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Com covid, Bolsonaro tem rotina com cloroquina, videochamadas e isolamento

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“Estou me sentindo muito bem”, disse Bolsonaro ao comentar que está tomando hidroxicloroquina, remédio que não tem eficácia comprovada contra a covid-19

Bolsonaro: presidente passou meses minimizado a pandemia e contrariando recomendações médicas (Adriano Machado/Reuters)

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta terça-feira que teve resultado positivo em teste para covid-19, após passar meses minimizado a pandemia e contrariando recomendações de especialistas, mas afirmou estar se sentindo bem depois de sofrer os primeiros sintomas no fim de semana e de ter ficado mal na segunda-feira.

“Todo mundo sabia que ele (vírus) mais cedo ou mais tarde iria atingir uma parte considerável da população, como tem muita gente… eu, por exemplo, se eu não tivesse feito o exame não saberia do resultado, e ele acabou de dar positivo”, disse Bolsonaro em entrevista transmitida ao vivo por algumas emissoras convidadas para uma entrevista no Palácio da Alvorada.

Bolsonaro, de 65 anos, realizou o teste na segunda-feira, depois de começar a ter sintomas leves no domingo. Na segunda-feira, Bolsonaro teve dor no corpo e febre de 38 graus, e disse a apoiadores, em frente ao Palácio da Alvorada, que tinha ido ao Hospital das Forças Armadas fazer uma radiografia de pulmão, que não revelou nenhum problema.

Bolsonaro também fez questão de informar, mesmo antes do resultado do exame, que já havia começado a tomar hidroxicloroquina, medicamente contra malária que não tem comprovação de eficácia contra a Covid-19, mas é defendido pelo presidente.

Nesta terça, Bolsonaro confirmou que tomou uma primeira dose do medicamento, associado ao antibiótico azitromicina, na noite de segunda, e uma nova dose às 5h desta terça. No fim da tarde, Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais tomando uma terceira dose do medicamento.

“Estou tomando aqui a terceira dose da hidroxicloroquina. Estou me sentindo muito bem, estava mais ou menos no domingo, mal na segunda-feira, hoje, terça, estou muito melhor do que sábado, então, com toda certeza, está dando certo”, disse Bolsonaro no vídeo.

“Sabemos que hoje em dia existem outros remédios que podem ajudar a combater o coronavírus, sabemos que nenhum tem sua eficácia cientificamente comprovada, mas mais uma pessoa que está dando certo, então eu confio na hidroxicloroquina”, acrescentou.

Durante a entrevista no Palácio da Alvorada, Bolsonaro chegou a se afastar um pouco dos repórteres para tirar a máscara que usava para mostrar que estava bem.

A agenda presencial do presidente foi cancelada esta semana, inclusive duas viagens previstas para sexta e sábado. Segundo ele, vai seguir o protocolo de distanciamento e manter as agendas por videoconferência.

Bolsonaro afirmou ainda que o resultado não o surpreendeu. “Eu confesso que de fato achava que já tinha pego lá atrás, devido à minha atividade muito dinâmica frente à população”, disse. “Achava que tivesse contraído e não tivesse percebido.”

O presidente foi frequentemente criticado por se expor e incentivar aglomerações, além de andar sem máscaras. Desde o início da epidemia, Bolsonaro frequentou várias vezes manifestações a favor de seu governo, foi a farmácias, visitou cidades-satélites e, recentemente, esteve em um posto da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais. Na maior parte das vezes, sem usar máscaras.

Por mais de uma vez, o presidente menosprezou os riscos da epidemia, que chegou a chamar de “gripezinha”.

Na entrevista em que revelou estar também contaminado, voltou a afirmar que houve um “superdimensionamento” e mais uma vez defendeu que é preciso colocar a economia do país para rodar.

