O dólar abriu a semana com baixa e fechou na segunda-feira, 27, abaixo de R$ 5,00 pela segunda vez seguida. O aumento no preço do petróleo, causado pelo impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, ajudou o real a se valorizar, mesmo com o mercado externo mais cauteloso e o Ibovespa em queda.
Especialistas acreditam que na reunião do dia 29, o real deve continuar forte devido à diferença entre os juros no Brasil e no exterior. O Federal Reserve, banco central dos EUA, deve manter os juros estáveis, enquanto o Banco Central do Brasil pode reduzir a taxa Selic para 14,50% ao ano.
O dólar caiu 0,32% na segunda, ficando em R$ 4,9821, com mínima de R$ 4,9642 durante o dia.
Em abril, o dólar caiu 3,79% frente ao real e acumula queda de 9,23% no ano, mostrando a boa performance da moeda brasileira entre as moedas mais negociadas.
Adauto Lima, economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, destaca que nada mudou no cenário favorável para o real, que é influenciado pela alta do petróleo e pelo diferencial de juros.
Ele explica que, embora o preço do petróleo possa variar quando a guerra acabar, o choque nos preços de energia gera impacto global na inflação, o que deve levar a políticas monetárias mais rigorosas, beneficiando o real.
O índice DXY, que compara o dólar a outras moedas, teve queda leve, enquanto algumas moedas como a coroa norueguesa subiram devido ao petróleo.
O preço do petróleo subiu após o fracasso nas conversas de paz entre EUA e Irã no Paquistão, elevando o barril Brent para US$ 101,69. O Goldman Sachs também aumentou a previsão do preço do petróleo para o último trimestre do ano.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o programa de renegociação de dívidas chamado informalmente de Desenrola 2.0 será apresentado ao presidente Lula, incluindo descontos de até 90% e possibilidade de usar o FGTS para pagar dívidas.
Adauto Lima reforça que o mercado está focado no cenário externo e os fatores internos têm pouco impacto no câmbio no momento.
O Banco Central vendeu contratos de swap cambial para rolar dívidas sem pressionar o mercado de câmbio, indicando fraca demanda por proteção cambial.
Bolsa
O Ibovespa terminou o dia abaixo dos 190 mil pontos, chegando a 189.578,79, em queda de 0,61%, marcada por cautela dos investidores antes das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA.
As tensões entre EUA e Irã continuam afetando o preço do petróleo e a volatilidade nos mercados financeiros brasileiros, como os títulos públicos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os EUA não atingiram seus objetivos nas negociações e o governo iraniano ainda avalia a proposta de paz.
Especialistas consideram esta semana como crítica para os mercados, com várias reuniões de bancos centrais e divulgação de dados sobre inflação nos EUA e na Europa.
No Brasil, o setor de petróleo com a Petrobras se valorizou, enquanto setores como imobiliário e financeiro registraram perdas.
Juros
Os juros futuros brasileiros subiram na abertura da semana, impulsionados pela alta do petróleo e aumento dos rendimentos dos títulos americanos.
O IPCA-15, prévia da inflação, deve ser divulgado na terça, e a expectativa é que o impacto da guerra no preço dos alimentos possa influenciar os números.
O DI para janeiro de 2027 fechou em 14,135%, para 2029 em 13,615%, e para 2031 em 13,635%, refletindo a cautela do mercado.
Luis Otávio de Souza Leal, economista-chefe da G5 Partners, avalia que a guerra no Oriente Médio deve manter os preços do petróleo altos, entre US$ 80 e US$ 90 até o fim do ano, o que pressiona a inflação.
Ele também destaca que o Irã ganhou influência e pode fechar o Estreito de Ormuz, aumentando o risco para o transporte de petróleo e elevando os preços.
O relatório Focus indicou que as estimativas para o IPCA em 2026 subiram, indicando uma piora nas expectativas inflacionárias, o que deve influenciar a atuação do Banco Central.
A XP Investimentos espera que o Copom adote um tom mais firme na decisão da quarta-feira, com um possível corte de 0,25 ponto na Selic.
A equipe econômica liderada por Caio Megale destaca que o choque nos preços da energia está elevando as projeções de inflação de médio prazo, o que preocupa o Banco Central.
O IPCA-15 deve mostrar alta na inflação de abril, e operadores de mercado estão cautelosos, aguardando os dados para avaliar o cenário futuro.
O texto acima é uma versão simplificada e reescrita da notícia original, mantendo as informações principais de forma clara e acessível.
