muito abaixo do pico de US$ 118 registrado em abril.

Especialistas confirmam que os preços das ações da Petrobras tendem a seguir o movimento do petróleo. Por isso, quem investe na empresa deve esperar mais instabilidade nos próximos dias.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirma que apesar da recente queda do petróleo, relacionada à expectativa de livre passagem pelo estreito de Hormuz, o risco ainda é alto e é cedo para acreditar em mudança definitiva no cenário.

O acordo entre Teerã e Washington, assinado digitalmente no início da semana, prevê a liberação total do estreito, uma passagem estratégica para o comércio mundial. O bloqueio desse canal causou uma crise que afetou os preços de combustíveis, alimentos e transporte, impactando a inflação.

Após o anúncio da trégua, os principais índices de ações nos Estados Unidos subiram, mas no Brasil, o Ibovespa foi pressionado pela queda das ações da Petrobras.

No entanto, o otimismo diminuiu durante a semana, pois o cessar-fogo apresenta sinais de fragilidade. Apesar do acordo prever o fim imediato das operações militares em todas as frentes, ataques continuam entre Israel e o grupo Hezbollah.

Além disso, o Irã anunciou que, após 60 dias do acordo, pretende controlar a navegação pelo estreito em conjunto com Omã, contrariando uma das principais exigências dos Estados Unidos.

As negociações para um acordo duradouro foram adiadas, após o cancelamento da viagem do vice-presidente dos EUA, JD Vance.

Bruno Cordeiro, especialista em mercado da Stonex, explica que se as conversas avançarem, os preços do petróleo podem continuar baixos, pressionando as ações das petroleiras brasileiras. Por outro lado, se houver divergências maiores, especialmente sobre o programa nuclear do Irã e a situação no Oriente Médio, o preço do petróleo pode subir por conta dos riscos geopolíticos, beneficiando a receita das empresas.

Mesmo que o conflito termine e o fluxo de petróleo volte ao normal, bancos e corretoras preveem que o preço dificilmente retornará aos níveis anteriores à guerra rapidamente. O Commerzbank espera o barril por volta de US$ 80 até o fim do ano, enquanto o Citi prevê preços de US$ 65 apenas no próximo ano.

Ruy Hungria, analista da Empiricus, menciona que isso se deve à redução da produção, menos circulação de navios, queda nas reservas e ao risco de novos conflitos.

Segundo ele, essa situação torna o investimento em petroleiras interessante. No Brasil, Petrobras e Prio são as mais afetadas pelos preços internacionais por serem exportadoras. Analistas esperam que os resultados do segundo trimestre mostrem ganhos e gerem bons dividendos.

Grandes corretoras recomendam a compra das ações da Petrobras. A XP destaca o bom retorno através da geração de caixa e dividendos, que podem ultrapassar 10% ao ano se o preço do petróleo se mantiver acima dos US$ 65. A Empiricus também mantém a empresa na carteira de dividendos.

O banco JPMorgan reafirmou a recomendação de compra, ressaltando que a Petrobras se destaca pela forte geração de caixa e bons retornos aos acionistas, com dividendos esperados de 12,8% em 2026 e 13,8% em 2027, níveis competitivos frente a outras grandes petroleiras globais.

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