Dezenas de mulheres em tratamento contra o câncer encontraram mais do que aprendizado profissional em um curso promovido pela Rede Feminina de Combate ao Câncer para pacientes atendidas pelo Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Durante meses, elas participaram de oficinas de artesanato, educação financeira e cabeleireiro, fortalecendo vínculos e a autoestima, além de descobrirem novas possibilidades para o futuro.
Os encontros quinzenais na Casa Rosa, sede da instituição, foram marcados por momentos de acolhimento e troca entre as participantes, criando uma rede de apoio essencial para o enfrentamento da doença. A gestora da Rede Feminina, Larissa Bezerra, destaca que a iniciativa vai além do ensino técnico: “Quando se está em tratamento de câncer, é comum surgir o sentimento de tristeza, isolamento e até depressão. A proposta desse curso é dar asas às pacientes, para que elas desenvolvam novas habilidades, descubram seu potencial e encontrem apoio emocional umas nas outras”.
Cada sessão começava com uma roda de conversa conduzida por uma psicóloga, proporcionando um espaço seguro para expressão e fortalecimento emocional. Para a paciente Keila Mesquita, essa experiência foi decisiva: “Eu tinha vergonha de conversar com as pessoas e até de sair de casa. Hoje me sinto segura para ir a qualquer lugar”.
A longa trajetória da paciente oncológica Iraci Francisca dos Santos se entrelaça com a história do projeto. Ela expressa sua gratidão dizendo: “Eu não tive infância, mas foi na Rede Feminina que construí minha primeira boneca. Muito obrigada por caminharem ao meu lado. Se não fosse a Rede, eu não estaria aqui hoje”. Além do apoio emocional, as oficinas despertaram oportunidades econômicas; Iraci chegou a vender peças produzidas e realizou o sonho de reformar a casa com os recursos obtidos.
Nas aulas práticas, as mulheres desenvolveram técnicas variadas de artesanato e cuidados de beleza, com materiais fornecidos gratuitamente. A professora Roseni dos Santos Ferreira enalteceu o empenho das alunas, ressaltando o poder de união e superação do grupo: “Fazer uma capacitação envolve mexer com as habilidades e o sonho de cada uma de nós. A gente pode sempre, e nós mulheres juntas podemos muito mais”.
A senadora Leila Barros, responsável pela emenda parlamentar que viabilizou o projeto, participou da cerimônia de encerramento, que marcou também a homenagem a Mariângela Moreira, voluntária da Rede Feminina e coordenadora de artesanato por duas décadas, falecida recentemente. Sua dedicação e alegria foram lembradas emocionadamente por participantes e profissionais.
A sala de artesanato da Rede Feminina passará a se chamar Sala Mariângela, em tributo à sua contribuição para o acolhimento e inspiração de tantas mulheres. Os certificados entregues na cerimônia simbolizam mais do que uma conclusão: representam novas habilidades, amizades e a certeza de que nenhuma paciente precisa enfrentar o tratamento sozinha.
O sucesso dessa iniciativa motivou a abertura de uma nova turma com 20 vagas para o segundo semestre, garantindo continuidade a um projeto que toca vidas com carinho e esperança.
