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sábado, 01/08/2026

São Paulo tem 141 casos de feminicídio no primeiro semestre, o maior número já registrado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O estado de São Paulo registrou 141 casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, atingindo o maior índice desde 2018, quando os registros começaram a ser feitos. Esse número representa um aumento de 10% em comparação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.

Os números consideram o total de ocorrências, não o número de vítimas, que pode ser maior se houver mais de um homicídio em um único caso. O crescimento em 2026 foi impulsionado principalmente pelas cidades do interior, que anotaram 96 boletins de ocorrência, contra 70 no ano anterior.

Na capital, São Paulo, os casos diminuíram, de 31 para 24 no semestre, incluindo a região metropolitana, onde os registros caíram de 27 para 21.

O governo do Estado, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), realçou que em junho de 2026, as ocorrências diminuíram no estado, de 21 para 17, e na capital, de quatro para três casos.

A Lei do Feminicídio foi sancionada em 2015. Desde 2018, a Secretaria de Segurança Pública passou a contabilizar esses crimes de forma separada para garantir melhor acompanhamento e auxiliar na criação de políticas de proteção.

De acordo com a lei, feminicídio é o assassinato motivado por menosprezo ou discriminação contra a mulher, incluindo casos de violência doméstica e familiar.

Especialistas apontam que parte do aumento decorre de uma melhora na classificação dos crimes pelas polícias. Embora o número de homicídios de mulheres tenha caído no país, há sinais de aumento da violência de gênero dentro de residências, que pode resultar em feminicídio.

Desde 2018, o número de feminicídios em São Paulo tem aumentado de forma contínua, quando foram registrados 57 casos.

A delegada Cristiane Braga, coordenadora das delegacias de defesa da mulher, afirma que combater a violência contra a mulher exige investigação especializada, apoio humanizado e trabalho conjunto com toda a rede de proteção.

Ela reforça que cada denúncia é vital para interromper o ciclo da violência e prevenir crimes mais graves.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que para cada feminicídio em 2025, houve 502 casos de ameaça, 182 de agressões físicas e 79 de perseguição contra mulheres, refletindo a gravidade da situação.

Diariamente, o Brasil registra em média quatro feminicídios e mais de 2.000 ameaças contra mulheres.

Em 2025, foram 1.571 vítimas de feminicídio no país, a maior marca registrada, com uma taxa de 1,4 vítimas para cada grupo de 100 mil mulheres.

Outros crimes relacionados também apresentaram altas taxas por 100 mil mulheres, como ameaças (720,9), lesões corporais dolosas em contexto doméstico (261,7), perseguição (113,3) e violência psicológica (55,6).

Em março deste ano, a Folha analisou oito boletins de ocorrência e inquéritos e constatou que as vítimas na maior cidade do país seguem padrões típicos da violência de gênero, com autores frequentemente sendo companheiros ou ex-companheiros, aumento progressivo da violência e sofrimento intenso das famílias.

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