FOLHAPRESS
O dólar terminou a segunda-feira (27) em queda de 0,32%, cotado a R$ 4,982. Investidores estão atentos às decisões de juros que vão sair tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos nesta quarta-feira, além da guerra no Irã.
No Brasil, a queda foi maior do que a observada no mercado externo. O índice DXY, que compara o dólar com uma cesta de seis moedas fortes, ficou praticamente estável, com leve baixa de 0,05%, aos 98,48 pontos.
A Bolsa também fechou em queda, de 0,61%, ficando em 189.578 pontos.
As reuniões de política monetária são o foco dessa semana, chamada de “superquarta”, que deve ter como principal tema o impacto econômico da guerra no Oriente Médio, especialmente na inflação.
Espera-se que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, mantendo a taxa em 14,5% ao ano. Isso acontece mesmo com a previsão de alta no IPCA (índice oficial de inflação).
Segundo especialistas, a taxa de juros atual possui uma margem extra para conter o aumento dos preços causado pelo conflito no Irã, mantendo-a ainda em nível elevado.
Nilton David, diretor de política monetária do BC, afirmou que a taxa de juros tem hoje mais espaço do que há seis meses e ressaltou a importância de não baixar a guarda diante do choque de preços gerado pelo conflito. Ele ressaltou também que os cortes na Selic são ajustes finos e não uma flexibilização.
Segundo Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, a decisão desta semana será fundamental para definir o ritmo dos cortes da Selic, diante do cenário ainda de juros altos que pesam sobre o consumo e a bolsa.
O Boletim Focus indica que a Selic deve terminar 2026 em 13% ao ano.
Nos EUA, o mercado espera que o Fed mantenha as taxas de juros entre 3,5% e 3,75%. Esta pode ser a última reunião com Jerome Powell como presidente do Fed, pois Kevin Warsh pode assumir no encontro de junho.
A reunião e a entrevista coletiva de Powell podem sinalizar se haverá aumento dos juros ainda este ano em caso de aceleração da inflação. A permanência de Powell no Fed também será discutida.
Nancy Vanden Houten, economista da Oxford Economics, destaca que a atenção estará voltada para sinais sobre os futuros movimentos de política monetária do Fed.
Na arena geopolítica, a situação permanece incerta. Novas negociações entre EUA e Irã, esperadas para sábado (25), não aconteceram.
Apesar de o chanceler iraniano Abbas Araghchi ter se reunido com autoridades do Paquistão, o presidente Donald Trump cancelou a viagem dos enviados americanos para Islamabad, causando um revés nas negociações e frustrando os mercados globais que aguardam o fim do conflito no Oriente Médio, iniciado há dois meses.
Trump comentou nas redes sociais sobre a desordem na liderança iraniana e afirmou que os EUA têm todas as cartas na mão para negociações.
Os negociadores americanos são Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump e responsável pelos interesses empresariais do presidente mesmo sem cargo oficial.
Araghchi declarou ter apresentado a visão do Irã para uma solução permanente do conflito, questionando se os EUA estão levando a diplomacia a sério.
Enquanto não há acordo, a passagem pelo estreito de Hormuz, rota importante que responde por 20% da produção mundial de petróleo e gás, segue bloqueada, reduzindo o tráfego marítimo em 95% desde o começo da guerra, em 28 de fevereiro.
Essa situação diplomática tem elevado os preços do petróleo. O Brent, referência global, subiu mais de 3%, cotado a US$ 109.
Como exportador de petróleo, o Brasil é beneficiado por essa alta, tanto pelo fluxo de investimentos estrangeiros como pela balança comercial.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, diz que o preço do petróleo acima de US$ 100 melhora os termos de troca do Brasil e pode aumentar o superávit comercial, trazendo mais dólares para o mercado local.
Ele destaca que, apesar das dificuldades nas negociações, o mercado não espera uma escalada maior no conflito, o que diminui a procura por ativos de proteção como o dólar e o ouro. A taxa de juros ainda alta também atrai investimentos para o país, fortalecendo o real.
