Desde cedo, a Esplanada dos Ministérios em Brasília se transforma em um grande espaço de arte e fé. Pessoas de todas as idades, incluindo muitas crianças e jovens, se reúnem para preparar os tapetes coloridos tradicionais de Corpus Christi, que cobrem o caminho da procissão após a missa realizada pelo cardeal Paulo Cezar Costa. A expectativa é que cerca de 50 mil pessoas participem ao longo do dia. Os tapetes têm 125 metros de comprimento e mostram cenas bíblicas e símbolos da fé católica.
Crianças da Infância e Adolescência Missionária, com as mãos coloridas por pigmentos, ajudam a fazer os tapetes sob a orientação dos coordenadores. Entre os voluntários estão Catarina Almeida, Miguel de Souza e Maria Vitória, todos com 12 anos. Eles participam pela segunda vez e veem essa atividade como uma forma concreta de expressar sua fé.
“Quando o padre passar mais tarde, vou saber que eu ajudei a fazer esse tapete”, conta Catarina. Para Miguel, a experiência fortalece a espiritualidade: “É importante para nós crescer na fé e saber que o Corpo de Cristo vai passar sobre um tapete que fizemos”.
Tradição que passa de geração em geração
A presença das crianças na confecção dos tapetes acontece há cerca de 20 anos, promovida pela Infância e Adolescência Missionária da Arquidiocese de Brasília. O objetivo é ensinar os jovens sobre o significado da Eucaristia e ajudá-los a desenvolver um compromisso com a vida cristã desde cedo.
De acordo com a assessora do movimento na paróquia São João Batista, no Gama, Lúcia de Fátima Cardoso, trazer as crianças para esse momento histórico da fé ajuda a fortalecer o compromisso com Cristo e a Igreja, garantindo a continuidade dessa missão.
Voluntários vêm de diferentes regiões administrativas do Distrito Federal. Embora centenas de crianças participem durante o ano, somente algumas conseguem estar na Esplanada. Quem não participa diretamente contribui com doações, orações e ajuda na organização do evento.
Festa com origem na Idade Média
Corpus Christi é uma festa que começou no século XIII. Foi instituída oficialmente em 1264 pelo Papa Urbano IV, após as visões de Santa Juliana de Cornillon, que desejava uma celebração especial para adorar a Eucaristia.
A confirmação dessa festa veio após o Milagre Eucarístico de Bolsena, na Itália, quando um padre que duvidava da presença real de Cristo na hóstia consagrada viu sangue aparecer durante a missa. Isso reforçou a devoção e expandiu a festa para toda a Igreja Católica.
Desde então, procissões e tapetes coloridos fazem parte da celebração em vários países, incluindo o Brasil, onde a tradição chegou trazida pelos portugueses e virou uma das manifestações religiosas mais queridas do calendário católico.
Jovens conservam a fé viva
Além das crianças, jovens da Renovação Carismática Católica também ajudam a desenhar os tapetes. Yasmin Dourado Dantas, de 21 anos, da Paróquia Santa Maria dos Pobres, no Paranoá, vê a participação como um sinal de esperança para o futuro da Igreja: “É uma alegria grande estar aqui. Ver tantos jovens celebrando Corpus Christi mostra que a Igreja tem um futuro promissor”.
Kate Gabriele, de 19 anos, da Paróquia São João Batista, no Gama, compartilha desse sentimento: “Estamos aqui trabalhando para a obra de Deus. É gratificante ajudar e fazer parte de algo tão importante para nossa fé”.
Enquanto os desenhos tomam forma na Esplanada, grupos cantam e ajudam a preparar a celebração. Com sacos de sal colorido, serragem e bandeiras, a tradição é renovada pelas mãos daqueles que receberam essa missão das gerações passadas e agora se preparam para passá-la adiante.

