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sexta-feira, 05/06/2026

Rastreador acompanha jatos privados para detectar sinais de crise

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A ideia é simples e direta: super-ricos tendem a saber antes quando uma grande crise, como um ataque nuclear ou colapso social, está para acontecer. Isso acontece não por estarem envolvidos em conspirações, mas porque geralmente estão perto dos centros onde a informação importante circula.

Quando eles recebem essas informações, costumam usar seus jatos privados para fugir. Se muitos voam ao mesmo tempo, isso pode indicar um sinal de alerta.

Essa intuição foi transformada em um projeto pelo programador e artista Kyle McDonald, de Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele criou o Sistema de Alerta Precoce do Apocalipse, que rastreia movimentos de jatos privados no mundo todo. A partir desses dados, McDonald busca identificar possíveis sinais de preocupação ou pânico entre as elites globais.

Como funciona o sistema

O sistema monitora uma rede global de receptores de rádio que captam sinais ADS-B, que transmitem em tempo real posição, velocidade e altitude das aeronaves. Com esses dados, o sistema identifica cerca de 11 mil jatos privados e de fretamento.

Depois, compara o número de jatos no ar em cada momento com uma base histórica que inclui padrões diários, semanais e feriados. Isso gera uma escala de alerta de 1 a 5: 1 indica um dia comum e 5, uma atividade muito acima do normal.

Quando a atividade aumenta muito, o sistema envia alertas automáticos por Telegram, e-mail ou mensagem de texto.

A origem do projeto

A motivação para criar esse rastreador veio da ansiedade de McDonald após ler uma ameaça feita por Donald Trump contra o Irã, que poderia resultar em uma catástrofe global.

McDonald percebeu que pessoas próximas ao poder sempre têm acesso a informações importantes antes do público geral. A partir disso, ele quis saber se os movimentos dos super-ricos poderiam indicar crises iminentes.

Ele testou seu sistema com dados históricos e observou que o maior aumento no tráfego de jatos ocorreu no dia em que o Irã lançou um ataque contra alvos americanos e israelenses.

Apesar dos resultados, McDonald ressalta que seu rastreador não é um detector científico do apocalipse. Um nível 5 pode acontecer por causas banais, como férias ou eventos políticos que causam deslocamentos em massa. Mesmo assim, os padrões observados ajudam a entender como as elites reagem em momentos de incerteza.

A combinação de tecnologia e arte

McDonald tem experiência de 25 anos como programador e usa inteligência artificial na criação do sistema, numa técnica chamada vibe coding, onde a inteligência artificial escreve parte do código guiada por suas instruções.

O projeto também funciona como uma obra que mistura arte e software. Cerca de 2,5 mil pessoas usam o rastreador, a maioria gratuitamente, e algumas pagam uma pequena taxa para receber alertas por SMS ou e-mail.

McDonald já criou outros projetos para monitorar helicópteros da polícia em Los Angeles e para identificar agentes de forças de segurança, sempre com o objetivo de usar a vigilância para controlar o poder, não o cidadão.

O significado dos movimentos das elites

Segundo o jornal The Washington Post, McDonald se inspira nas ideias do escritor Douglas Rushkoff, que estuda a preparação dos bilionários para um possível colapso social.

No livro Survival of the Richest, Rushkoff mostra que muitos super-ricos constroem bunkers e refúgios para sobreviver a cenários extremos.

Assim, o rastreador criado por McDonald pode ser visto não como um detector de catástrofes, mas como um termômetro do medo dessas elites. Esse medo revela a crescente concentração de riqueza e poder no mundo.

McDonald prefere tratar o tema com humor e simplicidade, sem grandes respostas, só convidando as pessoas a refletirem e reconhecerem o absurdo da situação.

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