O dólar terminou o dia em pequena queda, acompanhando o movimento dos mercados internacionais. Na manhã desta terça-feira (9), a moeda americana chegou a ser cotada a R$ 5,19, atingindo seu maior valor intradiário desde o final de março, logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que o país responderia a um ataque iraniano que derrubou um helicóptero americano.
Com o passar das horas, sem confirmação de retaliações por parte dos EUA, o mercado se acalmou, ajudado também pela fraqueza do dólar contra outras moedas fortes.
O dólar encerrou sendo negociado a R$ 5,1775, apresentando uma baixa de 0,05%. Durante o dia, o valor da moeda oscilou, atingindo mínima de R$ 5,1508 e máxima de R$ 5,1935. No mercado futuro, o dólar para julho caía 0,36%, sendo cotado a R$ 5,2050, enquanto o índice DXY, que mede a força da moeda americana em relação a seis moedas principais, recuava 0,08%.
Rodrigo Franchini, especialista em investimentos da Monte Bravo, comentou que as notícias sobre o conflito no Oriente Médio têm aumentado a volatilidade do mercado e que os discursos de Donald Trump costumam variar entre ser contundentes ou amenos, criando um cenário de incerteza para os investidores.
Ao longo do dia, o cenário variou: pela manhã, Trump afirmou que um acordo com o Irã poderia ocorrer em poucos dias, mas depois anunciou retaliação ao ataque iraniano. Essa instabilidade fez com que o dólar apresentasse oscilações, mas a tendência foi de estabilidade com leve queda.
O comportamento da moeda reflete também o acúmulo de alta que o dólar teve no mês de junho, com aumento superior a 2,6% até o momento.
Rafael Passos, analista da Ajax Asset, explicou que o retorno do dólar para queda está ligado à recuperação do real e à redução dos rendimentos dos títulos americanos e da força do índice DXY, que favorecem moedas de mercados emergentes.
O mercado de petróleo também acompanha com cautela as negociações entre EUA e Irã, fechando o contrato futuro do Brent para agosto em queda de 2,97%, cotado a US$ 91,45 o barril. O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, destacou que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz está aumentando significativamente, mesmo com o conflito em curso.
Bolsa de Valores
Após bater o menor nível desde o fim de janeiro na segunda-feira, o Ibovespa subiu 0,68% na terça-feira, fechando aos 169.813,15 pontos, com movimentação financeira de R$ 25,194 bilhões. A melhora ocorreu após sinalizações do presidente americano sobre a possibilidade de um acordo de paz com o Irã, que reduziram as expectativas de altas aceleradas nos juros.
Rafael Ragazi, responsável pelo setor de pesquisa da Nord, ressaltou que a principal preocupação dos investidores em relação ao conflito é o impacto na inflação e, consequentemente, na trajetória da taxa Selic. Há uma relação direta entre o desempenho da bolsa e as expectativas de cortes nos juros.
As taxas futuras de juros subiram na segunda-feira, com expectativa minoritária para retomada das altas da Selic, mas caíram nesta terça-feira acompanhando a queda do petróleo. Mesmo assim, o mercado se mantém cauteloso.
Juros
Matheus Spiess, estrategista da Empiricus, prevê que o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na próxima reunião, mas avalia que a taxa pode ser mantida.
Ele destacou que o cenário inflacionário ruim, junto com uma atividade econômica ainda resiliente e situação fiscal complicada, dificulta cortes na taxa. Além disso, fatores como resultados corporativos são considerados para as decisões. Portanto, uma retomada positiva do ciclo monetário pode ser adiada.
Thiago Calestine, economista e sócio da Dom Investimentos, comentou que o desempenho do Ibovespa depende principalmente da trajetória dos juros domésticos e internacionais. Contudo, acredita que há espaço para uma recuperação da bolsa no curto prazo caso os dados de inflação sejam menos negativos que o esperado.
Ele acrescentou que o preço atual do Ibovespa já reflete o pior cenário possível para os juros, e uma melhora pode elevar o índice, mesmo que a inflação continue em alta.

