O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), por meio do Núcleo de Controle da Atividade Policial (Ncap), iniciou uma investigação nesta sexta-feira, 26 de junho, para apurar denúncias de abusos cometidos por policiais civis durante a abordagem e prisão de um advogado em uma academia de ginástica em Planaltina.
Para investigar, o Ncap vai solicitar informações às polícias Civil e Militar, além de exigir a preservação e o envio de imagens, registros e outros documentos relacionados ao caso e ao tempo em que o advogado esteve sob custódia. A Academia Evolve também deverá manter as imagens internas e externas de segurança e esclarecer quem eram os funcionários de plantão no momento dos fatos.
Segundo a denúncia enviada ao MPDFT, o incidente começou na tarde de 13 de junho de 2026, após um desentendimento entre o advogado e outra frequentadora da academia sobre o uso de um aparelho de musculação. Conforme o relato, a mulher teria o ofendido e retornado ao local acompanhada por policiais civis, quando ocorreu a abordagem e prisão.
O advogado informou que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), solicitou a presença da Comissão de Prerrogativas da OAB e relatou que havia passado por tratamento oncológico recentemente, mas essas informações não foram levadas em consideração. Ele também declarou que sofreu agressões físicas, foi impedido de contatar outro advogado e não recebeu atendimento adequado durante sua custódia.
Além disso, segundo a denúncia, o advogado foi levado à 16ª Delegacia de Polícia, onde foi autuado em flagrante pelos crimes de injúria, ameaça e resistência. Ele permaneceu algemado durante o tempo de custódia, teve negado um pedido para assistência da OAB e não recebeu a medicação necessária ao sofrer uma crise de pânico relacionada ao autismo. Após atendimento do Samu por pressão arterial alta, ele teve uma convulsão na carceragem e foi levado ao Hospital Regional de Planaltina.
O Ncap esclareceu que todas as medidas visam coletar informações neutras e independentes para esclarecer a dinâmica dos acontecimentos, conforme as regras que regulam o controle externo da atividade policial exercido pelo Ministério Público.
Com informações do MPDFT
