O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou que o governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, ignorou os argumentos apresentados pelo Brasil em duas investigações comerciais que resultaram em propostas de novas tarifas contra o país.
O anúncio das tarifas antes do prazo estabelecido para negociações foi interpretado pelo governo Lula como uma ação política e uma forma de pressão.
Em Paris, Mauro Vieira falou sobre seu encontro com o representante comercial dos EUA, embaixador Jamieson Greer, durante a reunião da OCDE. Mauro ressaltou que o anúncio aconteceu dentro do período estabelecido por ambos os presidentes para buscar uma solução, e destacou a necessidade de intensificar esforços para normalizar as relações econômicas e comerciais.
O representante americano afirmou que ainda há espaço para negociações. As recomendações do USTR sugerem tarifas de 25% por supostas práticas comerciais injustas e 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado, afetando a competitividade entre empresas dos dois países.
Essas investigações, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, dão suporte para que o presidente Trump imponha novamente as tarifas, que foram anteriormente suspensas pela Suprema Corte americana. Uma tarifa temporária de 10% está prestes a expirar.
Entre as acusações dos EUA estão práticas desleais no comércio digital e sistemas de pagamento, combate insuficiente à corrupção, pirataria, desmatamento ilegal, concessão de tarifas preferenciais a outros países e restrições ao mercado de etanol.
Além disso, os EUA criticam o Brasil pelo suposto fracasso no combate ao trabalho escravo, dizendo que isso gera vantagem competitiva na carne bovina congelada, especialmente no mercado da China.
Mauro Vieira destacou que as recomendações americanas não consideraram os argumentos e a realidade brasileira. Ele explicou que, sob a liderança do presidente Lula, o Brasil reduziu significativamente o desmatamento, comprometendo-se a erradicar o desmatamento ilegal até 2030.
Os dados do MapBiomas mostram que, em 2024, o desmatamento nos seis biomas brasileiros foi o menor dos últimos anos, uma redução significativa em relação a 2022.
O ministro também ressaltou que, ao invés de impor tarifas, o governo norte-americano deveria reconhecer o progresso brasileiro na redução do desmatamento e valorizar o sistema de pagamentos Pix.
A questão do etanol está em debate desde o ano passado, pois os EUA reclamam da tarifa brasileira de 2,5%, enquanto o Brasil aplica uma tarifa de 18%. O governo brasileiro, alinhado ao setor privado, planeja negociar esse tema vinculando-o às barreiras americanas à importação de açúcar, que têm tarifas quatro vezes maiores.
Mauro Vieira destacou que a posição oficial será definida durante as negociações, mas afirmou que os EUA cobram uma tarifa alta para importar açúcar brasileiro.
Este conteúdo foi produzido com base em informações no local e fala direta do ministro.

