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segunda-feira, 11/05/2026

Estudantes de Medicina param atendimentos no HC e Hospital Universitário após ação da PM na USP

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Em Brasília

ISABELA PALHARES
FOLHAPRESS

Após a intervenção da Polícia Militar que desocupou a reitoria da Universidade de São Paulo (USP) usando força, estudantes do curso de Medicina decidiram suspender os atendimentos médicos e as atividades práticas no Hospital das Clínicas (HC) e no Hospital Universitário (HU) nesta segunda-feira (11).

Os alunos estão defendendo as mesmas demandas dos demais estudantes, além de protestarem contra as condições precárias dos serviços de saúde da universidade. No mesmo dia, estudantes, funcionários técnico-administrativos e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também paralisam as atividades.

A reitoria da USP e o HC não responderam ao contato feito por email sobre a paralisação e o impacto nos atendimentos.

Gabriela Zanini, diretora do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz da Faculdade de Medicina, afirma: “Apoiamos e reivindicamos as mesmas pautas das outras áreas da universidade, como a melhoria e a não terceirização dos restaurantes universitários e o aumento do valor das bolsas de permanência. Além disso, temos demandas específicas da saúde”.

Os estudantes pedem a contratação de mais profissionais da área de saúde para trabalharem no HU, localizado no campus central da USP. Segundo eles, o hospital tem uma falta de cerca de 500 profissionais, entre enfermeiros, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e outros.

Também solicitam a reabertura dos leitos do hospital, que desde 2013 foram reduzidos quase pela metade. Em 2013, o hospital tinha em torno de 220 leitos; hoje, são apenas 130. “Nesse período, o número de cirurgias realizadas no HU caiu 60%. Essa situação é muito ruim, prejudicando nossa formação e, principalmente, o atendimento à comunidade.”

Os estudantes do HC também aderiram à paralisação porque querem o fim do programa Experiência HC, que cobra mensalidades superiores a R$ 8.000 para que alunos de faculdades particulares possam estagiar no hospital. O programa foi criado em 2024 com 600 vagas e atualmente oferece 2.000 vagas por ano.

Gabriela comenta: “Os alunos da USP estão tendo que competir por espaço para realizar atividades práticas com estudantes de outras faculdades, que não passam por nenhum processo seletivo. Essa superlotação prejudica os pacientes: antes, três alunos acompanhavam uma consulta e agora são até oito”.

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