“No meu entender houve superdimensionamento. Sabemos da fatalidade do vírus para aqueles que tem uma certa idade, como eu acima de 65 anos, bem como aqueles que tem comorbidade, tem doenças, outros problemas. Nisso o vírus poderia ser decisivo e levar a óbito. Todo mundo sabia disso”, disse.

“O isolamento foi horizontal, todo mundo ficou em casa, uma obrigação. Medidas outras, no meu entender, exageradas ou não, levou um certo pânico à sociedade no tocante ao vírus”, acrescentou.

Apesar das medidas adotadas por governadores e prefeitos para tentar frear a disseminação do coronavírus no país, o Brasil chegou nesta terça-feira a 1.668.589 casos confirmados de Covid-19, com 66.741 mortos.

A Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) alertou que o caso de Bolsonaro demonstra necessidade de fortalecer as medidas de combate à doença no Brasil.

“A mensagem é que o vírus é imprevisível e não respeita raça, classe ou pessoas no poder, apesar da segurança ao redor de qualquer presidente”, disse o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis da Opas, Marcos Espinal, em entrevista coletiva por videoconferência.

Segundo ele, a confirmação do caso de Covid-19 do presidente mostra que o Brasil precisa reforçar a implementação das recomendações de distanciamento social e do uso de máscara para mitigar a disseminação do coronavírus.

Contatos

Desde a sexta-feira, dois dias antes de apresentar os primeiros sintomas da Covid-19, o presidente teve oficialmente contato com pelo menos duas dezenas de pessoas, de acordo com suas agendas, além de um número não calculado de assessores e assistentes.

Na lista de pessoas que estiveram com Bolsonaro recentemente estão, por exemplo, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, que almoçou com ele no Palácio da Alvorada. Estavam também no encontro organizado por Skaf, entre outros, Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Francisco Gomes, da Embraer, Rubens Ometto, da Cosan, e Lorival Nogueira, da BRF.

No sábado pela manhã, Bolsonaro sobrevoou rapidamente áreas atingidas pelo ciclone em Santa Catarina. Ao chegar a Florianópolis, foi recebido pela vice-governadora Daniela Reinehr, além dos senadores Dário Berger (MDB), Esperidião Amin (PP) e Jorginho Mello (PL).

O presidente também participou no mesmo dia de almoço na residência oficial do embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Todd Chapman, para comemorar a independência dos EUA. No encontro, além de vários servidores da embaixada, estavam os ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Fernando Azevedo e Silva (Defesa), Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), além do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente.

Em uma foto divulgada pelas redes sociais, ninguém no encontro usava máscaras. A embaixada informou nesta terça-feira via Twitter que o embaixador e sua esposa “testaram negativo e permanecerão em casa em quarentena”. Segundo o tuíte, a embaixada está avaliando toda a equipe que pode ter sido exposta à Covid-19.

Na segunda, mesmo depois dos sintomas, Bolsonaro se reuniu novamente por várias vezes com Braga Netto e Ramos, e também com o ministro da Economia, Paulo Guedes, além de outros membros do governo.

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Câmara deve votar socorro de R$ 4 bilhões a empresas de transporte

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Companhias afetadas pela pandemia do coronavírus terão que se comprometer com manutenção de empregos e em não aumentar tarifas

TRANSPORTE URBANO: prejuízo acumulado das empresas pode chegar a 8 bilhões de reais (Rovena Rosa/Agência Brasil)

As empresas de transporte público de regiões metropolitanas do Brasil podem ganhar fôlego para resolver os problemas financeiros causados pela pandemia do novo coronavírus. A Câmara dos Deputados analisa nesta terça-feira, 11, uma proposta de socorro de 4 bilhões de reais para esse setor.

A ideia é que o auxílio seja aprovado nos moldes do socorro às aéreas, sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro na última semana. De acordo com o relator do projeto de lei o deputado Hildo Rocha (MDB-MA), a verba pode ser destinada a empresas de ônibus, trem, metrô e outros modais, como transporte aquaviário, desde que o serviço seja prestado em locais com mais de 200 mil habitantes.

