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quarta-feira, 13/05/2026

Guerra aumenta inflação para 0,67% em abril

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Os efeitos da guerra no Oriente Médio influenciaram os preços de bens no Brasil durante o mês de abril, o que foi percebido na inflação oficial do país, medida pelo IPCA, segundo dados divulgados pelo IBGE. Houve crescimento nos preços dos combustíveis, alimentos, medicamentos, gás de botijão e energia elétrica.

O IPCA caiu de 0,88% em março para 0,67% em abril, mas este foi o maior índice para o mês desde 2022. A inflação acumulada nos últimos 12 meses subiu de 4,14% para 4,39%, ainda dentro do limite tolerado, mas afastando-se do ideal de 3%.

Especialistas indicam que o segundo trimestre pode manter os preços elevados, influenciados não só pelo aumento no preço do petróleo, mas também pelos efeitos climáticos do fenômeno El Niño, que devem afetar os alimentos.

Alguns bancos revisaram para cima suas previsões de inflação para o ano: o ABC Brasil espera 4,9%, enquanto o ASA aumentou sua previsão de 5% para 5,3%. O Itaú Unibanco vê maior risco de alta, e o Santander projeta que a inflação anual deve ultrapassar o teto da meta já a partir de maio.

Esses resultados indicam que o Banco Central deve manter a cautela na redução dos juros, continuando com pequenos cortes de 0,25 ponto percentual. Contudo, se a guerra e incertezas persistirem, o ciclo de cortes pode ser interrompido, conforme explicou o economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano.

Roberto Secemski, economista-chefe para o Brasil do Barclays, concorda que o Banco Central pode ser obrigado a pausar os cortes de juros ante a piora nos índices de inflação causada pelo conflito.

Em abril, o preço da gasolina subiu 1,86%, exercendo a maior pressão sobre a inflação, seguido pelo diesel, que avançou 4,46%, e o etanol, que aumentou 0,62%, enquanto o gás veicular caiu 1,24%. No geral, os combustíveis ficaram 1,80% mais caros no mês.

Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, destacou que o diesel tem impacto direto no transporte de mercadorias, o que também influencia os preços. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o preço da gasolina nas refinarias deve subir em breve.

Além dos combustíveis, os alimentos também ficaram mais caros, influenciados pelo aumento nos custos de transporte e pela oferta limitada de alguns produtos. Os preços dos alimentos para consumo doméstico subiram 1,64%, com altas significativas em itens como cenoura (26,63%), leite longa vida (13,66%), cebola (11,76%) e tomate (6,13%). Gonçalves comentou que muitos desses produtos enfrentam restrições de oferta.

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