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Rússia ocupa vazio deixado pelos EUA e amplia presença no Oriente Médio

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EUA tinham duas bases militares na Síria, mas Donald Trump ordenou a retirada dos soldados americanos

Vladimir Putin, Erdogan e Houssain Houhani: Kremlin vem trabalhando duro para colocar a Rússia como uma alternativa aos EUA na região (Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin/Reuters)

São Paulo — Forças militares da Rússia começaram nesta terça-feira, 15, a patrulhar o norte da Síria, região abandonada pelas tropas americanas.

O movimento redesenha o equilíbrio de poder no Oriente Médio, reflete a repentina perda de influência dos EUA e abre uma nova oportunidade para os russos se apresentarem como mediadores confiáveis, garantindo novos negócios e avançando seus interesses estratégicos.

Os EUA tinham duas bases militares na região, mas o presidente Donald Trump ordenou, na semana passada, a retirada dos soldados americanos, abrindo caminho para uma ofensiva da Turquia contra os curdos na Síria.

A medida foi considerada uma traição à milícia curda que apoiou a luta dos EUA contra o Estado Islâmico causou uma nova onda de refugiados, aumentou o temor de ressurgimento do jihadismo e permitiu que as forças de Bashar Assad, ditador sírio apoiado por Moscou, recuperassem território sem disparar um tiro.

Para a Rússia, o redesenho político da região, que até bem pouco tempo era praticamente um protetorado americano, traz dois benefícios imediatos. Primeiro, fortalece Assad, aliado de Moscou.

Depois, dá ao presidente Vladimir Putin a chance de apresentar a Rússia como a escolha ideal para quem busca um parceiro fiel no Oriente Médio. “O que está acontecendo agora é um nó muito complicado sendo desatado”, diz Aleksander Shumilin, analista do Instituto da Europa, da Academia de Ciências de Moscou. “É um presente inesperado para Putin.”

O Kremlin vem trabalhando duro para colocar a Rússia como uma alternativa aos EUA na região. Ontem, enquanto tropas americanas abandonavam a base de Manbij, Putin concluía uma visita aos Emirados Árabes, depois de uma recepção calorosa obtida na Arábia Saudita, no dia anterior – os dois países são aliados de longa data de Washington, mas começaram a questionar recentemente a lealdade dos americanos.

“A Rússia é minha segunda casa”, disse Mohamed bin Zayed, príncipe herdeiro e governante de facto dos Emirados. “Estamos conectados por uma profunda relação estratégica.” Putin voltou nesta terça para Moscou com um acordo de US$ 1,3 bilhão para a venda de armas ao país.

No Oriente Médio, Assad ainda é o grande aliado de Putin, que fez de tudo para mantê-lo no poder, desde enviar ajuda militar até o uso de uma diplomacia criativa. Na ONU, a Rússia tem bloqueado as tentativas de condenar o regime pelo uso de armas químicas contra civis. Além disso, ao se aproximar de Irã e Turquia, Putin conseguiu driblar os esforços ocidentais para negociar a paz na Síria.

Segundo Shumilin, a Turquia é um dos objetivos geopolíticos de Putin. Ao cortejar o presidente Recep Tayyip Erdogan, Moscou pretende afastar os turcos da Otan, uma resposta ao avanço da aliança atlântica na direção da velha esfera de influência soviética.

Nesta terça, o ministro da Defesa da Rússia, Serguei Shoigu, afirmou que o Exército russo já está patrulhando uma linha divisória entre as forças turcas e do Exército da Síria. Alexander Lavrentyev, enviado russo à região, garantiu que Putin e Erdogan estão em contato constante para evitar um choque direto – papel que antes cabia aos EUA.

Um dos pontos de atrito mais importantes é a cidade de Manbij, que era guardada pelos americanos e a Turquia prometeu capturar. As forças sírias se moveram rapidamente para ocupar o espaço deixado pelos EUA. Ontem, os russos ocuparam a base, que parecia ter sido abandonada às pressas, e bravatearam pela internet.

“Manbij é nossa”, postou a Anna News, um site pró-Kremlin que acompanha as tropas russas na Síria. Nas imagens, roteadores abandonados, cabos caindo do teto, um tubo de batatas fritas na mesa, um armário cheio de caixas de cereal e quatro geladeiras carregadas de refrigerantes. “Eles acharam que ficariam aqui por muito tempo”, disse o jornalista Oleg Blokhin.

