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segunda-feira, 22/06/2026

Júri dos policiais envolve morte do delator do PCC em Guarulhos

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Na segunda-feira, 22, teve início o julgamento dos três policiais acusados de matar Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, um delator do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele foi assassinado com tiros de fuzil aos 38 anos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na grande São Paulo. Gritzbach estava colaborando com o Ministério Público de São Paulo em uma importante investigação contra o crime organizado.

O ataque também tirou a vida do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos, que foi baleado nas costas dentro do terminal.

Os três réus no processo são o soldado Ruan Silva Rodrigues, o cabo Denis Antônio Martins — ambos apontados como atiradores — e o tenente Fernando Genauro da Silva, acusado de levar os atiradores ao aeroporto. Eles estão presos no Presídio Militar Romão Gomes e são acusados de dois homicídios qualificados e duas tentativas de homicídio, já que outras duas pessoas ficaram feridas no atentado.

Se condenados, os policiais podem pegar pelo menos 51 anos de prisão, sendo 21 anos referentes à morte de Gritzbach. A defesa, representada pelo advogado Claudio Dalledone Júnior, nega que os policiais tenham ligação com o crime e promete provar isso no tribunal.

O Fórum Criminal de Guarulhos adotou esquema especial de segurança, suspendendo outras audiências para restringir o acesso durante o julgamento, devido à complexidade do caso.

O júri contará com sete jurados que votarão em 90 quesitos para analisar todos os detalhes do crime. A defesa baseia-se na tese da negativa de autoria. O julgamento deve durar até a sexta-feira, 26, com 21 testemunhas arroladas.

Entre as testemunhas estão policiais, peritos e a delegada Luciana Peixoto, que conduziu as investigações. As provas incluem dados dos celulares dos acusados, exames de DNA e uma tatuagem importante para identificar o primeiro suspeito preso, em janeiro.

Outros três suspeitos continuam foragidos, incluindo Kauê do Amaral Coelho, que teria sido um olheiro no aeroporto, e os supostos mandantes do assassinato: Emílio Carlos Gongorra Castilho, o Cigarreira, e Diego dos Santos Amaral, o Didi. As defesas deles não foram localizadas e não há data para seus julgamentos.

No final de 2023, 11 policiais militares foram condenados por fazerem escolta ilegal a Gritzbach. Na época do assassinato, o delator do PCC estava sendo protegido por esses policiais e seguranças particulares.

Funcionamento do julgamento

Os sete jurados terão o direito de recusar até três candidatos da pré-seleção sem justificativa. No fim, eles responderão 30 quesitos para cada réu. Denis Antônio Martins e Ruan Silva Rodrigues são acusados dos homicídios de Gritzbach e Novais, além das tentativas de homicídio contra Willian Souza Santos e Samara Lima de Oliveira, que sobreviveram ao ataque.

Imagens das câmeras de segurança mostram uma cena de terror com fugas e tiros no terminal 2 do aeroporto, um dos mais movimentados do país.

Fernando Genauro da Silva é acusado de ter levado os atiradores em um carro para o local do crime e ajudado na fuga. Ele está envolvido junto com os outros três foragidos que participaram da ação.

Motivação do crime

De acordo com a sentença assinada pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, Gritzbach era gestor financeiro para o PCC, usando laranjas para adquirir imóveis e investindo o dinheiro do tráfico em criptomoedas.

Os membros da facção começaram a desconfiar que ele estava desviando o dinheiro. Gritzbach teria ainda contratado um assassino para matar dois rivais do crime organizado em 2021. O assassino foi capturado e morto pela facção em 2022.

Gritzbach tentou se proteger, mas acabou na mira da facção. Ele escapou de duas tentativas de assassinato antes de ser morto em Guarulhos.

O acordo de delação de Gritzbach com o Ministério Público foi homologado em abril de 2024, no qual ele confirmou lavagem de dinheiro e revelou corrupção envolvendo policiais civis e detalhes da atuação do PCC. Por isso, a facção colocou uma recompensa de R$ 3 milhões por sua cabeça.

Escapadas de Gritzbach

Em janeiro de 2022, ele foi submetido a um tribunal do crime, mas convenceu os criminosos que poderia devolver o dinheiro desviado. Em dezembro de 2023, um tiro de sniper atingiu seu apartamento, mas ele sobreviveu. Na época, ele iniciava negociações para sua delação.

A facção envolvida inclui membros do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, que teriam participado do planejamento do ataque fatal.

Condenações prévias

Em dezembro de 2023, 11 policiais militares foram condenados por prestarem escolta ilegal a Gritzbach. Eles faziam a segurança do empresário no aeroporto no dia do assassinato, mas enfrentaram falhas que levantaram suspeitas.

Apesar disso, nunca foi comprovado envolvimento direto dos PMs no crime. Eles foram investigados pela Corregedoria por fazerem trabalho paralelo de segurança, proibido para policiais militares.

As penas para esses policiais variaram de 5 anos e 3 meses a 7 anos e 5 meses de prisão em regime semiaberto.

Estadão Conteúdo

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