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segunda-feira, 27/04/2026

Tensão em Ormuz leva países do Golfo a buscar rotas alternativas

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Há cerca de 40 anos, o Estreito de Ormuz já demonstrava ser um ponto frágil para o mercado mundial de petróleo. Durante a guerra entre Irã e Iraque, que ocorreu entre 1980 e 1988, navios petroleiros foram atacados diversas vezes na região, transformando esse importante canal marítimo em um campo de conflito.

A Arábia Saudita respondeu a essa vulnerabilidade construindo o Oleoduto Leste-Oeste, que atravessa a península desértica até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho.

Além disso, os Emirados Árabes Unidos também criaram o Oleoduto Habshan–Fujairah, conectando Abu Dhabi ao golfo de Omã, como forma de reduzir a dependência do estreito.

Nova crise em Ormuz e busca por segurança

No final de fevereiro, a fragilidade do Estreito de Ormuz voltou a ser destaque devido ao conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã. O Irã ameaçou fechar o estreito em caso de ataques, o que resultou na paralisação de centenas de navios cargueiros e na interrupção de cerca de 20% do fornecimento mundial de energia.

Diante desse cenário, países e organizações globais voltaram sua atenção para formas de diminuir os riscos e garantir o fluxo seguro de petróleo, buscando alternativas para não depender exclusivamente do estreito.

Grandes consumidores de energia como China, Índia e União Europeia, além de grupos em defesa do meio ambiente, têm pressionado por aceleração no investimento em fontes renováveis de energia.

Planos para rotas alternativas no Golfo

Os países do Golfo Pérsico têm avançado com projetos para desviar parte do petróleo bruto de Ormuz, visando garantir a exportação a longo prazo. Recentemente, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e outros países estudam construir oleodutos paralelos aos existentes e expandir terminais em outras regiões costeiras.

Landon Derentz, diretor sênior do Global Energy Center do Atlantic Council, sugere que os Estados Unidos apoiem financeiramente essas iniciativas para acelerar a criação de rotas alternativas.

O oleoduto saudita atual, com 1.200 km, já opera em sua capacidade máxima, enquanto os Emirados Árabes Unidos exportam mais pelo porto de Fujairah.

Desafios e investimentos necessários

Apesar dos avanços, a capacidade dos oleodutos precisa ser dobrada para suportar todo o volume de petróleo que passa pelo estreito diariamente, cerca de 15 milhões de barris. Essa ampliação é cara e politicamente complexa, mas vista como essencial para reduzir riscos futuros.

Além disso, países como Kuwait, Bahrein e Catar enfrentam dificuldades geográficas, pois não possuem rotas alternativas próximas, dependendo do trânsito pelo estreito ou de negociações longas com vizinhos para construir oleodutos extensos.

Outras iniciativas e transportes terrestres

Organizações internacionais recomendam soluções regionais maiores, como um novo oleoduto ligando o Iraque à Turquia, que fortaleceria a segurança energética especialmente para a Europa.

O Iraque já opera um oleoduto do norte do país até a Turquia e está avançando com um novo trecho no sul que poderá ser ampliado para conectar com portos no Mar Vermelho.

Além dos oleodutos, os países do Golfo investem na ampliação das redes ferroviárias e rodoviárias para facilitar o transporte de cargas não petrolíferas, reduzindo a pressão sobre o sistema marítimo.

Esses esforços refletem o poder financeiro da região para implementar mudanças significativas, embora o sucesso dependa da vontade política para superar obstáculos e diminuir a dependência do Estreito de Ormuz no cenário energético mundial.

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