O valor será dividido de forma proporcional à população de cada região e, caberá ao poder público determinar se o auxílio será destinado para a compra de bens, como ônibus, trens ou serviços de infraestrutura “essenciais à prestação do serviço”.

As empresas que receberem ajuda financeira devem cumprir contrapartidas, como a obrigatoriedade de manter os empregos e não aumentar tarifas. Além disso, fica proibido o uso do subsídio para pagamento de juro sobre capital próprio e para distribuição de lucro aos acionistas. A crise é uma oportunidade de reinvenção e modernização, com o aumenta da frota de ônibus elétricos — a cidade paulista de São José dos Campos inaugurou a modalidade no Brasil.

Segundo estimativa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, no auge do isolamento social houve queda de 80% dos passageiros de ônibus diariamente. As perdas até o fim de junho chegaram a 3,72 bilhões de reais e o prejuízo até o fim do ano pode superar os 8 bilhões de reais.

O Ministério da Economia também negociou pontos do projeto e condicionou que, para ter direito socorro, as prefeituras e os governos estaduais serão obrigados a revisar os contratos de prestação de serviço público até o fim de 2021. Nos municípios onde não houve processo de licitação, haverá um prazo de até 18 meses para agilizar a concorrência. Prorrogações dos contratos atuais serão proibidas.

Além do socorro aos transportes, os deputados também podem apreciar um projeto que institui regras e instrumentos para a eficiência pública.

A proposta, do deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) quer incentivar usuários de serviços públicos a apresentar sugestões de simplificação dos serviços. Dispõe, ainda, sobre a ampliação de dispositivos da Lei de Acesso à Informação. Uma das inovações é a exigência de que os órgãos públicos divulguem dados sobre jornada de trabalho e ausências dos servidores.

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O Senado aumenta sua produtividade, mas a pauta não é das melhores

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Os senadores deveriam aproveitar o embalo e pensar duas vezes antes de ter ideias estapafúrdias, como o projeto de tabelar os juros do cartão

Senado: de 20 de março até a 7 de agosto, foram 155 textos apreciados. Quatro anos atrás, porém, foram 79 matérias deliberadas no plenário (Waldemir Barreto/Agência Senado)

Esperar aumento de produtividade do setor público é como torcer por um milagre. Mas, acredite se quiser, foi ocorreu no Senado durante a pandemia. O número de propostas analisadas em 2020 foi significativamente maior quando comparamos o resultado atual com o volume de 2016, ano da última eleição municipal.

De 20 de março até a 7 de agosto, tivemos 155 textos apreciados pela Câmara Alta. Quatro anos atrás, porém, foram 79 matérias deliberadas no plenário, o que significa um crescimento de 96,2%. O quórum também aumentou. Neste mesmo período, em 2016, tínhamos uma média de 71 senadores por sessão, contra 76,5 de hoje.

A facilidade proporcionada pelas sessões remotas cria um efeito semelhante ao observado em várias empresas que optaram pelo chamado Home Office. Enquanto se temia pela queda drástica na eficácia dos colaboradores, observou-se em inúmeros casos um aumento brutal da capacidade de trabalho. Embora essa constatação não atinja a todos os trabalhadores, há uma praticidade que se percebe logo de cara: não se gasta tempo com deslocamentos até o escritório. Em cidades como São Paulo, há pessoas que desperdiçam 3 horas diárias de trânsito, somando-se os trajetos de ida e de volta.

Com isso, imagine a disposição de alguém que tinha de acordar muito cedo e se desgastar no trânsito até chegar ao local de trabalho. Para essas pessoas, o dia já se iniciava com sinais de cansaço físico e mental. Nos dias de hoje, contudo, as reuniões podem começar às 8:00 e todos percebem uma disposição diferente por parte da equipe.

