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quarta-feira, 29/04/2026

Dólar se mantém estável após Trump estender trégua com Irã

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O dólar começou o dia quase estável nesta quarta-feira (22), após os Estados Unidos anunciarem a extensão da trégua com o Irã na terça-feira (21). Não foi definido um prazo para essa prorrogação, e agora os americanos esperam uma nova proposta dos iranianos para continuar as negociações.

Por volta das 9h25, o dólar subiu levemente 0,07%, cotado a R$ 4,9777. Na segunda-feira (20), a moeda americana caiu 0,19%, terminando em R$ 4,973, enquanto a Bolsa de Valores subiu 0,20%, alcançando 196.132 pontos.

O mercado foi influenciado pela alta nos preços do petróleo, que ajudou a valorizar o real em relação ao dólar e impulsionou as ações de empresas brasileiras do setor de energia.

O aumento do preço do petróleo aconteceu devido à incerteza sobre uma nova rodada de negociações entre EUA e Irã, e pelo fechamento do estreito de Hormuz, passagem por onde cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo circulam.

De acordo com a XP Investimentos, o aumento das tensões favorece o Brasil como exportador de petróleo, o que mantém o saldo comercial positivo, fortalece a moeda nacional e contribui para conter a inflação.

“Por outro lado, se os riscos políticos diminuírem e os preços do petróleo caírem, o ambiente de menor risco deve voltar, com dólar mais fraco e maior interesse por mercados emergentes”, explica a XP em seu relatório.

Na segunda-feira, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, subiu 5,03%, chegando a US$ 94,93 no contrato para junho, alcançando máxima de US$ 97,50, alta de 7,8% no dia.

As ações da Petrobras fecharam em alta: 1,83% para ações ordinárias e 1,73% para preferenciais. As ações da Brava subiram mais de 4%.

Bruno Cordeiro, analista de mercado da StoneX, destaca que as empresas do setor petrolífero tendem a se beneficiar desse cenário devido à expectativa de aumento na receita de exportação, especialmente porque países do Golfo Pérsico estão reduzindo a oferta.

Durante o fim de semana, o tráfego no estreito de Hormuz voltou a ser interrompido. Nas últimas 12 horas, o transporte pela região permaneceu parado, com apenas três navios passando, segundo dados da SynMax e da plataforma Kpler.

No sábado (18), a Guarda Revolucionária do Irã realizou ataques a embarcações no estreito de Hormuz, segundo agências internacionais. No domingo (19), os Estados Unidos também realizaram um ataque.

O presidente americano, Donald Trump, informou que fuzileiros navais atacaram uma embarcação que tentou violar o bloqueio americano aos portos iranianos no estreito. Ele também declarou que a tripulação iraniana não obedeceu às ordens de parada.

O comandante militar iraniano Khatam al-Anbiya respondeu através da mídia estatal, alertando que as forças armadas do Irã retaliarão esse ataque americano o mais breve possível.

Para Cordeiro, a crescente tensão aumenta a expectativa de suspensão prolongada dos fluxos de petróleo e derivados, além do previsto inicialmente.

Donald Trump também afirmou que representantes dos dois países devem se reunir para nova rodada de negociações no Paquistão nesta segunda-feira, antes do término da trégua na quarta-feira (22).

O vice-presidente americano J.D. Vance liderará a delegação dos EUA. Vance participou das conversas anteriores, que não resultaram em acordo.

Uma fonte iraniana importante informou à agência Reuters que o país avalia participar das negociações de paz, mas a decisão final ainda não foi tomada.

O cenário geopolítico tem sido a principal causa da queda do dólar frente ao real e da alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária aumentou o interesse global em ativos de risco e atraiu investidores para mercados emergentes.

No início do ano, esse movimento levou o dólar para R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a alcançar vários recordes. Porém, o fluxo foi interrompido com o conflito no Irã.

Com a prorrogação da trégua, o otimismo voltou, fazendo o dólar cair abaixo de R$ 5 pela primeira vez em 2024.

O Brasil se valoriza neste cenário por estar distante do conflito e pelo diferencial da taxa de juros em relação aos EUA.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, economistas esperam que a taxa básica de juros, a Selic, termine o ano em 13% ao ano, contra os atuais 14,75%.

Com a Selic em seu maior nível em quase 20 anos e as taxas americanas entre 3,5% e 3,75%, investidores internacionais aproveitam para aplicar recursos no Brasil na estratégia chamada de “carry trade”.

Nessa estratégia, captura-se dinheiro em países com juros baixos para investir em países com juros mais altos, como o Brasil.

Dados da B3 mostram que até 10 de abril o saldo de investimento estrangeiro foi de R$ 68 bilhões, ultrapassando o fluxo total de 2025.

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