A dívida total do setor público no Brasil, que inclui o governo federal, estados e municípios, cresceu em junho, de acordo com o Banco Central. O valor da dívida passou de R$ 10,622 trilhões em maio para R$ 10,809 trilhões em junho, representando 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), um aumento em relação aos 81% do mês anterior.
Esse é o maior índice registrado desde abril de 2021, quando a dívida estava em 82,6% do PIB. O maior nível até hoje foi em dezembro de 2020, chegando a 87,6% do PIB devido aos gastos públicos para enfrentar a pandemia da covid-19. Para comparação, em dezembro de 2013, a dívida era de 51,5% do PIB.
A dívida bruta é usada por agências internacionais para avaliar a capacidade do país de pagar suas dívidas. Quanto maior a dívida, maior o risco de inadimplência. A dívida líquida, que considera as reservas internacionais, também cresceu, passando de 67,9% para 68,5% do PIB, totalizando R$ 9,034 trilhões.
Ministros da área econômica têm discutido medidas para controlar os gastos públicos, mas em ano eleitoral, o governo tem evitado tratar de temas que possam ser impopulares.
Além disso, o setor público consolidado apresentou um déficit primário de R$ 55,313 bilhões em junho, um pouco pior que o déficit de maio, que foi de R$ 56,131 bilhões. Esse foi o pior resultado para o mês desde junho de 2021, quando o déficit chegou a R$ 65,508 bilhões.
O governo central teve um déficit de R$ 47,236 bilhões, estados e municípios juntos um déficit de R$ 6,609 bilhões, e as empresas estatais uma perda de R$ 1,468 bilhão. Os estados isoladamente registraram déficit de R$ 8,189 bilhões, enquanto os municípios tiveram um superávit de R$ 1,581 bilhão.
Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil, destacou que o resultado negativo demonstra um quadro fiscal preocupante no Brasil. Ela comentou que o governo central e os governos regionais enfrentam dificuldades financeiras e que as empresas estatais também apresentam perdas, além da pressão constante da conta de juros.
Estadão Conteúdo
