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terça-feira, 16/06/2026

Dólar cai e Bolsa sobe com fim da guerra entre EUA e Irã

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O dólar teve uma queda nesta segunda-feira (15), após o anúncio do acordo entre os Estados Unidos e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. Os dois países confirmaram que concordaram com o acordo e que a assinatura acontecerá já nesta sexta-feira (19).

Um dos principais pontos do acordo é a reabertura do estreito de Hormuz, uma passagem vital por onde circula 20% do petróleo e gás do mundo, que estava bloqueada desde 28 de fevereiro, quando começaram os conflitos. Com isso, o preço do petróleo caiu significativamente.

Às 12h30, o dólar caiu 0,26%, cotado a R$ 5,045. Já a Bolsa de Valores subiu 0,77%, alcançando 172.460 pontos, acompanhando a tendência de outras bolsas globais.

O acordo foi firmado após mais de três meses de conflito e intensas negociações diplomáticas feitas por mediadores da região. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia anunciado no sábado (13) que a assinatura ocorreria em 24 horas, mas a notícia foi recebida com ceticismo devido a informações conflitantes anteriores.

Donald Trump publicou em sua rede social Truth Social: “O acordo com a República Islâmica do Irã está concluído”. Do lado iraniano, o governo declarou que finalizou um memorando após meses de negociações difíceis.

Embora os detalhes oficiais ainda não tenham sido divulgados, autoridades afirmaram que o acordo prevê o fim do conflito, o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA e a reabertura do estreito de Hormuz.

Este estreito é uma região crucial para o comércio mundial, separando o Irã da Península Arábica. Seu bloqueio causou uma crise em vários mercados, afetando o preço de combustíveis, alimentos, fertilizantes e transporte marítimo, o que impactou a inflação global.

Com o acordo, investidores esperam que os ciclos de juros altos durem mais tempo em grandes economias, especialmente nos EUA.

Essa perspectiva de juros elevados é ruim para investimentos de maior risco no mundo todo. Como a economia dos EUA é a maior do mundo, os títulos do Tesouro norte-americano, conhecidos como “treasuries”, são considerados investimentos quase sem risco.

Quando as taxas de juros nos EUA sobem, investidores tendem a tirar dinheiro de ativos mais arriscados, como os de mercados emergentes, para investir nos títulos do Tesouro, que oferecem retorno considerado seguro.

A expectativa de estabilização no fornecimento de energia impactou rapidamente os mercados: os contratos futuros de petróleo Brent caíram cerca de 4%, enquanto o petróleo WTI dos EUA caiu 4,6%. Pela manhã, o barril de Brent estava cotado a US$ 82, um valor mais baixo desde o início do conflito em fevereiro, e o WTI a cerca de US$ 80.

Bruno Cordeiro, especialista em mercado da Stonex, ressaltou que os preços do petróleo continuam acima dos níveis pré-conflito, pois os estoques globais permanecem baixos e a produção na região do Golfo Pérsico deve aumentar gradualmente, devido a limitações técnicas da OPEP.

As bolsas ao redor do mundo registraram fortes avanços. Em Wall Street, os índices S&P 500, Nasdaq Composite e Dow Jones subiram 1,6%, 2,56% e 1,12%, respectivamente. Na Europa, o DAX da Alemanha subiu 1,43% e o CAC da França avançou 1%, enquanto o FTSE 100 da Inglaterra caiu 0,3%.

Na Ásia, o índice Nikkei do Japão subiu 5%, atingindo uma máxima histórica, e o sul-coreano Kospi subiu 5,2%.

Investidores ainda permanecem cautelosos com a posição de Israel em relação ao Hezbollah, grupo extremista do Líbano. Apesar do acordo de paz, o governo israelense declarou que suas tropas continuarão no sul do Líbano por tempo indeterminado. Essa decisão foi criticada por membros do governo de Binyamin Netanyahu e pela oposição, que acreditam que o acordo não assegura a segurança de Israel.

O Líbano entrou no conflito quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã. Israel respondeu com uma ofensiva que levou à ocupação do sul do Líbano e ao deslocamento de cerca de um milhão de pessoas.

O Irã, por sua vez, declarou que o acordo assegura o fim da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o respeito à soberania e ao território iraniano, conforme afirmou o ministro das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei.

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