FOLHAPRESS
O dólar está caindo nesta segunda-feira (27), pois os investidores aguardam as decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, que serão anunciadas nesta quarta-feira.
A guerra no Irã continua sendo motivo de preocupação, sem previsão para acabar.
Às 11h57, o dólar caiu 0,47%, sendo cotado a R$ 4,974, chegando a atingir R$ 4,964 no menor valor do dia. Essa movimentação segue a tendência internacional, com o índice DXY, que compara o dólar com outras seis moedas fortes, caindo 0,17%, para 98,36 pontos.
A Bolsa também teve queda de 0,31%, alcançando 190.140 pontos.
As reuniões para decidir as políticas de juros são o principal foco desta semana, especialmente a data conhecida como ‘superquarta’. Nessa reunião, será discutido como a guerra no Oriente Médio pode afetar a economia, sobretudo a inflação.
No Brasil, espera-se que o Copom (Comitê de Política Monetária) continue com os cortes nos juros, reduzindo a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano.
Essa decisão ocorre mesmo com a previsão de aumento no IPCA (índice que mede a inflação oficial). Os dirigentes do Copom afirmam que a taxa Selic tem uma ‘reserva de segurança’ para conter o aumento dos preços causado pela guerra no Irã e ainda manter os juros em um nível restritivo.
Nilton David, diretor de política monetária do Banco Central, disse que ‘o nível dos juros hoje é mais alto do que era seis meses atrás’ e alertou para os efeitos posteriores da guerra, que podem causar choques nos preços.
Ele reforçou que o Banco Central não pode ‘abaixar a guarda’ e que os cortes na Selic fazem parte de uma ‘calibração’ e não um ‘afrouxamento’, pois o objetivo é manter os juros em patamares que limitem o consumo.
Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, destacou que a decisão desta semana será crucial para entender o ritmo dos cortes da Selic, já que o ambiente econômico ainda é influenciado por juros altos, afetando o consumo e as ações na Bolsa.
Segundo o Boletim Focus, a previsão é que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano. Nos Estados Unidos, espera-se que o Fed mantenha as taxas de juros atuais, entre 3,5% e 3,75%. Essa reunião da ‘superquarta’ pode ser a última presidida por Jerome Powell.
O fim do mandato de Powell, previsto para 15 de maio, parece mais certo após a eliminação de um grande entrave para a aprovação de seu sucessor indicado, Kevin Warsh, no Senado.
Mesmo com a possível confirmação de Warsh, Powell pode continuar no Fed durante algum tempo, questão que será discutida na quarta-feira.
Nancy Vanden Houten, economista da Oxford Economics, afirmou que a atenção estará voltada para qualquer indicação sobre futuros movimentos do Fed em relação a política monetária, já que não se espera alteração nas taxas nessa reunião.
No cenário internacional, as negociações entre EUA e Irã, previstas para sábado (25), não aconteceram.
Embora o chanceler iraniano Abbas Araghchi tenha se encontrado com autoridades do Paquistão, o presidente Donald Trump cancelou a viagem dos enviados norte-americanos para Islamabad, capital do Paquistão.
Essa decisão de Trump representa um retrocesso nas negociações e desaponta os mercados globais, que esperavam a resolução do conflito no Oriente Médio, que já dura dois meses.
Trump escreveu em rede social que muito tempo foi perdido em viagens e que há muita confusão na liderança do Irã. Ele afirmou que os EUA têm todas as cartas na mão e que, se o Irã quiser negociar, basta ligar.
Os negociadores dos EUA são Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente, que atua nos interesses empresariais de Trump mesmo sem cargo oficial.
Após o anúncio de Trump, o chanceler iraniano declarou ter apresentado uma proposta para encerrar a guerra, mas questionou se os EUA realmente levam a diplomacia a sério.
Enquanto não há acordo, o estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, continua bloqueado. O tráfego marítimo na região caiu 95% desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
Esse impasse está elevando o preço do petróleo no mercado internacional. O Brent, referência global, chegou a subir 3,08%, atingindo US$ 102,18, antes de se estabilizar em US$ 101 pela manhã.
Como exportador de petróleo, o Brasil se beneficia com essa alta, tanto pela entrada de recursos estrangeiros quanto pela melhora na balança comercial.
Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explica que o petróleo acima de US$ 100 melhora os termos de troca do Brasil e aumenta a previsão de superávit comercial, trazendo mais dólares ao mercado local.
Ele acrescenta que, apesar dos impasses nas negociações, o mercado não espera uma escalada maior no conflito, o que diminui a procura por ativos de proteção, como o dólar e o ouro. Além disso, os juros ainda elevados no Brasil continuam atraindo investimentos, o que fortalece o real.