Segundo especialistas, já era previsto que a saída dos EUA da região encorajasse o avanço de russos e iranianos, ambos aliados de Assad, e aumentasse o risco de ressurgimento do Estado Islâmico, que havia sido derrotado pelos curdos. No entanto, a política externa errática de Trump tem facilitado o trabalho de Putin de reconstruir o status da Rússia como um poder ressurgente mundial no momento em que aumenta a desconfiança com relação aos EUA.

 

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Governo Trump prevê ao menos 100 mil mortes por coronavírus nos EUA

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Trump enfatizou a importância das políticas de isolamento para conter o avanço do coronavírus e afirmou que as próximas duas semanas serão “dramáticas”

Coronavírus: O número de mortos subiria a 1,5 milhão ou 2,2 milhões se não fizéssemos nada, disse Trump (Tom Brenner/Reuters)

Os Estados Unidos superaram o número de mortos da China nesta terça-feira (31) e a Casa Branca anunciou que o país precisa se preparar para ter entre 100 mil e 200 mil mortes por coronavírus. O presidente, Donald Trump, e os especialistas que orientam o governo, pediram que os americanos se atenham às políticas de distanciamento social e disseram que as próximas duas semanas serão dramáticas.

“A pergunta é o que aconteceria se não fizéssemos nada? O número de mortos subiria a 1,5 milhão ou 2,2 milhões. Teríamos pessoas morrendo em lobbies de hotel, nos aeroportos. Isso não poderia continuar”, disse Trump. “Serão duas semanas muito dolorosas. Quando você olha o tipo de morte que tem sido causada por esse inimigo invisível, é incrível.”

O presidente disse que é “absolutamente crítico” que todos os americanos sigam as restrições de circulação pelos próximos 30 dias. “É uma questão de vida ou morte”, afirmou.

Os gráficos mostrados ontem pela Casa Branca indicam que, em algum momento, o número de mortes começará a desacelerar, mas o país continuará contado corpos até junho. Os dados são de um modelo da University of Washington e levam em conta os dados de outros países que enfrentam o problema, como a Itália.

O número de mortos nos EUA superou ontem o da China, onde a pandemia começou. Autoridades americanas já registraram mais de 180 mil casos e 3,6 mil óbitos – pela primeira vez, o número de vítimas ultrapassou também a quantidade de mortos nos atentados do 11 de Setembro. A China tem 3,3 mil mortos e pouco mais de 80 mil casos – embora cada vez mais esse número pareça irreal.

Estimativa

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e médico que comanda a força-tarefa da Casa Branca contra a pandemia, disse ontem que os casos continuarão subindo nas próximas semanas, o que não pode fazer os americanos relaxarem o confinamento.

“As orientações dos últimos 15 dias tiveram efeito, apesar de ser difícil quantificar. Agora, não é hora de tirar o pé do acelerador, mas apertar mais”, afirmou Fauci. Segundo ele, só o isolamento evitará novos picos. “Temos esses números, mas não quer dizer que os aceitamos. O modelo é atualizado todos os dias. Faremos tudo o que pudermos para reduzi-lo”, disse Fauci.

A médica Deborah Birx, da equipe de Fauci, disse que não há “receita mágica” para combater o vírus. “Nossos comportamento pode mudar o rumo da pandemia”, afirmou. Segundo ela, o esforço agora é para controlar os picos já registrados e evitar que outras regiões se tornem epicentro da pandemia.

Ajuda

O epicentro da disseminação do vírus nos EUA ainda é o Estado de Nova York, que concentra quase metade de todos os casos. A cidade de Nova York tem recebido reforço para expandir sua rede hospitalar, após alerta de médicos e autoridades locais de que não haverá leitos e respiradores suficientes para o tratamento de todos.

Um navio-hospital, o USNS Comfort, atracou ontem no Porto de Nova York para atender os casos urgentes que não forem relacionados ao vírus. A embarcação tem 750 leitos. No gramado do Central Park, no coração de Manhattan, foram montadas tendas para tratar infectados e ampliar a capacidade do hospital Mount Sinai.

O primeiro caso de coronavírus no país foi confirmado em 20 de janeiro e a primeira morte aconteceu cerca de um mês depois. Só em março os Estados começaram a adotar medidas mais drásticas para conscientizar a população e estabelecer diretrizes de distanciamento social.