É só fazer as contas. Se esse colaborador gastava uma hora e meia para chegar ao trabalho é porque acordou, fez sua higiene pessoal e se arrumou em, digamos, 45 minutos. Assim sendo, entre a cama e a cadeira de trabalho, na melhor das hipóteses, gastou-se duas horas e quinze minutos – o suficiente para que a labuta já começasse com alguma fadiga.

No mundo privado, no entanto, é difícil criar situações diversionistas ou explicar parcos resultados. Mas, num poder da República, no qual todos representantes são considerados autoridades, quem é que puxa a orelha de quem está trabalhando pouco? É quase impossível. De qualquer forma, os representantes do povo acabaram se esforçando mais do que o fazem normalmente. E por que ocorreu isso?

Neste momento pandêmico, contou-se com dois fatores importantes no caso do Senado – ambos bastante singelos. Um deles diz respeito ao cafezinho. Como os senadores estão sempre negociando votos, o cafezinho é o lugar ideal para convencer qualquer colega a apoiar um projeto. A pandemia, entretanto, introduziu as reuniões virtuais e esvaziou o prédio do Congresso, transformando o local onde os senadores tomavam café em uma sala fantasma. Sem perder muito tempo com as conversas paralelas que acompanhavam qualquer negociação, o foco dos congressistas aumentou e seus resultados idem.

Outro ponto foi a dificuldade – para não dizer a quase impossibilidade – de se realizar obstruções no ambiente online. Quando um partido (ou do bloco) decide obstruir uma votação, seus parlamentares deixam o Plenário, ficando presente apenas o líder da sigla. Pelas regras, atuais, no entanto, o quórum eletrônico no início da sessão é o que vale. Dessa forma, o recurso de obstruir votações dificilmente é utilizado no Parlamento virtual. Sem interrupções, o fluxo de deliberações corre mais solto e, assim, ganha-se uma produtividade maior.

Quando se eleva este índice, o senso comum é o de que as pessoas passaram a trabalhar mais. Não necessariamente. Uma frase famosa de Henry Ford diz o seguinte: “Aumentar a produtividade significa menos suor humano, não mais”. O que se observa no Senado é exatamente o espírito da frase proferida por Ford. Não se passou a trabalhar mais – somente se dirigiu as energias de maneira mais efetiva e, com isso, quase se dobrou o número de matérias analisadas pelos senadores.

O sistema deu tão certo que deveria ser utilizado após o final da pandemia. Não dizem que as empresas devem adotar soluções híbridas, misturando trabalho presencial e remoto? A julgar pelos resultados obtidos pelos senadores, esse caminho parece ser o ideal – especialmente porque ainda estamos no início deste processo e as melhores soluções tecnológicas para aprimorar o fluxo de trabalho ainda serão criadas.

Peter Drucker disse que “eficiência é fazer as coisas de maneira correta. Já eficácia tem a ver com fazer as coisas certas”. O que o Senado fez foi juntar as duas coisas e fazer um golaço raro em campos públicos – quase que dobrar sua performance em poucos dias.

Os senadores deveriam aproveitar o embalo e pensar duas vezes antes de ter ideias estapafúrdias, como o projeto que resolveu falar em tabelar os juros do cartão de crédito e do cheque especial durante a pandemia. Concorda-se que as taxas estejam muito altas nessas modalidades financeiras. Mas até uma criança sabe que tabelamentos de preços ou de taxas simplesmente não funcionam. A mão invisível do mercado sempre arruma um jeito de inviabilizar aqueles que querem engessar tarifas ou juros na base do decreto. O país já passou por dois congelamentos desastrosos, que nos ensinaram lições que pareciam ser eternas. Pelo jeito, o Senado decidiu jogar para a torcida e queimar qualquer manual com as teorias econômicas mais básicas.

