FOLHAPRESS
O dólar está subindo hoje, com investidores aguardando as decisões sobre as taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
A decisão do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) será anunciada às 15h, horário de Brasília, seguida de uma entrevista coletiva com o presidente do banco, Jerome Powell, que será sua última entrevista no cargo.
Já o Copom (Comitê de Política Monetária do Brasil) divulgará a nova taxa Selic às 18h30, depois do fechamento do mercado.
Às 13h04, o dólar teve alta de 0,36%, cotado a R$ 4,999, enquanto a Bolsa caiu 1,41%, pressionada pela queda das ações da Vale. Investidores também estão preocupados com o conflito no Oriente Médio.
O mercado não espera surpresas nesta “superquarta”, dia em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA anunciarão suas decisões sobre juros. As discussões devem focar no impacto da guerra no Oriente Médio sobre a inflação.
Nos EUA, a expectativa é que a taxa de juros seja mantida entre 3,5% e 3,75% ao ano, mesma faixa desde dezembro.
O preço do petróleo subiu muito devido ao conflito, fazendo autoridades do Fed preocuparem-se com uma inflação maior nos próximos meses. Isso pode forçar a manutenção dos juros elevados por mais tempo ou até mesmo o aumento deles.
O preço do barril de petróleo voltou a passar de US$ 110, pressionado pelo bloqueio do Estreito de Hormuz, rota marítima essencial para o transporte de petróleo mundial. Antes do conflito, estava em cerca de US$ 70.
Esse aumento já impacta no bolso dos consumidores nos EUA, com a gasolina chegando a US$ 4 por galão. Espera-se que os próximos dados de inflação evidenciem esse efeito.
O mercado acredita que o Fed dificilmente irá reduzir os juros antes do meio do ano, mesmo com a provável troca na presidência do banco central norte-americano, com Kevin Warsh assumindo o cargo na próxima reunião, se aprovado pelo Congresso.
Warsh foi escolhido por Donald Trump, que busca juros mais baixos. Powell, nomeado por Trump no primeiro mandato, resistiu a essa pressão e baseou suas decisões nos dados econômicos.
Agora, Warsh terá de convencer seus colegas que o aumento da produtividade levará a uma inflação mais baixa, permitindo política monetária mais flexível.
Segundo Michael Feroli, economista-chefe do JPMorgan para os EUA, notícias recentes podem tornar o Fed um pouco mais rígido no combate à inflação, mas sem indicação de aumento de juros.
Juros mais altos nos Estados Unidos geralmente são negativos para os mercados globais, pois fazem os investimentos em renda fixa americanos mais atraentes e seguros, tirando recursos de investimentos mais arriscados.
No Brasil, o Copom deve reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano, conforme consenso do mercado.
Economistas ouvidos pela Folha de S. Paulo destacam que a inflação corrente, a piora nas expectativas e a alta do petróleo exigem cautela do Copom.
Isso deve levar a um ritmo mais lento de queda dos juros e a um ciclo de cortes menor do que o previsto antes da guerra.
Fernando Gonçalves, superintendente de Pesquisa Econômica do Itaú Unibanco, afirma que a piora nas expectativas de inflação até 2028 indica menos espaço para cortes de juros. O banco revisou a projeção da Selic para o final do ciclo de 12,25% para 13%.
Na terça-feira (28), o IBGE divulgou que a inflação medida pelo IPCA-15 foi de 0,89% em abril, impulsionada pela alta dos alimentos e combustíveis devido ao conflito, reforçando a necessidade de cautela do Copom.
Lucas Barbosa, economista da AZ Quest, comenta que o dado sugere que os cortes de juros devam continuar de forma gradual, com reduções de 0,25 ponto percentual durante 2026, devido à pressão nos preços de serviços e núcleos da inflação.
