Francisco Lima Neto
São Paulo, SP (Folhapress)
A coleta de lixo em São Paulo voltou ao normal nesta quarta-feira (29), depois que os trabalhadores paralisaram em protesto pela morte do gari Diêgo Rafael da Silva, de 19 anos, atropelado por um motorista alcoolizado na Barra Funda, na zona oeste, na noite de domingo (26).
“A operação está voltando ao normal. Ontem, os caminhões da noite saíram para coletar normalmente, então hoje tudo está seguindo o cronograma”, disse a empresa Loga, responsável pela coleta no centro, zona norte e zona oeste da capital.
A SP Regula informou que a coleta domiciliar estava funcionando normalmente desde terça-feira (28).
Alguns bairros da cidade ficaram sem coleta desde segunda-feira (27), em protesto pela morte de Diêgo.
Essa ausência afetou as regiões norte e oeste.
Segundo a empresa, “devido à tristeza pela morte do colaborador Diêgo Rafael da Silva, as equipes pararam a coleta comum e dos recicláveis nas áreas que tinham coleta na noite da segunda-feira (27)”.
A Loga agradeceu a compreensão da população e expressou solidariedade à família, amigos e colegas do gari.
Na manhã de terça, garis fizeram um protesto em frente ao 7º DP (Lapa), onde estava preso o empresário chinês Guofang Huang, de 53 anos, que dirigia o carro que atropelou o coletor, pedindo justiça.
O empresário foi transferido para o Centro de Detenção Provisória Guarulhos 1, na região metropolitana, que tem capacidade para 828 detentos, embora estivesse superlotado com 979 pessoas.
Guofang dirigia após beber álcool, conforme teste do bafômetro feito pela Polícia Militar. Foi preso em flagrante por homicídio doloso com dolo eventual, ou seja, assumiu o risco de matar. A prisão foi convertida em preventiva sem prazo definido.
A defesa, representada pelos advogados Lucas Quintela e Jéssica Narjara Camillis, disse que recebeu a prisão com serenidade e acompanhará a investigação para esclarecer os fatos, mas não fará comentários no momento para respeitar o processo e as famílias envolvidas.
O velório de Diêgo ocorreu na terça (28) no cemitério da Vila Formosa, zona leste de São Paulo, onde foi sepultado.
Diêgo foi atropelado por volta das 22h40 na Rua do Bosque. O caminhão da coleta estava parado enquanto os garis recolhiam o lixo da caçamba. Ele estava do lado esquerdo na traseira do caminhão quando foi atingido pelo veículo do empresário.
Com o impacto, ele foi lançado para a frente do caminhão. Segundo o boletim de ocorrência, Guofang não parou e fugiu do local, mas foi seguido por um motoboy e retornou depois.
Diêgo trabalhava na coleta de lixo fazia dois meses. Era casado, tinha uma filha de um ano e três meses, e a esposa estava grávida.
A mãe contou que ele trocou de emprego recentemente para ganhar um pouco mais.
“Ele pediu demissão do emprego antigo para esse porque o salário era maior. Eu disse para ele que era mais arriscado, mas ele foi mesmo assim”, relatou Elineide da Silva em entrevista ao Cidade Alerta, da TV Record.
Ela se emocionou ao dizer: “Aconteceu o pior, levaram a vida do meu filho. Um homem bêbado”.
