A expectativa para a volta dos desfiles das escolas de samba no Distrito Federal está crescendo. As agremiações já começaram a se preparar para apresentar seus temas nos dias 20, 21 e 22 de agosto. Enquanto os sambistas, diretores e comunidades organizam as apresentações, as escolas acompanham as negociações entre o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa para definir os próximos passos do evento.
Na terça-feira (28), uma reunião entre a Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC) e representantes da Secretaria de Cultura discutiu as ações do Governo do Distrito Federal para viabilizar os desfiles, alinhando as providências necessárias para a programação.
Ao todo, 16 escolas de samba devem participar dos desfiles, que acontecerão no Guará. Para as escolas, definir o calendário e a estrutura do evento é essencial para o planejamento de fantasias, alegorias, ensaios e mobilização de centenas de integrantes que se preparam durante o ano todo para o carnaval brasiliense.
Durante o encontro, o procurador distrital dos direitos do cidadão, Eduardo Sabo, destacou que o MPDFT acompanha o processo para garantir que a política cultural seja cumprida e que os desfiles ocorram corretamente. “Os desfiles das escolas de samba representam uma importante manifestação cultural do Distrito Federal e merecem a atuação conjunta do poder público”, afirmou.
Enquanto as negociações avançam, as escolas ainda enfrentam os efeitos dos sucessivos adiamentos. De acordo com Pablo Claudino, diretor financeiro e de comunicação da Acadêmicos da Asa Norte, a decisão de realizar os desfiles em agosto surgiu devido à indefinição sobre a infraestrutura e ao corte nos recursos para o evento.
“O GDF cortou a verba prevista para infraestrutura. Desde então, nenhuma solução foi apresentada”, disse. Ele ressaltou que as escolas optaram por adaptar o desfile para garantir a realização do projeto, mesmo sem receber todos os recursos previstos.
Apesar dos desafios, a Acadêmicos da Asa Norte está pronta para desfilar. Fantasias e alegorias foram concluídas no primeiro semestre, e a escola manteve a estrutura de produção e formação de profissionais locais. “A Acadêmicos da Asa Norte está pronta para o desfile desde abril”, destacou Pablo.
A indefinição trouxe dificuldades financeiras e organizacionais. A escola teve custos extras para guardar alegorias e fantasias e enfrentou a desmobilização de parte dos integrantes. “O ponto alto para uma escola de samba, para o qual ensaiamos durante o ano inteiro, é o desfile”, afirmou o dirigente.
Mesmo com uma estrutura menor, a expectativa é manter a qualidade das apresentações. “Vamos com disposição para apresentar o melhor espetáculo possível para o público”, disse Pablo, explicando que a escola teve que adaptar seu planejamento às condições atuais.
Para a União das Escolas de Samba e Blocos de Enredo do Distrito Federal (Uniesbe-DF), o avanço das negociações mostra a chance real de finalizar um trabalho quase concluído. O presidente da entidade responsável pelos desfiles, Gleidson de Sá, afirmou que as escolas esperam a conclusão das etapas administrativas para finalizar os preparativos.
“Recebemos com alegria a possibilidade de realizar esse desfile. As escolas trabalharam muito e agora aguardam essa definição para apresentar esse espetáculo ao público”, disse. Segundo ele, a maioria das fantasias está pronta e as alegorias estão em fase final de acabamento.
Gleidson também destacou o caráter comunitário do carnaval brasiliense. “O samba é união. É uma festa para a comunidade”, disse, convidando o público a prestigiar os desfiles no Guará.
Já o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba Tradicionais do DF (LIESTRA-DF), Pedro Paulo Gonzales, ressaltou os desafios para as agremiações diante das mudanças no planejamento e da necessidade de reorganizar a estrutura do evento. Segundo ele, o trabalho coletivo entre ligas e escolas foi essencial para manter o desfile no calendário.
“O maior desafio foi lidar com a falta de estrutura e as adaptações para viabilizar o evento”, afirmou. Apesar das dificuldades, Pedro avaliou que a participação das escolas mostra a força do carnaval brasiliense. “A expectativa é positiva. Temos quase todas as escolas confirmadas e trabalhando para fazer um grande desfile”, concluiu.
Em comunicado, a Administração Regional do Guará declarou seu apoio aos Desfiles Oficiais das Escolas de Samba de Brasília, destacando que o evento fortalece a cultura popular e valoriza a identidade cultural da cidade. Segundo a administração, além de ampliar o acesso da população à cultura e lazer, os desfiles movimentam a economia local, incentivam o comércio e geram oportunidades para trabalhadores e empreendedores ligados à cadeia produtiva do carnaval.
A administração também ressaltou que escolher o Guará como sede reforça a vocação cultural da região, que tem tradição no carnaval brasiliense e abriga escolas que participam do grupo oficial da competição. Receber um evento desse porte ajuda a consolidar a cidade como um polo cultural do Distrito Federal e fortalece a integração entre as comunidades.
