ALÉXIA SOUSA
FOLHAPRESS
Um homem que pilotava uma motocicleta morreu e uma mulher ficou ferida ao serem atingidos por disparos de arma de fogo durante uma operação da Polícia Militar em São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, na tarde deste domingo, 31 de março.
O incidente gerou protestos entre os moradores locais, que atearam fogo em objetos e bloquearam as ruas da área.
A vítima foi identificada pela Polícia Civil como Carlos Eduardo Souza Ornela. De acordo com a Polícia Militar, ele foi ferido por um tiro durante uma ação que envolveu equipes do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom). A corporação não informou se o disparo foi feito por um policial militar.
A mulher que estava na garupa da motocicleta também foi baleada e ficou ferida. Ela foi encaminhada ao Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo, onde permanece internada, mas o estado de saúde dela não foi divulgado.
A Polícia Militar informou que a Corregedoria-Geral abriu um procedimento para investigar o caso e que o policial envolvido foi afastado imediatamente.
A área onde o fato ocorreu foi isolada para perícia, que está sendo conduzida pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Após a morte do motociclista, moradores protestaram nas ruas da região, ateando fogo em objetos e usando ônibus para bloquear as vias. Equipes do Recom foram acionadas para liberar o tráfego, que posteriormente foi restabelecido com o aumento do policiamento na área.
Este episódio aconteceu poucos dias depois de outra ação policial com mortes em São Gonçalo. Na quarta-feira, 27, Marcelo da Cruz Silva, 41, e Edvan Felipe de Assis, 46, foram mortos a tiros durante uma operação da Polícia Militar na localidade da Ipuca.
Moradores relataram que os dois homens trabalhavam em uma construção e estavam em uma motocicleta transportando ferramentas e marmitas quando foram baleados. O material de construção teria sido confundido com armas.
Durante a perícia, a Polícia Civil encontrou uma régua de pedreiro a cerca de 150 metros dos corpos.
Assim como no caso deste domingo, a morte dos dois homens causou protestos dos moradores, que chegaram a interditar a BR-101, no km 306, no sentido Rio de Janeiro.

