A influenciadora Deolane Bezerra foi levada para uma prisão no interior de São Paulo na manhã desta sexta-feira (23), após sua prisão ser confirmada na quinta-feira (21) por suspeita de envolvimento em lavagem de dinheiro para o PCC.
Deolane foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada a cerca de 671 km da Penitenciária Feminina de Santana, onde passou a noite anterior. A unidade prisional para a qual foi enviada encontra-se superlotada, com 872 detentas em uma estrutura para 714.
A penitenciária está próxima à fronteira de São Paulo com Mato Grosso do Sul, e a expectativa é que o delegado encarregado da investigação ouça Deolane após avaliação do material apreendido.
Na audiência de custódia, a prisão foi mantida, e a defesa da influenciadora, representada por sua irmã Daniele Bezerra e cinco advogados, declarou que a medida foi exagerada e que Deolane é inocente.
Entenda o caso
Deolane é investigada por suposto papel em operação de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), chamada Vérnix, realizada pela Polícia Civil de São Paulo junto ao Ministério Público. Além dela, familiares de Marcos Herbas Camacho, conhecido como Marcola, também foram alvo de mandados de prisão.
A investigação começou a partir de bilhetes e manuscritos achados há sete anos em um presídio estadual, que revelaram a estrutura financeira da facção e seus operadores.
Esses documentos descrevem ordens internas do grupo criminoso e contatos com seus líderes, incluindo informações sobre planos violentos contra autoridades. Um desses bilhetes indicava a existência de uma transportadora ligada ao esquema.
A partir disso, a polícia investigou a Lopes Lemos Transportes Ltda., identificando a sócia Elidiane Saldanha Lopes Lemos, e concluiu que a empresa era uma fachada criada pelo grupo para lavar dinheiro.
Embora o nome de Deolane não constasse diretamente nos bilhetes, as investigações revelaram que ela recebeu grandes quantias de dinheiro da transportadora, considerado pelos investigadores como parte de um esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado.
O dinheiro era depositado em sua conta e depois misturado a outros valores para ser movimentado sem levantar suspeitas.
Fontes policiais indicam que Deolane se surpreendeu com a conexão entre os mandados e a transportadora, e a ausência de contratos formais reforça a suspeita de envolvimento consciente no esquema.
Daniele Bezerra, irmã de Deolane, afirmou que a prisão baseia-se apenas em suposições e que tentam transformar especulações em verdades, além de considerar as acusações injustas e perseguições.
