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Cientistas da Nasa ajudam astrônomos na caça por alienígenas

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Pesquisadores da agência americana se uniram ao Breakthrough Listen, um estudo sobre inteligência extraterrestre fundado em 2015

Espaço sideral: agência americana anunciou parceria com astrônomos em pesquisa de inteligência alienígena (Lev Savitskiy/Getty Images)

Astrônomos dedicados à busca por inteligência extraterrestre (Seti) anunciaram uma nova colaboração com cientistas que trabalham em um telescópio da Nasa.

Então a caça alienígena finalmente ganhou seu lugar como disciplina científica?

Para descobrir, a AFP conversou com a cientista Jill Tarter, que dedicou sua vida à busca de sinais emanados de galáxias distantes e que inspirou o personagem interpretado por Jodie Foster no filme “Contato” (1997).

“Passamos muito tempo ao longo dos anos tentando nos distanciar da pseudociência e dos OVNIs”, disse Tarter, de 75 anos, presidente emérita do Seti Research, do Instituto Seti na Califórnia, fundado em 1984 e financiada por magnatas do Vale do Silício, incluindo o falecido Paul Allen.

“Nós publicamos estudos, passamos pelas revisões por pares e construímos instrumentos interessantes. Hoje é muito mais crível do que era antes”, continuou.

Sob um acordo anunciado na quarta-feira no Congresso Internacional de Astronáutica, os cientistas que trabalham no Satélite de Pesquisas de Exoplanetas em Trânsito (Tess, sigla em inglês) da Nasa se uniram ao Breakthrough Listen, uma pesquisa de inteligência extraterrestre fundada em 2015 pelo bilionário russo e pioneiro da Internet Yuri Milner.

Escaneando os céus

Dois avanços ajudaram esse campo a ultrapassar o domínio da ficção científica: o primeiro foi a descoberta, em 1995, do primeiro exoplaneta (planeta fora do nosso sistema estelar), que acabou de ser recompensada com o prêmio Nobel, e a posterior confirmação de mais de 4.000 outros exoplanetas.

O segundo foi a descoberta de extremófilos, organismos capazes de sobreviver em condições extremas de temperatura ou pressão.

“Se você sabe que existe esse imóvel potencialmente habitável por aí, como é possível não se perguntar se algum deles é habitado?”, questionou Tarter.

Os astrônomos interessados no Seti usam telescópios, ópticos e de rádio, para escanear o céu em busca de sinais que indicariam formas de vida inteligentes.

Mas a verdade é que eles não sabem exatamente o que estão procurando. “Não sabemos como encontrar inteligência. Não sabemos nem mesmo como defini-la muito bem”, disse Tarter.

Em vez disso, os astrônomos procuram sinais de tecnologia, qualquer sinal não natural, que pode ter sido criado por vida inteligente.

Pode ser um sinal de TV ou rádio que chega até nós, assim como os sinais do nosso planeta são continuamente emitidos no espaço.

Ou os astrônomos podem conseguir distinguir, no traço luminoso de planetas distantes, variações que indicariam a presença de grandes estruturas orbitais, como estações espaciais.

Caçada por alienígenas

No futuro, a ideia seria analisar também a composição química de outros planetas para procurar sinais biológicos de vida – como na Terra, onde tudo, desde a flatulência bovina à fotossíntese, contribui para a mistura de nossa atmosfera.

“Talvez vejamos algum tipo de desequilíbrio químico que não podemos explicar de nenhuma outra maneira”, disse Tarter, acrescentando que “isso requer grandes telescópios” – como o projeto Tess da Nasa.

A humanidade tem mais chances de encontrar vida em Marte na forma de micróbios ou alienígenas inteligentes em outra galáxia?

“Penso que um dos dois pode ser a mão vencedora”, diz a astrônoma.

Tarter vem caçando alienígenas desde que era estudante de graduação, mas ela insiste que nunca foi desencorajada.

“Pessoas que fazem esse tipo de trabalho não levantam da cama de manhã dizendo: ‘vou encontrar um sinal hoje’, porque você provavelmente irá para a cama decepcionado”, disse. “Mas eles saem da cama de manhã dizendo: eu vou descobrir uma maneira de fazer a pesquisa”.

Mas mesmo se recebermos um sinal de outra civilização a 100.000 anos-luz de distância, que bem isso nos faria, já que não poderíamos visitá-la e levaria 100.000 anos para enviar uma mensagem de volta?

“Você lê Shakespeare, ou os gregos antigos, ou os romanos antigos? Aprendemos uma quantidade enorme de coisas com eles, mesmo que não possamos fazer-lhes perguntas”, disse Tarter.

“Portanto, essas informações são propagadas no futuro. Acho que esse é um modelo muito bom para o que pode ser a comunicação com uma tecnologia distante”.

