O dólar começou a sexta-feira com uma pequena alta, enquanto investidores ficam atentos aos resultados das empresas e aos indicadores econômicos dos Estados Unidos. Estes dados reforçam a ideia de que o Federal Reserve (Fed) pode adotar uma política de juros menos rígida nos próximos meses.
Por volta das 10h, o dólar subia 0,15%, cotado a R$ 5,069.
Na mesma manhã, a B3 comunicou um atraso na abertura dos negócios. Segundo a bolsa, as operações de câmbio e outros mercados ficaram em leilão até que o problema fosse resolvido.
De acordo com a B3, devido a atrasos no envio de arquivos, a abertura das negociações dos contratos Mini Índice (WIN) e Mini Dólar (WDO) foi adiada, mantendo todos os ativos em leilão até a conclusão da disponibilização dos arquivos.
No dia anterior, o dólar caiu significativamente, fechando a R$ 5,061, enquanto o Ibovespa subiu 1,88%, alcançando 177.158 pontos.
A queda do dólar foi influenciada por dados econômicos menos positivos dos EUA, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,5% no segundo trimestre, abaixo do esperado, e um resultado mais moderado do índice de preços ao consumidor (PCE), que é a inflação preferida do Fed.
O índice acumulou alta de 3,7% nos últimos 12 meses até junho, acima da meta de 2%, mas apresentou uma deflação de 0,1% em comparação com maio.
Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, comenta que os dados reforçaram uma percepção de que o Fed pode manter ou até reduzir as taxas de juros antes do esperado, apesar das divergências internas do banco central.
Rebecca Nossig aponta que o governo japonês pode ter intervindo no mercado cambial, vendendo dólares para tentar conter a queda do iene, o que também enfraqueceu o dólar e beneficiou moedas de países emergentes.
Marcos Vinícius Oliveira, economista da ZIIN Investimentos, destaca que o desempenho da bolsa no dia anterior foi impulsionado por indicadores econômicos internos, como a deflação de 1,16% do IGP-M em julho e a taxa de desemprego estável em 5,4%, conforme esperado.
Além disso, a queda no preço do petróleo após tensões no Oriente Médio contribuiu para a valorização do real, com o barril de petróleo Brent caindo 1,75%, cotado a US$ 89.
Nos EUA, a Microsoft surpreendeu positivamente ao apresentar resultados melhores que o esperado, principalmente pela receita crescente com computação em nuvem e investimentos em inteligência artificial, alcançando US$ 90 bilhões no segundo trimestre, 18% a mais que no mesmo período do ano passado.
Por outro lado, a Meta pressionou o setor de tecnologia ao anunciar um aumento significativo nos gastos com inteligência artificial, o que afetou negativamente suas ações. Juliana Benvenuto, coordenadora da Avenue, explica que o mercado recompensa empresas que já mostram retorno em IA e pune aquelas que apenas investem sem resultados imediatos.
Na última quarta-feira, o Fed manteve a taxa de juros entre 3,5% e 3,75% pela quinta vez consecutiva. Kevin Warsh, presidente do Fed, reafirmou a meta de inflação de 2% e comentou sobre o desconforto com os preços ainda altos nos EUA, sem dar detalhes sobre possíveis futuras altas de juros, ressaltando que as decisões seguirão baseadas em dados econômicos.
Até o momento, o mercado ainda vê chances importantes de aumento dos juros em setembro, com 63,2% dos investidores esperando elevação para 3,75%-4%, segundo o FedWatch do CME Group.
No Brasil, os investidores aguardam a reunião do Copom nos dias 4 e 5 de agosto, quando será decidida a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
O IBGE revelou que o IPCA-15, uma prévia da inflação, diminuiu para 0,06% em julho, abaixo da previsão de 0,22%, e acumulou alta de 4,52% em 12 meses.
Rafael Rondinelli, economista da MAG Investimentos, comenta que esse resultado reforça a expectativa de corte na Selic na próxima reunião do Copom.
Se o corte acontecer, a atratividade da estratégia de “carry trade” deve cair, pois essa vantagem ocorre quando investidores aplicam dinheiro em países com juros mais altos, como o Brasil, financiando a partir de economias com juros baixos, como a americana ou japonesa.
