O varejo brasileiro tem enfrentado um novo rival poderoso: as apostas esportivas online, conhecidas como bets. Essas apostas estão levando bilhões de reais que antes eram gastos em bens, serviços ou economizados.
Recentemente, o presidente da Gol, Celso Ferrer, comentou que o mercado de aviação no Brasil está parado, não pelo transporte concorrente, mas por outras formas de consumo, como as apostas esportivas.
Segundo estudos da PwC, o setor varejista está bastante impactado e preocupado com o crescimento acelerado das bets.
Empresas apostam na diversão para competir
Eduardo Terra, cofundador do Instituto Retail Think Tank, explica que varejistas online estão tentando incorporar elementos de jogos, como roletas, em seus sites para atrair clientes, já que as pessoas buscam diversão e a sensação de recompensa que as apostas proporcionam.
Plataformas asiáticas como TikTok Shop, Shopee e Temu já usam essa estratégia de integrar o entretenimento à experiência de compra, focando na descoberta e emoção, ao invés da busca tradicional por produtos.
Essa ideia, chamada de gamificação, está crescendo na internet, mas ainda é pouco usada pelas varejistas brasileiras e praticamente inexistente nas lojas físicas.
Gerson Charchat, da PwC, aponta que muitos varejistas também têm mudado o foco da publicidade da TV e rádio para as redes sociais, buscando alcançar os consumidores que estão cada vez mais no mundo digital.
Internamente, as empresas também têm orientado seus funcionários sobre educação financeira para evitar os prejuízos causados pelas apostas.
Varejo quer controlar a publicidade das apostas
Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo, destaca que o setor precisa de restrições na divulgação das apostas esportivas, pois elas causam problemas sérios de saúde pública, conforme estudo da USP.
Os transtornos relacionados ao jogo afetam a saúde da população e custam bilhões para o sistema público, muito mais do que o governo arrecada com os impostos das bets.
A publicidade é especialmente difícil de controlar nas plataformas móveis, onde algoritmos mostram propagandas massivas direto no celular dos usuários.
Setores mais afetados pelas apostas
Os alimentos, especialmente produtos mais sofisticados e indulgentes, são os mais prejudicados pelas apostas. Apostadores costumam ser jovens das regiões urbanas do Sudeste do Brasil, especialmente das gerações Z e Millennial, que estão consumindo menos nesses setores.
Por outro lado, varejistas em regiões interiores, com públicos mais velhos, não sentem tanto o impacto das apostas online.
Combate às apostas ilegais
Em uma ação recente, o governo anunciou medidas para bloquear recursos de bets ilegais e usar esses valores para a segurança pública, em parceria entre os Ministérios da Fazenda e da Justiça.
Além disso, influenciadores digitais que promovem apostas ilegais irão responder por tributos como Imposto de Renda, PIS e Cofins, conforme declarou o secretário da Receita Federal, Robison Barreirinhas.
Essas ações visam reduzir os danos que o crescimento das apostas causam à sociedade e ao varejo brasileiro.