De nada adiantará ser mais produtivo se as matérias em votação forem insensatas, imprudentes e desmioladas. Através da demagogia, pode-se conquistar rapidamente a simpatia do eleitorado. Mas esse é o tipo de situação insustentável, cuja fatura será cobrada rapidamente. Chega de tentar reinventar algo que nunca deu certo em nenhum lugar do mundo.

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Mourão defende avanços nos sistemas de monitoramento da Amazônia

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Para ele, também é preciso tratar do problema fundiário da região

 

O vice-presidente Hamilton Mourão disse hoje (7) que o Estado brasileiro deve cumprir seu papel de proteção e desenvolvimento da Amazônia, mas que há muito desencontro sobre as informações de desmatamento na região, já que os sistemas de monitoramento, utilizados no apoio às decisões do governo, “não são os melhores” e “se ressentem de uma melhor qualidade”.

“Os satélites que nós temos são ótimos, que não enxergam durante o período das chuvas e de nuvens. Precisamos avançar para ter uma tecnologia radar, termos aeronaves não tripuladas de melhor nível e que possam manter um acompanhamento da situação da cobertura vegetal com melhor qualidade do que só pura e simplesmente a imagem de satélite”, explicou, durante encontro virtual promovido pela FSB Comunicação. Mourão preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

Ouça na Radioagência Nacional:

Em entrevista recente, o vice-presidente também lembrou que o desflorestamento e as queimadas na Amazônia vêm sofrendo uma escalada desde 2012 e atingiram um pico no ano passado, o que motivou as críticas e pressões internacionais. A previsão de Mourão para o desmate neste ano é semelhante ao do ano passado. No período de agosto de 2018 a julho de 2019, o desmatamento da Amazônia Legal foi estimado em 9.762 quilômetros quadrados (km²), um aumento de quase 30% em relação ao período anterior, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Já para as queimadas, a expectativa de Mourão é de redução. A meta do governo para os meses mais críticos, entre agosto e outubro, é que os incêndios fiquem abaixo da média histórica, em torno de 3 mil a 4 mil focos de calor por mês. De acordo com o vice-presidente, além da proibição do uso de fogo em áreas rurais, as Forças Armadas vão prosseguir com a Operação Verde Brasil, para coibir queimadas criminosas.

Mourão e o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, também relator do Código Florestal, participaram do encontro virtual para discutir as críticas, as pressões internacionais e os desafios enfrentados pelo Brasil nas políticas para a Amazônia e o meio ambiente.

Ambos acreditam que é preciso tratar do problema fundiário da região, promover políticas de desenvolvimento sustentável e assegurar os direitos das pessoas que vivem lá, indígenas ou não indígenas, de acesso ao progresso, à infraestrutura e a serviços básicos, como saúde e educação de qualidade. Para Mourão, esse direito deve estar centrado na bioeconomia, a partir do mapeamento da biodiversidade florestal, da construção de uma infraestrutura logística sustentável e de financiamento e investimentos no setor.

Aldo Rebelo criticou a demarcação de áreas de preservação na Amazônia que já estavam ocupadas por pessoas assentadas pelo próprio Estado. “Quando se demarca em área antropizada, você transforma aquelas pessoas em criminosos, mas a responsabilidade é do Estado. São 2% ou 3% que agem criminosamente, que queima e que desmata. A maioria foi pra lá na melhor das intenções”, disse.

Atividades produtivas

Eles também defenderam a regulamentação de atividades produtivas em terras indígenas, previstas na Constituição, como o garimpo e a produção agrícola, mas destacaram que essa exploração deve acontecer dentro da lei ambiental, uma das mais rigorosas do mundo, segundo eles. “Nós temos que parar de tapar o sol com a peneira e entender que o indígena tem que ter o direito de explorar a riqueza que tem na terra dele dentro dos ditames da nossa legislação. A partir daí, ele terá acesso ao progresso material da humanidade, todas as benesses do mundo moderno e não vivendo como se estivesse segregado”, disse Mourão.

