HELENA SCHUSTER
PELOTAS, RS (FOLHAPRESS)
O preço do petróleo subiu em julho, registrando a maior alta mensal desde março, quando a guerra no Irã começou.
O barril de Brent, referência mundial, fechou na sexta-feira (31) valendo US$ 89,68, um aumento diário de 3,22% e um avanço mensal de 22,93%. Em março, o preço chegou a subir 42,68%.
Essa alta reverteu a queda de quase 20% ocorrida em junho e mostra a preocupação dos investidores com o impacto das tensões no Oriente Médio no fluxo global de petróleo. Em junho, o preço tinha voltado a níveis anteriores à guerra.
O contrato de setembro do petróleo WTI, referência nos EUA, fechou o dia com alta de 3,84%, cotado a US$ 86,80, acumulando um crescimento mensal de 20,34%, a maior alta desde março, quando o aumento mensal foi de 39%.
Julho foi marcado pelo fim de uma pausa instável nas hostilidades entre os EUA e o Irã. O grupo houthis, baseado no Iêmen, também entrou no conflito, aumentando os riscos para o transporte de petróleo no Mar Vermelho.
Forças da Arábia Saudita se uniram aos EUA para atacar grupos apoiados pelo Irã no Iraque, enquanto os estoques de petróleo nos EUA continuaram a cair.
Scott Shelton, especialista em energia da TP ICAP Group, afirmou que o mundo está consumindo o excedente de petróleo americano rapidamente, reduzindo fisicamente o estoque de barris dos EUA em um ritmo acelerado.
A guerra no Irã, que começou em 28 de fevereiro, diminuiu muito o tráfego pelo estreito de Hormuz, uma rota muito importante que antes transportava cerca de um quinto do petróleo e gás natural do mundo, causando a perda da produção de milhões de barris por dia no Oriente Médio.
Desde o início do conflito, o Irã bloqueou em grande parte o tráfego no estreito de Hormuz, enquanto seus aliados houthis ameaçam navios que passam pelo estreito de Bab el-Mandeb, prejudicando uma rota alternativa usada pela Arábia Saudita e outros produtores da região.
Na última sexta, dois grandes navios-tanque que transportavam petróleo do Golfo passaram pelo estreito, mas o tráfego geral segue baixo, segundo dados da empresa Kpler.
Na véspera, 29 navios de carga atravessaram o estreito de Bab el-Mandeb. Ole Hvalbye, analista da SEB Research, comentou que o mercado agora observa mais os dados do transporte marítimo que o conflito diretamente.