 

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Transplante de pênis é realizado com sucesso em paciente nos Estados Unidos

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Soldado que lutou na Guerra do Afeganistão havia perdido parte da genitália: após o transplante, ele tem ereções praticamente normais

Raio-x antes do procedimento mostra a ausência do pênis do homem (Foto: Redett et al., NEJM, 2019)

Nos Estados Unidos, cirurgiões do hospital Johns Hopkins fizeram um transplante de pênis em um homem que havia perdido a genitália. Realizado em abril, o sucesso do procedimento foi relatado neste mês: de acordo com os médicos, a cirurgia durou 14 horas.

A doação foi recebida por um soldado veterano, que está se recuperando e passa bem. Em 2010, ele havia perdido parte das pernas, do abdome e do pênis durante a Guerra do Afeganistão, em uma emboscada com explosivos feita por soldados do grupo fundamentalista Talibã.

O norte-americano ganhou um novo órgão genital, um escroto, e recebeu ainda parte do abdome de outro indivíduo. Para que o transplante fosse possível, foram quatro anos de preparo dos médicos, que fizeram testes em cadáveres.

Ao todo, onze profissionais tiveram que juntar centenas de veias sanguíneas de apenas um milímetro ou dois com o uso de um microscópio. Agora o paciente já restabeleceu as conexões de nervos, permitindo o funcionamento peniano.

“Ele tem ereções quase normais e a habilidade de alcançar orgasmo”, pesquisadores escreveram no estudo, onde detalharam o caso. Segundo os médicos, o soldado consegue sentir a ponta do pênis, e urina normalmente em pé.

O paciente agora tem apenas que tomar um medicamento diariamente, mas poderá finalizar o tratamento daqui a 10 anos. O soldado contou aos médicos que o transplante serviu para restaurar a sua autoestima.  “Ele relata que a autoimagem dele melhorou e que ele se sente “inteiro” novamente e diz estar muito satisfeito com o transplante”, dizem os especialistas.

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Ciência

Passagem de Mercúrio cria mini eclipse e pode ser visto em todo Brasil

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Evento teve início às 9h35 (horário de Brasília); planeta encerrará seu passeio entre a Terra e o Astro Rei às 15h04

Mercúrio: última passagem do planeta foi observada em 2016 e a próxima será em 2032 (Bill Ingalls/Getty Images)

Um fenômeno imperceptível a olho nu está acontecendo neste momento no céu: o planeta Mercúrio está passando à frente do Sol, de forma a protagonizar o que os astrônomos chamam de mini eclipse. O evento teve início às 9h35 (horário de Brasília). Pouco depois do meio-dia, às 12h19, o planeta estará exatamente na metade de sua trajetória, encerrando seu passeio entre a Terra e o Astro Rei, às 15h04.

Há, no entanto, que se ter cuidados para assistir esse fenômeno astronômico, a exemplo de outros eclipses solares, quando é necessário o uso de filtro para evitar danos à visão. No caso deste mini eclipse, os cuidados são ainda maiores, porque é necessário o uso de telescópio ou binóculo com filtro apropriado.

O alerta é do presidente da Comissão de Educação da União Astronômica Internacional e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Paulo Bretones. “É muito perigoso observar o Sol diretamente, podendo produzir queimaduras na retina, causando cegueira. É extremamente perigoso olhar para o Sol com qualquer instrumento óptico como binóculos, lunetas, telescópio ou mesmo através de uma máquina fotográfica. Não se deve usar óculos escuros, vidros esfumaçados, radiografias ou negativos de filmes revelados, pois podem não ser suficientemente densos para bloquear as radiações como o infravermelho e o ultravioleta”.

Segundo o astrônomo, deve-se tomar o cuidado de observar o fenômeno com um filtro apropriado. “Como o usado em máscara de soldador, número 14, disponível em lojas de ferragens. Melhor ainda, seria projetar a imagem do Sol numa tela, utilizando uma pequena luneta ou binóculo e sem observar através dele. Certamente também ocorrerão muitas transmissões ao vivo pela internet”, acrescentou, destacando que é um evento raro, podendo ocorrer no intervalo de três a 13 anos.

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Ciência

Acabamos de sair do mês mais quente do planeta

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Este é o quinto mês consecutivo que o calor bate ou se aproxima de um recorde; últimos quatro anos foram os mais quentes

Clima: no mês passado, milhares de jovens foram às ruas contra as mudanças climáticas (Glenn Hunt/Getty Images)

Se você achou que fez muito calor no mês passado, não foi impressão sua: segundo o Serviço Europeu de Mudança Climática Copernicus, esse foi o outubro mais quente do planeta. O anúncio vem também como um alerta, uma vez que este é o quinto mês consecutivo que o calor bate ou se aproxima de um recorde.

O mês de outubro deste ano ficou 0,63°C acima da temperatura média do período de referência de 1981-2000, quebrando por muito pouco (0,01°C) o recorde de outubro de 2015, mas 1,2°C acima da temperatura pré-industrial.

Junho de 2019 foi o mês mais quente entre os meses de junho, e julho também atingiu o recorde absoluto do mês mais quente de todos os tempos.

Os últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados no planeta.

Em agosto deste ano, a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estimou que 2019 estará entre os cinco primeiros, em sintonia com os impactos das mudanças climáticas previstos pelos cientistas.

 

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