ANDRÉ FLEURY MORAES E TULIO KRUSE
FOLHAPRESS
A Polícia Civil de São Paulo investiga a suspeita de que um ex-presidente da Transunião, que estava envolvido no caso que levou à prisão do vereador Senival Moura (PT) nesta quarta-feira (25), tenha sido assassinado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em 2020, após descobrirem desvios financeiros na empresa.
Segundo as investigações, o vereador Senival Moura seria o principal beneficiário dos recursos desviados. Ele não foi morto porque teria prometido devolver o dinheiro desviado, conforme informaram as autoridades responsáveis pelo caso.
A assessoria do vereador afirmou que prepara uma declaração sobre o assunto, mas não revelou quem está cuidando da defesa dele.
O homicídio ocorreu em 2020 e a vítima, Adauto Soares Jorge, que presidia a Transunião na época, estava sob influência de interesses paralelos ligados a indivíduos que, embora não fossem sócios da empresa, controlavam suas atividades.
O vereador Senival e seu aliado dentro da empresa, Leonel Moreira Martins, que também é alvo da operação, seriam esses interesses paralelos.
Havia tensões entre membros do PCC relacionados à atuação do vereador dentro da Transunião. Em busca e apreensão anterior, a polícia encontrou cartas que revelam conflitos internos, mencionando que estavam retirando pessoas de má conduta da empresa, incluindo Leonel.
Os documentos citam que o vereador Senival usava codinomes como “cabeça branca”, “véio”, “velhinho” e “vereador” nos relatos das autoridades.
Outra carta indicava que Leonel obedecia ao vereador Senival e participava dos desvios ocorridos na empresa.
A polícia estima um desvio de até 15 milhões de reais da Transunião, mas ainda não tem provas de que Senival e Leonel foram completamente afastados da gestão da empresa.
Já respondem pelo assassinato de Adauto dois homens: Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão e diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, apelidado de Sapo, que é homem de confiança do vereador.
O advogado de Devanil informou que ele sempre colaborou e que considera injustificada sua prisão temporária.
A investigação aponta que o homicídio está ligado à gestão irregular dos recursos financeiros, onde Adauto Jorge desviava dinheiro em benefício do vereador Senival.
Segundo o delegado Ronaldo Sayeg, diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), o vereador foi perdoado pelo PCC mediante a devolução dos valores desviados, embora não haja confirmação do valor exato ou comprovação do pagamento.
A polícia diz que o vereador usou a Transunião para criar um sistema financeiro oculto para beneficiar indivíduos ligados ao PCC, e vê relações com outra operação que prendeu recentemente a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, suspeita de lavagem de dinheiro para o grupo criminoso. Ela nega as acusações.
