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quinta-feira, 21/05/2026

Deolane abriu 35 empresas em endereço residencial, diz investigação

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ANDRÉ FLEURY MORAES
FOLHAPRESS

Uma investigação recente revelou que a influenciadora Deolane Bezerra registrou 35 empresas no mesmo endereço de uma casa popular em Martinópolis, interior de São Paulo. A polícia não revelou a quem pertence essa residência.

Embora o fato de várias empresas estarem registradas em um só local não seja ilegal automaticamente, isso pode indicar atividades suspeitas.

Além dessas empresas em Martinópolis, Deolane possui outros CNPJs em diferentes cidades do interior paulista, como Santo Anastácio e Ribeirão Preto.

O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, comentou que essa situação representa um problema sério, associado à prática criminosa chamada de “pejotização” do crime organizado. Ele sugere que o controle para abertura de empresas seja mais rigoroso, incluindo verificação prévia dos endereços e cruzamento de dados para evitar sobreposição.

Os investigadores destacam que a quantidade de empresas relacionadas ao esquema do PCC representa um grande volume de lavagem de dinheiro. O método usado pela organização criminosa era complexo, envolvendo diversas transferências entre essas empresas, dificultando rastrear a origem dos recursos.

A popularidade de Deolane dificultava a identificação da origem dos fundos, pois os recursos provenientes do crime muitas vezes se confundiam com os ganhos legítimos dela na Internet, como em promoções e anúncios.

A influenciadora recebeu pagamentos de uma transportadora que seria parte do esquema do PCC, mesmo sem prestar serviços à empresa. A polícia acredita que essa conexão pode ajudar a aprofundar a ligação entre Deolane e o crime organizado. Ainda há outras relações sendo investigadas, mas sem detalhes divulgados.

Deolane teria funcionado como um tipo de caixa para o PCC, conforme as investigações.

A defesa da influenciadora afirmou que ainda não teve acesso ao processo, que corre em segredo de Justiça. Deolane publicou uma carta nas redes sociais dizendo que é vítima de perseguição e injustiça, negando ter cometido qualquer crime.

A investigação começou em abril de 2023, focada em desmantelar uma organização criminosa envolvida com jogos ilegais e lavagem de dinheiro. O grupo usava diversas empresas, como agências de eventos, publicidade, casas de câmbio e seguradoras para movimentar dinheiro ilegalmente.

A operação Integration cumpriu 19 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além de apreender bens como carros de luxo, imóveis, aeronaves e embarcações. Também foi feito bloqueio de ativos financeiros no valor de R$ 2,1 bilhões e outras medidas restritivas.

Os mandados foram expedidos pela 12ª Vara Criminal da Comarca de Recife e cumpridos em várias cidades, incluindo Recife, Campina Grande, Barueri, Cascavel, Curitiba e Goiânia.

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