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quinta-feira, 06/08/2026

Ideb 2025 revela progresso devagar na educação e desafios na matemática

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Em Brasília

PAULO SALDAÑA E ISABELA PALHARES
FOLHAPRESS

O Ideb, índice que mede o desenvolvimento da educação básica, completou 18 anos em 2025 e mostra avanços lentos, recuperação das perdas causadas pela pandemia e dificuldades maiores na disciplina de matemática. Também indica sinais de que pode estar perdendo eficácia como principal indicador da qualidade da educação pública no Brasil.

Os dados divulgados em 5 de julho pelo Ministério da Educação (MEC) apontam melhorias nas três etapas avaliadas: anos iniciais, anos finais do ensino fundamental e ensino médio.

Comparado com 2023, tanto o Ideb quanto as notas das provas que o compõem apresentaram melhora. A tendência dos últimos anos continua: o progresso nos anos iniciais é mais forte e vai diminuindo nos anos finais do fundamental e no ensino médio.

Nos anos iniciais, avaliados com alunos do 5º ano, o Ideb da rede pública subiu de 5,7 em 2023 para 6,1 em 2025, numa escala que vai até 10. Foi a primeira vez que o indicador passou da nota 6, considerada a meta geral do sistema escolar desde sua criação em 2007, no governo do presidente Lula (PT).

Nos anos finais da rede pública, a nota cresceu de 4,7 para 5,0, e no ensino médio, passou de 4,1 para 4,3, considerando apenas as redes estaduais, que concentram a maioria dos estudantes nesta etapa.

Quando o Ideb foi criado, metas foram definidas para cada etapa da educação até 2021, mas até agora o MEC e o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) não estipularam novas metas para os próximos anos, mesmo com mudanças de governo.

Esta é a segunda vez que o Ideb é divulgado sem novas metas. Apesar do avanço, o índice de 2025 para os anos finais e ensino médio ainda está abaixo das metas de 2021.

Leonardo Barchini, ministro da Educação, avaliou que os dados mostram avanços importantes ao longo dos anos. Segundo ele, a educação no Brasil mudou bastante graças aos esforços do governo federal, dos estados, municípios e da sociedade.

O Ideb é calculado a cada dois anos com base nas notas dos alunos em português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), além das taxas de aprovação escolar. O objetivo inicial era medir o aprendizado dos estudantes e a capacidade das escolas de aprová-los.

No entanto, estudos indicam que algumas redes escolares têm facilitado a aprovação para melhorar os índices do Ideb, o que tem gerado críticas. Também é comum a preparação específica para o Saeb, decisão vista como controversa por especialistas.

Barchini disse que cada estado e município tem suas próprias estratégias para o fluxo escolar e que a melhora no rendimento geral dos alunos deve ser considerada.

Manuel Palácios, presidente do Inep, afirmou que não há sinais de manipulação nos dados e que mais estudantes estão concluindo os estudos.

O desempenho dos alunos nas provas, especialmente no ensino médio, ainda é um problema importante. Especialistas sugerem mudanças no cálculo do Ideb para reduzir distorções e melhorar a avaliação da qualidade da educação.

Em 2024, uma comissão foi formada pelo MEC para propor uma reformulação do Ideb, mas ainda não há decisão sobre a implementação das mudanças sugeridas.

Em 2025, a nota média em matemática no ensino médio foi 268,52, um aumento modesto desde 2005. Já em português, a média foi 273,32, um progresso maior.

O avanço no índice reflete o aprendizado acumulado, pois 12 pontos equivalem ao aprendizado de um ano escolar, e esta evolução foi mais significativa em português.

Recuperação Pós-Pandemia

Após quedas causadas pela pandemia em 2021, o Brasil conseguiu recuperar as médias nas provas em 2023 e 2025. A média de matemática caiu 6,24 pontos e a de português 2,48 em 2021, comparado a 2019.

Para os anos finais do ensino fundamental, as médias de matemática e português em 2025 foram 256,23 e 258,09, respectivamente, com ganhos relevantes desde 2005.

No entanto, a recuperação completa da perda causada pela pandemia ainda não ocorreu para os anos finais, embora os anos iniciais tenham apresentado melhorias mais consistentes.

Nas etapas iniciais da rede pública, as médias são de 227,41 em matemática e 215,09 em português, representando um avanço de cerca de 50 pontos desde 2025, o que compensa a queda registrada em 2021.

O período da pandemia trouxe retrocessos no aprendizado principalmente nas fases finais da educação básica e fechamento das escolas, mas as ações tomadas mostraram algum sucesso na recuperação.

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