22.5 C
Brasília
sexta-feira, 08/05/2026

Empresária suspeita de agredir empregada doméstica grávida no Maranhão

Brasília
céu limpo
22.5 ° C
23.9 °
22.5 °
64 %
4.1kmh
0 %
sex
26 °
sáb
28 °
dom
29 °
seg
29 °
ter
28 °

Em Brasília

FRANCISCO LIMA NETO
FOLHAPRESS

Uma empresária está sendo investigada por supostamente agredir e maltratar uma empregada doméstica de 19 anos, que está grávida, na região próxima a São Luís, no estado do Maranhão.

Carolina Sthela Ferreira dos Anjos acusava a empregada de roubar um anel. Ela enviou mensagens de áudio para grupos, onde detalhava as agressões cometidas. Essas gravações foram divulgadas pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.

As agressões aconteceram em Paço do Lumiar, no dia 17 de abril, mas só recentemente o caso ganhou destaque na mídia.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa, mas Carolina informou ao G1 Maranhão que dará sua versão no momento certo.

Ela disse: “Minha defesa já esteve na delegacia, pediu acesso ao processo e tomará as medidas necessárias para apresentar minha versão de forma responsável e legal.” Carolina também repudiou qualquer tipo de violência, especialmente contra mulheres, gestantes e pessoas vulneráveis.

No relato, a empresária contou que um homem armado ajudou na agressão.

A vítima, que não teve o nome divulgado, contou que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas e socos, e que foi jogada no chão.

Ela tentou proteger a barriga dos chutes, mas teve hematomas pelo corpo.

Carolina detalhou em mensagens de áudio as violências que cometeu.

“A menina ficou quase uma hora sofrendo tapas, socos e pisões nos dedos. Fizemos tudo isso junto com o outro homem,” disse nos áudios.

Ela relatou que o homem chegou a colocar uma arma na cabeça e na boca da empregada.

A suposta tortura durou cerca de uma hora. Mesmo após encontrarem o anel dentro de uma cesta de roupa suja, as agressões continuaram.

Nos áudios, Carolina confessou: “Quando o anel caiu da cesta, eu voltei a agir com violência, bati tanto que minha mão ainda está inchada.”

A jovem fez um boletim de ocorrência e passou por exames no Instituto Médico Legal que confirmaram as agressões.

Carolina falou que a Polícia Militar esteve em sua casa, mas não a levou para a delegacia porque um policial a conhecia.

“Tive sorte, disse a um policial o que aconteceu e ele não me conduziu, mesmo vendo os hematomas da vítima,” relatou com tom de deboche.

O delegado Walter Wanderley, responsável pela investigação, afirmou que os áudios estão anexados ao inquérito na 21ª delegacia do bairro Araçagy.

“Está comprovado que a vítima foi agredida. A confissão da suspeita em áudio é uma prova clara da autoria,” afirmou o delegado.

Felipe Serra, advogado da empregada, disse que ela trabalhava há apenas 15 dias na casa da empresária quando as agressões aconteceram. O advogado pretende abrir uma ação trabalhista e acompanhar o processo criminal.

A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão informou que o inquérito está avançado, que o caso está sob investigação e que não divulgará novas informações para não atrapalhar o processo.

A conduta dos policiais militares que atenderam a ocorrência está sendo averiguada internamente.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Maranhão pediu a prisão preventiva de Carolina. Segundo o órgão, ela responde a processos por furto, abuso de confiança e inadimplência.

Ela foi condenada em 2024 por calúnia, após acusar falsamente a ex-babá do filho de roubar uma pulseira. A pena foi de seis meses em regime aberto, substituída por prestação de serviço comunitário, além do pagamento de R$ 4.000 por danos morais.

O pedido de prisão preventiva foi entregue recentemente ao delegado responsável.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, afirmou em rede social que acompanha o caso de perto e garantirá total apoio à vítima.

“Estamos tomando todas as providências e em breve trarei novas informações. Este é um caso grave que não pode ficar sem punição,” declarou o governador.

Em nota, Carolina afirmou que sua família tem recebido ameaças e ataques.

“Peço que não haja julgamento antecipado e que a investigação siga os princípios legais. A verdade será esclarecida pelos meios legais, não por ameaças, ofensas ou exposição familiar,” finalizou.

Veja Também