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quinta-feira, 06/08/2026

Risco eleitoral faz juros subirem apesar de clima externo positivo

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Em Brasília

Os juros futuros fecharam em alta ontem, mesmo diante de um cenário externo otimista por causa da possível reabertura do Estreito de Ormuz. As taxas começaram a subir na parte da tarde, devido à preocupação com a situação eleitoral, especialmente antes da divulgação de novas pesquisas para a Presidência e das dificuldades do PL para conseguir apoio dos partidos de centro-direita.

A taxa do contrato DI para janeiro de 2027 ficou estável em 13,79%. Já o DI para 2028 subiu de 13,794% para 13,835%, e o DI para 2029 voltou a ultrapassar 14%, chegando a 14,020%. O DI para 2031 também aumentou, fechando em 14,210%.

No início do dia, as taxas de longo prazo mostravam queda, mas a piora na percepção do cenário político e o receio de novas sanções dos Estados Unidos ao Brasil fizeram o mercado ajustar seus ganhos.

Especialistas em renda fixa explicam que o mercado está cauteloso diante das pesquisas Genial/Quaest e Meio/Ideia, que serão divulgadas amanhã e que mostraram resultados desfavoráveis para o candidato Flávio Bolsonaro. Na segunda-feira, uma pesquisa da BTG/Nexus mostrava empate técnico entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro.

O mercado acredita que uma possível mudança de governo aumentaria a chance de ajustes nas contas públicas, abrindo caminho para cortes maiores na Selic. A dificuldade do PL para conseguir um apoio sólido e para indicar uma candidata à vice também preocupa os investidores.

Beto Saadia, economista-chefe da Nomos Investimentos, afirma que o mercado está se protegendo contra os possíveis resultados das pesquisas que mostram Flávio menos competitivo.

Além disso, a área diplomática também pesou: fontes dizem que o governo brasileiro espera que os EUA anunciem novas sanções em resposta à negativa de vistos para funcionários americanos.

No cenário internacional, o otimismo continua, com expectativa de acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, o que fez o preço do petróleo Brent cair mais de 5% e os rendimentos dos Treasuries recuarem.

A produção industrial caiu 1,8% em junho, resultado pior do que o esperado, o que pode abrir espaço para cortes na Selic, segundo Beto Saadia. Ele acredita que o Copom deve manter sua estratégia aberta, dependendo dos dados que continuem chegando.

Dólar

A desvalorização do petróleo e a incerteza eleitoral fizeram o real ter o pior desempenho entre as principais moedas ontem. O dólar terminou em alta de 0,86%, cotado a R$ 5,1309, maior valor desde julho.

Marcos Weigt, diretor da Tesouraria do Travelex Bank, explica que a queda no preço do petróleo afeta o real no curto prazo, já que o Brasil é exportador neto dessa commodity.

A expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz levou o preço do petróleo Brent a cair para US$ 79,36 o barril. Pesquisas recentes mostram um cenário eleitoral mais desafiador para Flávio Bolsonaro, o que também impacta o mercado.

O candidato do PL deseja ter Daniela Marques, ex-presidente da Caixa, como vice, mas seu partido optou pela neutralidade, aumentando a preocupação do mercado, segundo o estrategista Gustavo Cruz.

Além das questões políticas, o Brasil espera sanções dos EUA devido à recusa de vistos, o que também pesa sobre o real.

O índice DXY, que mede o dólar contra seis moedas fortes, esteve estável, com expectativa de que o real possa se beneficiar caso o dólar perca força. José Raymundo Faria Junior, da Wagner Investimentos, destaca que o real está mais ligado ao desempenho das commodities do que ao dólar ultimamente.

No ano, o dólar desvalorizou 6,52% frente ao real, que tem um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes.

Bolsa

O Ibovespa fechou levemente em baixa, com investidores cautelosos diante da situação eleitoral, da diplomacia com os EUA, dos balanços corporativos e da política monetária.

Houve preocupação com a falta de um vice para Flávio Bolsonaro e a possibilidade de sanções dos EUA contra o Brasil. As ações de bancos, que pesam na bolsa, caíram, com destaque negativo para o Itaú PN, que também temem resultados trimestrais pouco animadores.

Apesar da queda da produção industrial e do cenário político, a maioria do mercado projeta uma pausa na redução da Selic após a reunião de quarta-feira, que deve reduzir os juros básicos em 0,25 ponto porcentual para 14%.

Pedro Henrique Cardoso, da Valor Investimentos, resume: o mercado acompanha um cenário misto, com dados econômicos desacelerando, negociações internacionais melhorando o apetite ao risco, e incertezas políticas ainda presentes.

Felipe Sant’Anna, do Axia Investing, observa que a conjuntura atual não é muito favorável para cortes adicionais na Selic, considerando o cenário externo e a eleição. O início das sabatinas eleitorais deve refletir nos preços da bolsa.

O Ibovespa fechou aos 177.894,97 pontos, em queda de 0,06%, enquanto a Petrobras caiu cerca de 1% devido à queda no petróleo. A Vale teve alta de 2,24%, ajudando a equilibrar o desempenho das bolsas domésticas em relação às estrangeiras.

Estadão Conteúdo

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