LEONARDO VIECELI
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS)
O valor do prato feito, uma refeição muito popular no Brasil, subiu 7,2% desde o começo do ano de 2026. Em junho, o preço médio estava em R$ 31,90, comparado aos R$ 29,77 registrados em janeiro e R$ 30,27 em março, conforme dados do Índice Prato Feito (IPF).
Esse índice é criado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da FAC-SP (Faculdade do Comércio), ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Com base no preço médio de junho, um trabalhador gastaria cerca de R$ 638 para almoçar fora em 20 dias úteis no mês.
Os dados do IPF são coletados desde janeiro de 2026, com preços reunidos em todas as cinco grandes regiões do país, totalizando 887 registros da pesquisa feita presencialmente e por aplicativos de entrega. O prato feito considerado inclui arroz, feijão, proteína, salada e guarnição.
De acordo com o economista Rodrigo Simões, da FAC-SP, o aumento no preço foi causado por vários fatores, como a alta de alguns alimentos, aumento nos custos de mão de obra e dos combustíveis.
Os efeitos econômicos da guerra no Irã também impactaram, elevando o preço do petróleo e, consequentemente, produtos derivados como óleo diesel e gasolina.
Diferenças nas regiões
A pesquisa mostrou variações nos preços do prato feito entre as regiões. O Sul apresentou o valor mais alto em junho, R$ 34,90, que é 16,4% maior que o preço do Norte, que ficou em R$ 29,99, o menor do país.
O Centro-Oeste pagou em média R$ 34,45, o Sudeste R$ 31,99 e o Nordeste R$ 30,00.
Essas diferenças são atribuídas a custos variados de aluguel, renda, transporte, mão de obra, concorrência e hábitos de consumo em cada região.
A FAC-SP destaca que o IPF serve para complementar as análises econômicas, pois oferece uma visão clara pela simplicidade do prato feito, diferentemente do IPCA, índice oficial de inflação divulgado pelo IBGE.
No primeiro semestre, itens como tubérculos, raízes e legumes tiveram alta de 67,71% no IPCA, enquanto o feijão-carioca subiu 52,82%. Hortaliças e carnes também ficaram mais caras, com aumento de 13,91% e 5,6%, respectivamente. Já o arroz teve uma queda de 0,51%.
Previsão para o futuro
O fenômeno climático El Niño pode complicar a situação no segundo semestre, pois altera a distribuição das chuvas, prejudicando a produção agrícola e aumentando os preços de alimentos.
Além disso, a guerra em curso pode pressionar ainda mais os custos de combustíveis e fertilizantes, já que os Estados Unidos retomaram ataques ao Irã recentemente.
Rodrigo Simões acredita que o preço do prato feito pode continuar subindo um pouco no próximo semestre, após análise dos dados e conversas com os comerciantes.
