O dólar, após subir por dois dias seguidos e atingir R$ 5,22, caiu para R$ 5,17 nesta quinta-feira, 25. Essa queda ocorreu devido à inflação nos EUA estar dentro do esperado, o que ajudou a ajustar o mercado local.
No Brasil, o IPCA-15 de junho veio abaixo das expectativas, e o Banco Central indicou que pode cortar a taxa Selic novamente. Isso ajudou a influenciar a taxa de câmbio, que teve uma leve queda fechando em R$ 5,1782, embora ainda esteja um pouco alta na semana.
Nos EUA, o índice de preços PCE, uma medida preferida pelo Federal Reserve, mostrou que a inflação está um pouco acima da meta de 2%, mas em um ritmo que permite algum alívio. O PIB do primeiro trimestre cresceu 2,1%, também ultrapassando previsões.
Andres Abadia, economista-chefe para América Latina da Pantheon Macroeconomics, destaca que o dólar forte afeta moedas emergentes, incluindo o real, especialmente devido a preocupações com a política econômica no Brasil. Ele também diz que a política futura do Fed e os preços das commodities serão importantes para a taxa de câmbio, além das decisões internas do Brasil sobre juros e política fiscal.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, comentou que o comunicado recente do Copom trouxe ruído, mas o BC ainda mantém a porta aberta para cortes na Selic, dependendo dos dados futuros.
Mercado de ações
O índice Ibovespa fechou em alta, com ganhos superiores a 2% na semana, impulsionado pelos bons resultados do IPCA-15 e pela expectativa de corte de juros. Setores como mineração e bancos mostraram movimentos positivos, com destaque para a Vale e o Itaú.
Apesar de uma alta inicial, o Ibovespa recuou um pouco à tarde por conta do aumento do preço do petróleo e ajustes técnicos. O volume financeiro da bolsa totalizou R$ 22,04 bilhões.
Nicolas Gass, estrategista e sócio da GT Capital, observa que o Banco Central não sinalizou fim dos cortes de juros, o que ajudou a elevar o mercado acionário.
Juros e expectativas
Os juros futuros fecharam mistos, com queda nas taxas curtas e alta nas longas, influenciados pelo IPCA-15 e pelo relatório do Banco Central, mas foram pressionados pela alta do petróleo. O mercado encara a possibilidade de cortes na Selic em agosto, com maioria das instituições esperando uma redução de 0,25 ponto percentual.
Gabriel Galípolo explicou que o Banco Central estuda diferentes opções para a política de juros, incluindo pausas e possíveis retomadas dos cortes, a chamada estratégia “stop-and-go”.
Eduardo Amorim, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, alerta para o cenário externo ainda desafiador, com juros altos nos EUA que limitam a queda dos juros no Brasil.
Em resumo, o dólar recuou após alta inicial devido a dados de inflação controlada nos EUA, e o Banco Central brasileiro sinaliza possibilidade de manter o ciclo de cortes na taxa básica de juros, enquanto o mercado brasileiro reage positivamente, mas com cautela diante dos fatores internacionais.
