FELIPE MENDES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Desde que chegou ao Brasil, a Keeta tem enfrentado desafios para crescer em um mercado onde aproximadamente 80% dos pedidos de entrega são feitos pelo iFood.
Como o iFood fechou contratos exclusivos com muitas redes de restaurantes no país, a Keeta está gastando milhões de reais para pagar as multas desses restaurantes e conseguir incluí-los em sua plataforma.
A empresa chinesa de delivery possui uma equipe dedicada a identificar esses casos. Nessas situações, o iFood paga a multa prevista nos contratos para continuar oferecendo o cardápio desses restaurantes, que antes estavam disponíveis apenas no seu aplicativo.
“Temos quase mil pessoas realizando um levantamento detalhado dos registros dos restaurantes”, diz à Folha Danilo Mansano, vice-presidente de parcerias estratégicas da Keeta.
“Muitos desses acordos foram assinados antes da chegada da Keeta ao Brasil e as multas podem variar de centenas de milhares até cerca de R$ 1 milhão”, afirma Mansano. “Com nosso contato direto com os donos dos restaurantes, sabemos que essas multas podem superar muito o valor de R$ 1 milhão”.
A Keeta precisou reduzir seu ritmo de expansão no Brasil por causa dessas dificuldades. Inicialmente, a empresa planejava operar em 16 capitais até o final de 2026, mas teve que ajustar esses planos por causa das exclusividades mantidas pelos restaurantes com o iFood e também contratos com a 99 que impedem que eles vendam pela Keeta.
Esse impacto foi maior no Rio de Janeiro, onde a Keeta atrasou seu lançamento previsto para o fim de fevereiro.
“No Rio já tínhamos mais de 17 mil estabelecimentos cadastrados, mais de 27 mil entregadores prontos e um orçamento acima de R$ 400 milhões que tivemos que segurar”, revela Mansano.
“Quando estávamos próximos de iniciar as operações no Rio, percebemos que as taxas de exclusividade e bloqueio eram ainda maiores que as de São Paulo”.
A Keeta não divulga quanto já gastou com esses pagamentos. A empresa afirma que não impede que outras concorrentes, como a 99, façam contratos com os restaurantes, mas que, caso o restaurante queira vender pela 99, a multa do iFood deve ser dividida.
“Incentivamos os restaurantes a trabalharem com várias plataformas, mas não achamos justo pagar 100% da multa para liberar o restaurante para a 99. Se ele quiser vender pela 99, pagamos metade da multa e o restaurante busca a outra metade”, explica Mansano.
Ele reforça que a Keeta não cria outras restrições.
“Depois que o restaurante deixa os acordos restritivos, ele fica totalmente livre para trabalhar com qualquer plataforma. A Keeta não impõe exclusividade nem bloqueios, porque acredita que os restaurantes devem ter liberdade para usar vários canais e crescer”, finaliza o executivo.
