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sexta-feira, 10/07/2026

Emendas de SP ultrapassam investimentos em educação e apoiam grupos ligados a políticos

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Bruno Ribeiro e Mariana Grasso
São Paulo, SP (FolhaPress)

A Associação Desportiva Facex, localizada em Guarulhos, recebeu um total de R$ 5,3 milhões em emendas parlamentares entre 2023 e 2025 e pode receber mais R$ 4,9 milhões este ano para desenvolver projetos esportivos, como eventos de ciclismo, aulas de pilates e ioga, entre outras atividades.

Três questões chamam atenção: 1) A fundadora da entidade é Alessandra da Silva Santos, ex-candidata pelo PRB (hoje Republicanos), cujas contas eleitorais foram rejeitadas em 2018; 2) A associação também teve suas contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU); 3) O deputado estadual Sebastião Santos, do Republicanos, é o autor da emenda que solicita novos recursos para a Facex.

Em 2018, segundo documentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alessandra usou o nome ‘Alessandra Facex’ na urna, associando-se à entidade.

Na análise de um dos eventos da Facex, a reportagem encontrou datas erradas e números incorretos, sugerindo que o texto poderia ter sido copiado de outro plano.

Por exemplo, o projeto ‘Pedalada do Bem’ tinha preços para squeezes plásticas cotados a R$ 42, enquanto no mercado o preço varia entre R$ 3 e R$ 7, podendo cair para R$ 1,50 em compras em lote para personalização.

A Facex explicou que houve um erro no plano de trabalho e que o produto era squeeze de alumínio, justificando o valor pela personalização, logística e tributos.

Os deputados estaduais de São Paulo indicaram cerca de R$ 6,1 bilhões em emendas parlamentares nesta legislatura, um valor maior que o total investido pelo governo Tarcísio de Freitas em educação e segurança pública (R$ 3,5 bilhões) entre 2023 e junho de 2026, sem incluir salários dessas áreas.

Foram analisadas 19.184 indicações pagas pelo governo estadual no período: R$ 3,1 bilhões foram para emendas discricionárias e R$ 3 bilhões para emendas obrigatórias.

As regras favorecem priorizar repasses à saúde, que recebeu R$ 4,2 bilhões. Parte desse dinheiro foi destinada a entidades com ligação política ou institucional com deputados, como a Facex, ligada a um integrante do mesmo partido do parlamentar que indicou os recursos.

Grupos do terceiro setor ligados a esportes, especialmente artes marciais, receberam R$ 129 milhões neste mandato, com apoio de deputados da centro-direita e bolsonaristas, que também investem no setor gospel. Já a esquerda foca em entidades comunitárias e culturais em áreas periféricas.

Em Barueri, na região metropolitana, 1.100 atletas participaram da Copa Open de Kung Fu organizada pela Confederação Brasileira de Artes Marciais Chinesas (CBAMC).

Doze deputados indicaram R$ 52,7 milhões para a CBAMC, dos quais R$ 44 milhões foram pagos. Apesar do evento apresentar o logotipo do Governo de São Paulo, os sites oficiais não detalham as despesas específicas do evento.

Edilson José de Moraes, presidente da CBAMC, reconhece que a instituição é base eleitoral para os políticos que indicam emendas, explicando que os patrocinadores são conhecidos pelos pais e atletas, o que ajuda nas campanhas.

A Confederação Brasileira de Karatê Interestilos (CBKI) recebeu R$ 26,9 milhões de 11 deputados e oferece treinamentos em vários horários em São Paulo.

Foi encontrada má gestão na entidade, como sobrepreço em produtos para eventos, explicado pela administradora Monica Fernandes Oliveira como variação inflacionária entre elaboração e convênio.

Monica destacou que as artes marciais atraem emendas por desenvolver disciplina, negando que o grupo procure apenas a direita, mencionando apoio até do ex-governador Geraldo Alckmin.

No campo da esquerda, a União de Núcleos e Associações de Moradores de Heliópolis (Unas) recebeu R$ 4,9 milhões em 26 indicações, todas do PT e PSOL, para cursos sobre direitos humanos.

A presidente, Antonia Cleide Alves, tem histórico de apoio nas redes sociais a partidos e participou de eventos ligados a pautas petistas.

Ela afirma que a Unas busca recursos tanto da direita quanto da esquerda, destacando que os projetos são focados em direitos humanos e temas alinhados com a esquerda.

O Instituto Paulo Kobayashi (IPK) recebeu R$ 38,3 milhões, principalmente da centro-direita, para eventos religiosos, incluindo shows gospel, conforme seu representante legal Victor Kobayashi.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) recomendou melhorias no portal de transparência do governo para detalhar as informações das emendas parlamentares.

O governo adotou um novo marco regulatório para corrigir falhas, exigindo planos de trabalho e contas específicas para as emendas a partir de 2026.

As santas casas, que recebem amplo volume de emendas, apresentam pouca transparência sobre o uso dos recursos.

A Santa Casa de Santos informou que disponibiliza informações sobre as emendas em seu site, enquanto a de Ourinhos não respondeu.

A Facex declarou que a trajetória política de sua ex-dirigente aconteceu após a fundação e que segue processos legais.

Sobre a rejeição das contas eleitorais de Alessandra da Silva Santos, afirmaram que a situação foi regularizada junto à União.

Alessandra não enviou respostas às tentativas de contato.

O deputado Sebastião Santos também não respondeu ao ser contactado, enquanto a Secretaria Estadual de Esportes informou que investiga internamente os procedimentos relacionados ao projeto da pedalada e implementa protocolo para reforçar fiscalização e transparência das parcerias.

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