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sexta-feira, 07/08/2026

Musculação protege o cérebro e ajuda pessoas com Alzheimer

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LAIZ MENEZES
Em São Paulo, estudos e especialistas mostram que a musculação pode ser uma importante aliada para prevenir o Alzheimer e ajudar quem já tem a doença. Além de manter os músculos fortes e o corpo ágil, a musculação estimula o cérebro, ajudando a reduzir o risco de perder a capacidade de pensar e lembrar.

Rogério Beck, aposentado de 59 anos diagnosticado com Alzheimer há dois anos, trocou a corrida pela musculação e treina várias vezes por semana. Ele percebe que nos dias que não pratica os exercícios, fica mais irritado e tem dificuldades para dormir.

Sua esposa, Karin Beck, que tem histórico familiar da doença, prefere atividades como pilates e caminhada para manter o corpo e a mente saudáveis, tentando evitar o desenvolvimento do Alzheimer.

O neurologista Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais, reforça que o sedentarismo é um dos maiores riscos para a demência, e a musculação é uma das melhores formas de prevenir e cuidar da saúde cerebral.

Durante a musculação, o corpo libera substâncias chamadas miocinas, que vão até o cérebro e ajudam a criar novas conexões entre os neurônios, fortalecendo a capacidade de adaptação do cérebro durante a vida.

Para quem já tem Alzheimer, especialmente se estiver com perda muscular, a musculação melhora a mobilidade, diminui o risco de quedas e ajuda a manter a independência por mais tempo, embora não tenha comprovação clara de que altera diretamente a progressão da doença.

Luiz Sinésio Neto, educador físico e pesquisador, recomenda um programa de exercícios variados que inclui musculação, atividades aeróbicas, e exercícios de equilíbrio e mobilidade para um cuidado completo.

Um estudo de 2015 publicado na revista The Lancet mostrou que um programa combinando exercícios físicos e treinamentos mentais melhorou o desempenho cognitivo de idosos com alto risco de Alzheimer após dois anos de acompanhamento.

Além do exercício, Karin adotou hábitos saudáveis, como a alimentação baseada na dieta mediterrânea, rica em frutas, verduras, peixes e azeite, para apoiar a saúde geral da família.

Rogério também realiza exercícios mentais com uma neuropsicóloga, além dos treinos físicos, para auxiliar o cérebro em tarefas do dia a dia que ficaram mais difíceis.

Luiz Neto destaca que o músculo é essencial para o corpo humano, e manter a força muscular é fundamental para a saúde geral e o bem-estar.

Outro benefício da musculação é a redução da inflamação no corpo e a melhora da circulação sanguínea, fatores importantes para a saúde do cérebro.

O psiquiatra Arthur Danila, da Universidade de São Paulo, enfatiza que a musculação deve focar na funcionalidade para que o idoso mantenha autonomia em atividades do cotidiano, como levantar-se, subir escadas e caminhar com segurança.

Um estudo de 2016 comprovou que exercícios de alta intensidade trazem ganhos de força, resistência e também melhoram a função cognitiva em pessoas com dificuldades leves de memória.

Segundo Danila, a musculação traz mais benefícios para a independência e qualidade de vida do que para frear diretamente a evolução da doença.

Portanto, manter a funcionalidade física ajuda a preservar a autonomia e reduz o impacto do Alzheimer na vida dos pacientes e de suas famílias.

Como incluir a musculação na rotina e proteger o cérebro

Talita Cezareti, profissional de educação física, recomenda que o treinamento de força seja feito de duas a três vezes por semana, sempre com a orientação de um profissional para respeitar as limitações de cada pessoa.

Ela sugere combinar a musculação com exercícios aeróbicos e outras atividades para um cuidado completo do corpo e da mente no processo de envelhecimento.

A recomendação geral para adultos e idosos é praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividades físicas moderadas, incluindo musculação como parte consistente da rotina.

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