Para Aldo Rebelo, além de ser um ator ambiental relevante no mundo, o Brasil tem aspirações dentro da Amazônia e já desenvolve atividades de mineração, extrativismo e agropecuária que precisam ser agregadas ao processo de transformação, de agregar valor à produção. “A Amazônia precisa atravessar esse caminho e precisa de recurso e o Estado precisa assumir essa responsabilidade”, disse, criticando a política econômica do governo atual, “de restrição absoluta e enxugamento desse papel do Estado brasileiro”.

O vice-presidente Mourão concordou que a ausência do Estado é um dos problemas mais graves que ocorre na região e disse que, além do aumento do orçamento para ações na região, é preciso buscar recursos de outras fontes de financiamento e doações, para manter a presença do Estado e recuperar a capacidade operacional dos órgãos de fiscalização “que estão com dificuldade de cumprir sua missão”.

 

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Presidente do STF é internado em Brasília

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Teste para covid-19 teve resultado negativo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, foi internado nesse domingo (9) em um hospital particular de Brasília com um quadro de pneumonite alérgica.

Segundo nota divulgada ontem pela assessoria de imprensa do STF, o ministro testou negativo para covid-19 e despachará normalmente durante a internação.

Pneumonite

A pneumonite por hipersensibilidade é um tipo de inflamação dentro e ao redor dos pequenos sacos de ar (alvéolos) e das menores vias aéreas (bronquíolos) dos pulmões provocada por uma reação de hipersensibilidade à inalação de poeiras orgânicas ou, menos frequentemente, de substâncias químicas.

Essa hipersensibilidade dos pulmões provoca tosse, febre, calafrios e falta de ar algumas horas após o contato com a substância.

Agência Brasil

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Itamaraty reduz importância de área ambiental na diplomacia do Brasil

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Itamaraty rebaixou o tema na estrutura interna e promoveu o que chamou o ministro Ernesto Araújo de “agenda de luta contra o ambientalismo ideológico”

A mudança na estrutura do Itamaraty é criticada pelo embaixador Everton Vieira Vargas (Alan Santos/PR/Palácio do Planalto/Flickr)

O Itamaraty desmobilizou a frente diplomática brasileira que usava a preservação ambiental como trunfo para atrair recursos e influenciar decisões em fóruns econômicos internacionais. Numa sequência de mudanças políticas, o governo Jair Bolsonaro desistiu de sediar a Conferência do Clima (COP) 25, no ano passado, e rebaixou o tema na estrutura interna do Itamaraty. Agora, é alvo de ameaças de perda de investimentos externos e bloqueio a exportações, além da desconfiança de seu real empenho em levar adiante negociações preservacionistas.

Logo ao assumir o cargo, o chanceler Ernesto Araújo promoveu o que chamou de “agenda de luta contra o ambientalismo ideológico”. Reduziu a equipe dedicada a temas ambientais e rebaixou a chefia do setor na estrutura do ministério. A antiga Subsecretaria Geral de Meio Ambiente, Energia, Ciência e Tecnologia foi extinta.

O órgão tinha um Departamento de Sustentabilidade Ambiental e quatro divisões dedicadas a Mudança do Clima, Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Mar, Antártida e Espaço. Ao todo, eram 10 diplomatas em cargos de confiança. No lugar, Araújo criou o Departamento de Meio Ambiente, sem o mesmo poder. Agora são seis diplomatas em funções comissionadas.

Além da mudança organizacional no Itamaraty, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, trocou em março um nome com experiência diplomática em organismos das Nações Unidas, Roberto Castelo Branco, pelo ruralista Eduardo Lunardelli Novaes, no posto de secretário das Relações Internacionais da pasta. A diretoria que cuida de Temas Globais e Organismos Multilaterais segue vaga.

