JOÃO PEDRO PITOMBO
FOLHAPRESS
Uma operação conjunta contra o tráfico de pessoas libertou 22 mulheres que estavam em condições semelhantes à escravidão em locais de exploração sexual em cidades da Paraíba e Pernambuco.
A ação chamada Donos da Noite, coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego via Auditoria Fiscal do Trabalho, descobriu casos de tráfico de pessoas, servidão por dívida, jornadas exaustivas, trabalho forçado e ambientes de trabalho degradantes.
Os locais inspecionados pertenciam a uma mesma empresa, cujos nomes e advogados foram mantidos em sigilo.
As investigações indicaram que os estabelecimentos em Goiana (PE), Nova Cruz (RN), Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande (PB) eram geridos por uma empresária e familiares, que controlavam as trabalhadoras.
Foi encontrado um sistema onde as mulheres ficavam presas por dívidas relacionadas a despesas com alimentação, roupas, perfumes, procedimentos estéticos e manutenção de mega hair.
Relatos indicam que os valores eram arbitrários e superiores ao mercado, e não havia clareza sobre as dívidas e os salários. Algumas vítimas ficaram semanas sem receber.
Essa situação impedia que as mulheres saíssem dos locais devido às dívidas acumuladas.
Havia também trabalho forçado, com pressão para realizar serviços sexuais e multas aplicadas em caso de recusa.
As trabalhadoras viviam em quartos coletivos com pouca ventilação, banheiros precários e condições de higiene ruins, às vezes nos mesmos locais onde trabalhavam.
Os auditores relataram jornadas longas, chegando a 14 horas por dia, inclusive nos fins de semana, iniciando ao meio-dia e terminando após o último cliente sair.
A líder da organização foi notificada oficialmente por trabalho em condições análogas à escravidão.
Foi determinada a paralisação imediata das atividades, o pagamento dos direitos das trabalhadoras e o custeio do retorno das vítimas para suas cidades.
A ação começou com investigações da Polícia Civil, depois passou para a esfera federal ao encontrar indícios de tráfico e exploração.
Também participaram a Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública da União.
