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quinta-feira, 09/07/2026

Risco maior para crianças em acidentes com escorpião

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Casos de intoxicação grave por picada de escorpião voltam a chamar a atenção para o perigo que crianças enfrentam. Um exemplo triste é o de Valentina Nobre Lima, de 11 anos, que faleceu após ser picada ao calçar um sapato no Distrito Federal. A família procurou ajuda com o Corpo de Bombeiros, mas o soro antiescorpiônico só foi encontrado em um hospital regional, onde a menina foi levada para a UTI. Intubada e em coma induzido por 24 dias, Valentina morreu no início desta semana.

O Brasil tem mais de 170 espécies de escorpião, e os efeitos das picadas variam conforme o tipo e a pessoa afetada. O escorpião-amarelo, presente em todas as regiões do país, é o causador dos acidentes mais sérios.

Joelma Gonçalves Martin, especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que crianças correm mais risco porque têm corpo menor. “O veneno é muito forte. A mesma quantidade de veneno que atinge um adulto, em uma criança resulta em uma dose maior por quilo de peso”, diz a pediatra.

O veneno age no sistema nervoso e pode causar sintomas que afetam o coração e o cérebro, como batimentos rápidos, suor excessivo, variações da pressão, convulsões, agitação, sonolência, falta de reação, batimentos lentos, dor na barriga e dificuldade para respirar. A gravidade depende da quantidade de veneno e da idade, sendo as crianças mais afetadas.

A médica alerta que a dor forte é um sinal importante de picada, mesmo que a pele quase não apresente ferimentos, e o atendimento deve ser rápido, especialmente para crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa. “É fundamental que cada cidade saiba onde encontrar o soro antiescorpiônico para encaminhar o paciente com rapidez, porque o tempo para receber o soro faz muita diferença”, destaca.

Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, o Samu 192 ou o Corpo de Bombeiros devem ser chamados para transportar o paciente para hospitais que oferecem o tratamento adequado. Cada Secretaria Estadual de Saúde deve manter uma lista atualizada dos hospitais com soro antiescorpiônico. Joelma ressalta que é importante já saber esses locais antes de qualquer acidente para não perder tempo.

Entre os cuidados iniciais estão limpar o local da picada, usar analgésicos para aliviar a dor e manter o membro atingido elevado, mas isso não deve atrasar a ida ao hospital.

Para evitar acidentes, recomenda-se ensinar as crianças a sacudir bem sapatos e roupas guardadas, evitar brincar em locais com buracos, lixo ou material de construção, e ter cuidado com áreas onde o escorpião possa se esconder. O manual do Ministério da Saúde sugere manter os locais limpos, usar soleiras, telas e vedar ralos e pias, manter camas e berços afastados das paredes e impedir que roupas toquem no chão. Caso encontre um escorpião, informe a vigilância ambiental imediatamente.

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