Sem o poder econômico de países como Estados Unidos e China, o Brasil fazia do fato de concentrar a maior biodiversidade do mundo, com 20% da fauna e flora, uma arma de seu soft power (termo usado para descrever a capacidade de um país de influenciar os outros por meio de cultura ou ideologia). Liderava negociações multilaterais e formulava mecanismos para atrair verbas de países desenvolvidos – parte do dinheiro de livre alocação.

A delegação brasileira era consultada e seguida nas principais decisões globais por países em desenvolvimento, como vizinhos sul-americanos e nações africanas. A perda desse poderio ocorre em paralelo à alta no desmatamento, considerado no exterior como principal problema ambiental brasileiro.

A mudança na estrutura do Itamaraty é criticada pelo embaixador Everton Vieira Vargas. Em 43 anos de carreira, Vargas chefiou a frente da diplomacia ambiental brasileira. Teve participação direta nas tratativas para sediar a ECO-92, conferência histórica que ajudou a colocar o Brasil entre os protagonistas das discussões ambientais, no momento em que o País era pressionado pelo assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988. Foi embaixador em Berlim, Buenos Aires e Bruxelas.

Vargas tinha voltado a Brasília para comandar a Subsecretaria de Meio Ambiente, mas acabou ficando sem função na gestão de Araújo. Foi cedido para assessorar o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que faz oposição a Bolsonaro. “A atual administração do Itamaraty não gosta muito de gente experiente e fiquei a ver navios”, disse o diplomata.

O embaixador aposentado Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e do Meio Ambiente, considera que o Brasil sofreu uma “perda total” de protagonismo na arena ambiental. “Até o governo passado, o Brasil era um dos players principais, claro que não no mesmo nível dos Estados Unidos e da China”, afirmou. “O Brasil se anulou internacionalmente, não tem mais nada a dizer.” Procurado, o Itamaraty não se manifestou.

Colômbia

No vácuo deixado pelo Brasil, a Colômbia se movimenta. O segundo país mais biodiverso do mundo assumiu um papel de articulação continental, quando o presidente Iván Duque promoveu um encontro com líderes de países vizinhos em Letícia, principal cidade da amazônia colombiana. Foi no auge das queimadas no Brasil, na Bolívia e no Paraguai.

Com apoio da Alemanha, a Colômbia sediou ainda o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, e está envolvida na próxima COP 15 de Biodiversidade. Também recebeu US$ 360 milhões de países como Alemanha, Noruega, e Reino Unido – os dois primeiros financiavam o Fundo Amazônia e suspenderam repasses por divergências com Bolsonaro sobre a gestão dos recursos.

Diretor assumiu sem experiência em Meio Ambiente

O diretor do Departamento de Meio Ambiente (DMA) do Itamaraty é Leonardo Cleaver de Athayde, um nome sintonizado com o governo Bolsonaro. Aos 47 anos, Athayde assumiu o DMA em maio de 2019 – o posto estava vago.

Ele não tinha trajetória na área. Vinha de uma temporada de quatro anos em Varsóvia, na Polônia, como ministro conselheiro, onde estudou Filosofia.

Discreto, adotou linguagem incisiva para rebater o que o governo considera uma campanha contra si. “O governo atuará no âmbito desse regime de mudança do clima pautado pelo engajamento crítico, por uma ótica estritamente nacional”, disse, em audiência no Congresso, no ano passado.

Reservadamente, diplomatas dizem que ele vive uma “situação delicada” de gerir o departamento e depender de um diálogo direto com o ministro Ricardo Salles. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Pazuello defende tratamento precoce para “parar sangramento” da pandemia

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De acordo com ministro da Saúde, pessoas infectadas devem procurar ajuda médica assim que os sintomas aparecerem

Eduardo Pazuello: “Não está correto ficar em casa doente, com sintomas, até passar mal com falta de ar” (Adriano Machado/Reuters)

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Hoje é

terça-feira, 11 de agosto de 2020

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