As orientações federais vieram somente a partir do dia 16, depois de Trump ter perdido muito tempo minimizado a gravidade da pandemia. Atualmente, três em cada quatro americanos vivem em locais onde há algum tipo de quarentena.

É o caso da capital americana. Washington, assim como os Estados de Maryland e Virgínia, editaram uma determinação, na segunda-feira, para que moradores que desrespeitarem as restrições de circulação impostas possam ser severamente punidos. No caso da capital, a multa para quem descumprir o estabelecido pela prefeitura é de até US$ 5 mil (cerca de R$ 25 mil) e até 90 dias de prisão.

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China anuncia 1.367 casos assintomáticos de coronavírus

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A nível nacional, apenas 2.004 pessoas ainda estão oficialmente enfermas pela covid-19

Pequim, na China: país, berço do novo coronavírus, parece ter freado em grande medida a epidemia (Kevin Frayer/Getty Images)

A China anunciou nesta quarta-feira 1.367 casos assintomáticos de coronavírus, que se somam aos 81.554 contágios registrados, ao publicar pela primeira vez o número de pessoas atualmente positivas mas sem manifestar febre e tosse características da COVID-19.

O número de assintomáticos, que deve flutuar nos próximos dias, não leva em consideração o grande número de pessoas que, justamente porque não apresentam sintomas, não são detectadas nem submetidas a exames. Os portadores saudáveis podem transmitir o vírus.

De acordo com o ministério da Saúde, nas últimas 24 horas a China registrou mais sete mortes, o que eleva o balanço oficial a 3.312.

A nível nacional, apenas 2.004 pessoas ainda estão oficialmente enfermas pela COVID-19.

O país, berço do novo coronavírus, parece ter freado em grande medida a epidemia. Sua prioridade atualmente é evitar que o retorno da doença a partir do exterior.

O ministério da Saúde reportou 36 novos casos “importados”, para um total de 691 desde o início da contagem.

A China fechou temporariamente as fronteiras à maioria dos estrangeiros e reduziu drasticamente os voos internacionais. Qualquer pessoa que entra no país deve passar por 14 dias de quarentena.

Após dois meses de confinamento, a província de Hubei (centro), onde surgiu a pandemia, começou a retomar as atividades na semana passada. A capital provincial Wuhan permitirá a saída dos moradores apenas em 8 de abril.

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Com 864 vítimas em 24 horas, Espanha volta a bater recorde de mortes

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No total, a Espanha registra mais de 9 mil mortos por coronavírus e mais de 100 mil casos foram notificados

Profissionais de saúde transferem paciente de ambulância para hospital em Leganés, na Espanha (Susana Vera/Reuters)

A Espanha voltou a registrar um número recorde de mortes diárias por coronavírus nesta quarta-feira, dia 1º. Nas últimas 24 horas a covid-19 fez 864 vítimas no país ibérico, que atingiu a marca de 9.053 mortos, o que o coloca atrás apenas da Itália. De acordo com o ministério da Saúde local, mais de 100 mil casos já foram notificados em território espanhol desde o começo da pandemia.

O recorde diário de mortes pela doença vem sendo batido dia a dia na Espanha, de acordo com os dados oficiais do ministério da Saúde local. Na terça-feira, 31, um novo recorde havia sido estabelecido, mas não durou nem um dia. Na semana passada, o número de mortes por dia também atingiu os maiores patamares até então em dias consecutivos.

Em termos percentuais, que as autoridades espanholas estabelecem como um indicador de que a epidemia se estabiliza, o crescimento da mortalidade mantém sua paulatina desaceleração. Nas últimas 24 horas, alcançou 10,6%, contra os 27% registrados há uma semana. Os casos notificados também mostraram uma desaceleração em termos percentuais, subindo 8,2% por dia, contra os 20% de uma semana atrás.

Madri se mantém como a região da Espanha mais afetada pela epidemia, com pouco mais de 40% dos casos. Na Catalunha, a doença segue em expansão, e a região registra mais pacientes em cuidado intensivo do que a capital.

Os quase 47 milhões de espanhóis se mantêm confinados desde 14 de março. Desde a última segunda-feira, o governo determinou a paralisação, por duas semanas, de todas as atividades econômicas não essenciais, para frear o contágio e evitar saturar os hospitais. Muitos já operam no limite nas zonas mais atingidas. (Com agências internacionais).
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